Mostrando postagens com marcador Maria Gabriela Llansol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria Gabriela Llansol. Mostrar todas as postagens

23.3.19

Paul Éluard: "Nusch": trad. por Maria Gabriela Llansol




Nusch

Os sentimentos aparentes
A leveza de abordagem
A cabeleira das carícias

Sem cuidados sem cuidar o mal
Teus olhos são entregues ao que vêem
Reflectidos por aquilo que olham

Confiança de cristal
Entre dois espelhos
De noite teus olhos extraviam-se
Para reunir ao desejo o despertar.






Nusch


Les sentiments apparents
La légèreté d’approche
La chevelure des caresses

Sans soucis sans soupçons
Tes yeux sont livrés à ce qu’ils voient
Vus par ce qu’ils regardent.

Confiance de cristal
Entre deux miroirs
La nuit tes yeux se perdent
Pour joindre l’éveil au désir.






ÉLUARD, Paul. "Nusch". In:_____. Derniers poèmes d'amour/Últimos poemas de amor. Trad. por Maria Gabriela Llansol. Lisboa: Relógio D'Água Editores, 2002.

11.11.17

Arthur Rimbaud: "Antique" / "Alta antiguidade": trad. de Maria Gabriela Llansol



Alta antiguidade

Gracioso filho de Pã! Em torno de tua fronte coroada de pequenas flores e bagas, teus olhos, esferas preciosas, irrequietos movem-se. Maculadas de borras castanhas, cavam-se as tuas faces. Teus dentes carnívoros brilham. Teu peito assemelha-se a uma cítara, campainhas sonoras correm-te pelos braços louros. O coração bate-te nesse ventre onde dorme o sexo macho e fêmea. Passeia-te à noite balançando docemente essa coxa, essa segunda coxa e essa perna esquerda.



Antique

Gracieux fils de Pan ! Autour de ton front couronné de fleurettes et de baies tes yeux, des boules précieuses, remuent. Tachées de lies brunes, tes joues se creusent. Tes crocs luisent. Ta poitrine ressemble à une cithare, des tintements circulent dans tes bras blonds. Ton cœur bat dans ce ventre où dort le double sexe. Promène-toi, la nuit, en mouvant doucement cette cuisse, cette seconde cuisse et cette jambe de gauche.




RIMBAUD, Arthur. "Antique" / "Alta antiguidade". In:_____: "Illuminations" / "Iluminações". In:_____. O rapaz raro. Iluminações e poemas. Trad. de Maria Gabriela Llansol. Lisboa: Relógio D'Água, 1998.

9.10.16

Paul Éluard: "Anneau de paix" / "Anel de paz": trad. Maria Gabriela Llansol




Anneau de paix

J'ai passé les portes du froid
Les portes de mon amertume
Pour venir embrasser tes lèvres

Ville réduite à notre chambre
Où l'absurde marée du mal
Laisse une écume rassurante

Anneau de paix je n'ai que toi
Tu me réapprends ce que c'est
Qu'un être humain quand je renonce

A savoir si j'ai des semblables.



Anel de paz

Passei as portas do frio
Pelas portas da minha amargura
Para vir beijar teus lábios

Cidade reduzida ao nosso quarto
Onde a absurda maré do mal
Deixa uma espuma tranquilizante

Anel de paz só te tenho a ti
Ensinas-me e volto a saber
O que é um ser humano e a desistir

De saber se tenho semelhantes.




ÉLUARD, Paul. "Anneau de paix" / "Anel de paz". Trad. por Maria Gabriela Llansol. In:_____. Últimos poemas de amor. / Derniers poèmes d'amour. Lisboa: Relógio d'Água, 2002