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13.6.19

Manoel de Barros: "Sem título"




Sem título

de Livro sobre nada (1996)


Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.
Sou formado em desencontros.
A sensatez me absurda.
Os delírios verbais me terapeutam.
Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).
(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso
porque não encontrava um título para os seus poemas.
Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que
apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese
o acalmou.)

As antíteses congraçam.





BARROS, Manoel de. "Sem título". In:_____. Ocupação Manuel de Barros. Org. por Carlos Costa. São Paulo: Itaú Cultural, 2019.

20.11.16

Manoel de Barros: "Uns homens estão silenciosos"




Se ainda estivesse vivo, o poeta Manoel de Barros teria feito 100 anos ontem. Por isso, Ana Clauda Guimarães, da coluna de Ancelmo Gois em O Globo, ontem pediu a mim e a alguns outros poetas que lhe enviassem alguns versos do autor da "Gramática expositiva do chão". Enviei-lhe o seguinte poema, do qual saiu hoje publicado um trecho: 



Uns homens estão silenciosos

Eu os vejo nas ruas quase que diariamente.
São uns homens devagar, são uns homens quase que misteriosos.
Eles estão esperando.
Às vezes procuram um lugar bem escondido para esperar.
Estão esperando um grande acontecimento.
E estão silenciosos diante do mundo, silenciosos.

Ah, mas como eles entendem as verdades
De seus infinitos segundos.



BARROS, Manoel de. "Uns homens estão silenciosos". In:_____. Poesia completa. Porto: Leya, 2010.