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18.9.22

Giuseppe Ungaretti: "Il porto sepolto": trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti

 



Il porto sepolto


Mariano il 29 giugno 1916


Vi arriva il poeta

e poi torna alla luce con i suoi canti

e li disperde


Di questa poesia

mi resta

quel nulla

d’inesauribile segreto







O porto sepulto


Mariano, 29 de junho de 1916



Ali chega o poeta

e depois regressa à luz com seus cantos

e os dispersa


Desta poesia 

me sobra

aquele nada

de inesgotável segredo








UNGARETTI, Giuseppe. "Il porto sepolto". In:_____:Poemas. Edição bilíngue. Trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: EDUSP, 2017,


3.8.22

UNGARETTI, Giuseppe. "Non gridate più" / "Não gritai mais"

 



Não gritai mais


Cessai de matar os mortos,

Não gritai mais, não gritai

Se quereis ainda ouvi-los,

Se esperais não perecer.


É imperceptível seu sussurro,

Não fazem rumor mais forte

Que o da relva quando cresce,

Onde não passa nenhum homem.






Non gridate più



Cessate d’uccidere i morti,

Non gridate più, non gridate

Se li volete ancora udire,

Se sperate di non perire.


Hanno l’impercettibile sussurro,

Non fanno più rumore

Del crescere dell’erba,

Lieta dove non passa l’uomo.









UNGARETTI, Giuseppe. "Non gridate più" / "Não gritai mais". In:_____ "La dolore" / "A dor". In:_____. Poemas. Edição bilingue. Trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: USP, 2017.

27.3.22

Giuseppe Ungaretti: "O notte" / "Ó noite": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti

 



Ó noite



O ansioso abraço da aurora

Desvela a folhagem.


Dolorosos despertares.


Folhas, irmãs folhas,

Ouço o vosso lamento.


Outonos,

Moribundas doçuras.


Ó juventude,

Um instante mal nos separa.


Altos sonhos, céus da juventude,

Livre arroubo.


E já deserto estou.


Perdido nesta curva melancolia.


Mas a noite dispersa as distãncias.


Oceânicos silêncios,

Ninhos astrais de ilusões,


Ó noite.










O Notte



Dall'ampia ansia dell'alba

Svelata alberatura.


Dolorosi risvegli.


Foglie, sorelle foglie,

Vi ascolto nel lamento.


Autunni,

Moribonde dolcezze.


O gioventù,

Passata è appena l'ora del distacco.


Cieli alti della gioventù,

Libero slancio.


E già sono deserto.


Preso in questa curva malinconia.


Ma la notte sperde le lontananze.


Oceanici silenzi,

Astrali nidi d'illusione,


O notte.






UNGARETTI, Giuseppe. "O notte" / "Ó noite". In:_____ Poemas. Seleção e tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2017.

23.1.22

Giuseppe Ungaretti: "Mattina" / "Manhã": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti

 



Manhã

Santa Maria la Longa, 26 de janeiro de 1917


Ilumino-me

de imenso







Mattina

Santa Maria la Longa il 26 gennaio 1917


M''illumino

d'immenso






UNGARETTI, Giuseppe. "Mattina" / "Manhã". In: CAVALCANTI, Geraldo Holanda (seleção, tradução e notas). Poemas. Edição Bilíngue. São Paulo: EDUSP, 2017.

30.5.21

Giuseppe Ungaretti: "Veglia" / "Vigília": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti




 Vigília


Cima Quattro, 23 de dezembro de 1915


Uma noite inteira

jogado ao lado

de um companheiro

massacrado

com a boca

arreganhada

voltada para a lua cheia

com a convulsão

de suas mãos

entranhada

no meu silêncio

escrevi

cartas cheias de amor


Nunca estive

tão

aferrado à vida





Veglia


Cima Quattro il 23 dicembre 1915


Un'intera nottata

buttato vicino

a un compagno

massacrato

con la sua bocca

digrignata

volta al plenilunio

con la congestione

delle sue mani

penetrata

nel mio silenzio

ho scritto

lettere piene d'amore


Non sono mai stato

tanto

attaccato alla vita




UNGARETTI, Giuseppe. "Veglia" / "Vigília". In_____. "Il porto sepolto" / "O porto sepulto". In:_____. Poemas. Seleção, tradução e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: edUSP, 2017.


24.4.21

Giuseppe Ungaretti: "IN MEMORIA" / "IN MEMORIAM": trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti

 



IN MEMORIAM

Locvizza, 30 de setembro de 1916



Chamava-se

Moammed Sceab


Descendente

de emires de nômades

suicida

porque não tinha mais

Pátria


Amou a França

e mudou de nome


Foi Marcel

mas não era francês

e já não sabia

viver

na tenda dos seus

onde se escuta a cantilena

do Alcorão

saboreando um café


E não sabia

desatar

o canto

do seu abandono


Acompanhei-o

junto com a dona da pensão

onde vivíamos

em Paris

do número 5 da rue des Carmes

esquálido beco em declive


Descansa

no cemitério de Ivry

subúrbio que parece

sempre

em dia

de

decomposta feira


E talvez apenas eu

saiba ainda

que viveu





IN MEMORIA

Locvizza il 30 settembre 1016



Si chiamava

Moammed Sceab


Discendente

di emiri di nomadi

suicida

perché non aveva più

Patria


Amò la Francia

e mutò nome


Fu Marcel

ma non era Francese

e non sapeva più

vivere

nella tenda dei suoi

dove si ascolta la cantilena

del Corano

gustando un caffè


E non sapeva

sciogliere

il canto

del suo abbandono


L’ho accompagnato

insieme alla padrona dell’albergo

dove abitavamo

a Parigi

dal numero 5 della rue des Carmes

appassito vicolo in discesa.


Riposa

nel camposanto d’Ivry

sobborgo che pare

sempre

in una giornata

di una

decomposta fiera


E forse io solo

so ancora

che visse






UNGARETTI, Giuseppe. "IN MEMORIA" / "IN MEMORIAM". In:_____. Poemas. Org. e trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: Edusp, 2017.

18.3.21

Giuseppe Ungaretti: "I ricordi" / "As lembranças": trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti

 



As lembranças


As lembranças, infinito inútil,

Mas sós e unidas contra o mar, intacto

Em meio a estertores infinitos…


O mar,

Voz de uma grandeza livre,

Mas inocência inimiga nas lembranças,

Rápido em apagar as doces pegadas

De um pensamento fiel…


O mar, suas blandícias acidiosas

Quão ferozes e quão, quão esperadas,

E no momento da agonia,Sempre presente, renovada sempre,

No pensamento atento, a agonia…


As lembranças,

Revolver em vão

A areia que se move

Sem pesar sobre a areia,

Breves ecos prolongados,

Mudos, ecos de adeuses

De instantes que pareceram felizes…







I ricordi


I ricordi, un inutile infinito

Ma soli e uniti contro il mare, intatto

In mezzo a rantoli infiniti..


Il mare,

Voce d’una grandezza libera,

Ma innocenza nemica dei ricordi,

Rapido a cancellare le orme dolci

D’un pensiero fedele…


Il mare, le sue blandizie accidiose

Quanto feroci e quanto, quanto attese,

E alla loro agonia,

Presente sempre, rinnovata sempre

Nel vigile pensiero l’agonia..


I ricordi,

Il riversarsi vano

Di sabbia che si muove

Senza pesare sulla sabbia,

Echi brevi protratti,

Senza voce echi degli addii

A minuti che parvero felici…







UNGARETTI, Giuseppe. "I ricordi" / "As lembranças". In:_____. Poemas. Seleção e Tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti. Prefácio de Alfredo Bosi. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2017.


7.11.20

Giuseppe Ungaretti: "Silenzio" / "Silêncio": trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti

 



Silêncio



Conheço uma cidade 

que cada dia se enche de sol 

e tudo é arrebatado nessa hora 


Dela parti uma tarde 


No coração perdurava o limar 

das cigarras 


Do navio 

laqueado de branco 

vi 

minha cidade sumir 

deixando 

por um instante 

no ar toldado um abraço de luzes 

suspensas






Silenzio


Conosco una città

che ogni giorno s’empie di sole

e tutto è rapito in quel momento


Me ne sono andato una sera


Nel cuore durava il limio

delle cicale


Dal bastimento

verniciato di bianco

ho visto

la mia città sparire

lasciando

un poco

un abbraccio di lumi nell’aria torbida

sospesi.







UNGARETTI, Giuseppe. "Silenzio" / "Silêncio". In:_____. "Il porto sepolto" / "O porto sepulto". In: Poemas. Org. e trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: Edusp, 2017.

9.9.20

Giuseppe Ungaretti: "Casa mia" / "Minha casa": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti




Minha casa


Surpresa
depois de tanto
deste amor

Pensava tê-lo dispersado
pelo mundo




Casa mia


Sorpresa
dopo tanto
d'un amore.

Credevo di averlo sparpagliato
per il mondo.




UNGARETTI, Giuseppe. "Casa mia" / "Minha casa". In:_____. Poemas. Edição bilingue. Seleção, tradução e notas por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: EdUSP, 2017. 

26.4.20

Giuseppe Ungaretti: "Rosso e azzurro" / "Vermelho e azul": trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti




Vermelho e azul


Esperei que vos alçastes,
Cores do amor,
E eis que desvelais uma infância de céu.

Entrega a mais bela rosa sonhada.




Rosso e azzurro


Ho atteso che vi alzaste,
Colori dell’amore,
E ora svelate un’infanzia di cielo.

Porge la rosa più bella sognata.




UNGARETTI,  Giuseppe. "Rosso e azzurro" / "Vermelho e azul". In:_____. Poemas. Org. e trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: USP, 2017.

25.2.20

Giuseppe Ungaretti: "Eterno"




Eterno

Entre uma flor colhida e outra ofertada
o inexprimível nada




Eterno

Tra um fiore colto e l’altro donato
l’inesprimibile nulla








UNGARETTI, Giuseppe. “Eterno”. In:_____. A alegria. Trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 2003.

3.9.19

Giuseppe Ungaretti: "Se tu mio fratello" / "Se tu, meu irmão": trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti




Se tu, meu irmão


Se, vivo, regressasses ao meu encontro,
Com a mão estendida,
Poderia ainda,
No elã de esquecer, apertá-la,
Irmão.

Mas de ti, de ti já nada me envolve
Senão sonhos, vislumbres,
O fogo sem foco do passado.

A memória não me traz senão imagens
E para mim mesmo, eu mesmo
Já não sou mais
Que o vazio nada de meu pensamento.






Se tu mio fratello


Se tu mi rivenissi incontro vivo,
Con la mano tesa,
Ancora potrei,
Di nuovo in uno slancio d'oblio, stringere,
Fratello, una mano.

Ma di te, di te più non mi circondano
Che sogni, barlumi,
I fuochi senza fuoco del passato.

La memoria non svolge che le immagini
E a me stesso, io stesso
Non sono già più
Che l'annientante nulla del pensiero.






UNGARETTI, Giuseppe. "Se tu mio fratello" / "Se tu, meu irmão". In:_____. Poemas. Seleção e traduções por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: Edusp, 2017. 


2.2.19

Giuseppe Ungaretti: "Tutto ho perduto" / "Tudo perdi": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti



Tudo perdi


Tudo perdi de minha infância
E já não mais poderei
Desmemoriar-me num grito.

Soterrei a infância
Na profundez das noites
E agora uma espada invisível
Me separa de tudo.

Relembro que exultava te amando,
Hoje eis-me perdido
No infinito das noites.

Desespero que incessante aumenta
Presa à garganta,
A vida já não me é mais
Que uma rocha de gritos.




Tutto ho perduto

Tutto ho perduto dell'infanzia
E non potrò mai più
Smemorarmi in un grido.
 
L'infanzia ho sotterrato
Nel fondo delle notti
E ora, spada invisibile,
Mi separa da tutto.

Di me rammento che esultavo amandoti,
Ed eccomi perduto
In infinito delle notti.

Disperazione che incessante aumenta
La vita non mi è più,
Arrestata in fondo alla gola,
Che una roccia di gridi.





UNGARETTI, Giuseppe. "Tutto ho perduto" / "Tudo perdi". In:_____. Poemas. Trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: Edusp, 2017.




4.12.18

Giuseppe Ungaretti: "La notte bella" / "A noite bela": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti



A noite bela

Que canto levantou-se esta noite
que entretece
com o cristalino eco do coração
as estrelas

Qual festa prístina
de coração em núpcias

Fui
um charco de trevas

Hoje mordo
como uma criança a teta
o espaço

Hoje estou bêbado
de universo





La notte bella

Quale canto s'è levato stanotte
che intesse
di cristallina eco del cuore
le stelle

Quale festa sorgiva
di cuore a nozze

Sono stato
uno stagno di buio

Ora mordo
come un bambino la mammella
lo spazio

Ora sono ubriaco
d'universo




UNGARETTI, Giuseppe. "La notte bella" / "A noite bela". In:_____. Poemas. Trad. e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: EDUSP, 2017.

25.8.18

Giuseppe Ungaretti: "Vanità" / "Vaidade": trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti



Vaidade

De repente
se eleva
sobre os escombros
a límpida
maravilha
da imensidão.

E o homem
curvado
sobre a água
surpreendida
pelo sol
se descobre
uma sombra

Embalada
pouco a pouco
desfeita


Vanità

D’improvviso
è alto
sulle macerie
il limpido
stupore
dell’immensità

E l’uomo
curvato
sull’acqua
sorpresa
dal sole
si rinviene
un’ombra

Cullata e
piano
franta





UNGARETTI, Giuseppe. "Vanità" / "Vaidade". In:_____. Poemas. Org. e trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: USP, 2017.

27.4.18

Giuseppe Ungaretti: "Agonia": Trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti



Agonia

Morrer como as calhandras sedentas
na miragem

Ou como a codorniz
cruzado o mar
sobre as primeiras moitas
porque já não tem ânimo
de voar

Mas não viver se queixando
como um pintassilgo cego




Agonia

Morire come le allodole assetate
sul miraggio

O come la quaglia
passato il mare
nei primi cespugli
perché di volare
non ha più voglia

Ma non vivere di lamento
come un cardellino accecato





UNGARETTI, Giuseppe. "Agonia". In:_____. Poemas. Trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti. São Paulo: USP, 2017.

8.9.17

Giuseppe Ungaretti: "Sereno" / "Céu claro": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti



Sereno

Bosco di Courton Iuglio 1918

Dopo tanta
nebbia
a una
a una
si svelano
le stelle.

Respiro
il fresco
che mi lascia
il colore del cielo,

mi riconosco
immagine
passeggera

Presa in un giro
immortale




Céu claro

Bosque de Courton, julho de 1018

Depois de tanta
névoa
uma
a uma
se desvelam
as estrelas

Respiro
o frescor
que me deixa
a cor do céu

Me reconheço
imagem
passageira

Presa de um ciclo
imortal



UNGARETTI, Giuseppe. "Sereno" / "Céu claro". In:_____. A alegria. Edição bilíngüe. Trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 2003.

28.7.17

Giuseppe Ungaretti: "Noia" / "Tédio": trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti



Tédio

Também esta noite passará

Esta solidão em volta
a titubeante sombra dos fios do bonde
sobre o asfalto úmido

Olho as cabeças dos cocheiros
cochilando
balançar





Noia

Anche questa notte passerà

Questa solitudine in giro
titubante ombra dei fili tranviari
sull’umido asfalto

Guardo le teste dei brumisti
nel mezzo sonno
tentennare




UNGARETTI, Giuseppe. "Noia" / "Tédio". In:_____. A alegria. Trad. por Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 2003.




6.9.16

Giuseppe Ungaretti: "Tramonto" / "Ocaso": trad. Geraldo Holanda Cavalcanti




Ocaso
versa, 20 de maio de 1916

a carnação do céu
desperta oásis
no nômade de amor




Tramonto
versa il 20 maggio 1916

Il carnato del cielo
sveglia oasi
al nomade d’amore




UNGARETTI, Giuseppe. "Tramonto"/"Ocaso". In:_____. "Il porto sepolto" / "O porto sepulto". In:_____. A alegria. Edição bilíngue. Trad. Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 2003.

3.8.16

Giuseppe Ungaretti: "La notte bella" / "A noite linda": trad. de Sérgio Wax




A noite linda
Devetachi, 16 de agosto 1916

Qual canto se levantou esta noite
que entrelaça
de cristalino eco do coração
as estrelas

Qual jorro de nascente
de coração em festa

Já fui
um charco de escuridão

Agora mordo
como uma criança a mama
o espaço

Agora estou embriagado
de universo




La notte bella
Devetachi il 24 agosto 1916

Quale canto s’è levato stanotte
che intesse
di cristallina eco del cuore
le stelle

Quale festa sorgiva
di cuore a nozze

Sono stato
uno stagno di buio

Ora mordo
come un bambino la mammella
lo spazio

Ora sono ubriaco
d’universo




UNGARETTI, Giuseppe. "La notte bella" / "A noite linda". In:_____. A alegria / L'allegria. Trad. de Sérgio Wax. Belém: CEJUP, 1992.