5.9.09
Noemi Jaffe: "Tem coisas que parecem"
Tem coisas que parecem ser mais de verdade
do que outras que parecem ser mais de mentira
Mas as coisas que parecem ser mais de verdade
na verdade só são verdade como parecer,
porque na verdade são de mentira.
Já as coisas que parecem ser mais de mentira,
na verdade são verdade sendo mentira,
como também são verdade como parecer.
Sendo assim as coisas que parecem ser mais de mentira
são mais de verdade
do que as coisas que parecem ser mais de verdade
JAFFE, Noemi. Todas as coisas pequenas. São Paulo: Hedra, 2005.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
12 comentários:
CICERO,
parece MENTIRA, MAS TE AMO DE VERDADE!
ABS,
A. NUNES
fiquei confuso!
"Seduzidos pela sua beleza, os homens envolverão de amor essa peste que lhes foi enviada, que eles não podem suportar, mas sem a qual não poderiam viver: é o diferente e a companheira dos homens. Réplica à artimanha de Prometeu, Pandora é também uma astúcia, um engodo, um dólos (artifício), o Engano feito mulher,
a Apaté (descaminho) sob a máscara da Philotés (amizade).
Ornada por Afrodite com uma irresistível kháris (dom), dotada por Hermes de um espírito enganador e de uma linguagem falsa, ela introduz no mundo uma espécie de ambigüidade fundamental; entrega a vida humana à confusão e ao contraste."
(Vernant, Mito e pensamento entre os gregos, p. 72).
Cicero,
um novo poema concreto:
"V E R / T E"
so ver
ti do
o ver
so me
co me
tu do
re ver
to do
ver se
o ver
so se
co se
in ver
ti do
Abração,
A. Nunes.
Texto delicioso. Sou fã do minimalismo da Noemi Jaffe.
Tudo sempre muito belo aqui no Acontecimentos, este formidável "armarinho de miudezas".
Abraço.
Mariano.
Querido Cicero,
Mariano tem razão. É ótimo que esse espaço exista, "um descanso na loucura", um baú de coisas lindas e, melhor ainda, um canal direto a você e seu bom-gosto.
Beijo grande.
Cicero,
um novo soneto:
"POR OUTRO POEMA RASGADO"
Tinha-me programado cedo
Rasgar o poema. Senti
O peso de guardá-lo aqui,
Entre outros escritos, e medo
De reencontrá-lo intacto tive.
Uma gigantesca alegria
Ou uma grande angústia seria
Vê-lo queimado, todo livre
Das páginas da vida, certo
De que sequer qualquer vestígio
De mim nunca estaria perto,
Apagando os versos, prodígio
Produzido a tempo e coberto
De memória, apenas prestígio?
ABS,
A. Nunes
Caro Antonio Cícero,
Excelente este desdobramento (esta dialéctica) entre o ser e o parecer da verdade e da mentira.
Não conhecia o poeta, e leio aqui muitos e belos poemas & outros textos.
Obrigado,
DM
Gostei muito do texto! Um abraço.
Cicero, envio um poema que escrevi:
O Muro
só compreendo um muro
vendo o homem primeiro
sentado em meio aos montes
- em abrigo receoso
só compreendo um muro
se vejo esse mesmo homem
pisando a marcação
na vertigem das posses
só compreendo um muro
pelo medo nostálgico
do homem que via o sol
se pôr antes da noite
só compreendo um muro
se a guarda do que é cerco
fecha-se atrás das costas
e arrasta um deus pesado
(Jefferson Bessa)
Cicero,
Uma dor vital:
"TRISTE"
estou muito triste.
estou mesmo triste.
a tristeza existe.
ai, como ela existe,
como ela persiste
em estar, em riste,
em mim! Como és triste
ó tristeza, triste
viver! Tu não viste
o verso vir triste
à tona? Não ouviste
gritos de grafite?
ABS,
A. NUNES.
parece mentira (e é verdade),
ficou louco, de verdade (e é mentira), por este poema (rs)!
que sacada!, que achado o da poeta!
beijo!
Postar um comentário