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30.8.19

André Frenaud: "Parade" / "Parada": trad. de Mário Laranjeira




Parada

Ele achou sua fonte,
Ele pôs pão na sopa,
Ele dormiu à mesa,
Ele saciou-se em sonho,
Ele botou um ovo,
Ele se aviva em cisma,
Ele se ativa em força,
Ele se acopla à lira,
Ele se cumpre em voto
Do sopro do Espírito.

Esse homem é um poeta.





Parade

Il a trouvé sa source,
Il a trempé sa soupe,
Il s’assoupit à table,
Il s’assouvit en rêve,
Il s’accroupit pour pondre,
Il s’avive à songer,
Il s’active à pousser,
Il s’accouple à la lyre,
Il s’accomplit par vœu
Du souffle de l’Esprit.

Cet homme est un poète.




FRÉNAUD, André. “Parade” / “Parada”. In: LARANJEIRA, Mário (org. e trad.). Poetas de França hoje: 1945-1995. Rio de Janeiro: São Paulo: Edusp, 1996. 

7.1.19

Alain Bosquet: "Le mot par le mot" / "Do verbo o verbo...": trad. por Mário Laranjeira



Do verbo o verbo...

É o poema em mim que escreve o meu poema,
do verbo o verbo se origina.
Ele é meu ocupante; e nem sei se me ama.
Quer a poesia, essa inquilina,

meu espaço vital gerir e, furibunda,
ralha: quem sabe estou errado.
Há de absolver-me um dia; em sua porção mais funda,
eu lhe preparo um melhor fado.

Faremos par feliz; há de a minha alegria 
vencer-lhe toda inquietação.
Os trêmulos detesta; a mim não cederia 
emprego algum: a narração,

nem a trama, ou a letra, ou mesmo a melodia, 
pois tudo quer decidir logo.
Meu cérebro retrai-se e a minha razào fria 
Não vale um dado posto em jogo.

Sou para o meu poema esqueleto ilusório;
numa mortalha ia melhor.
Ele é adulto, pode ser o promontório,
a ave, o azul e a tília em flor.

Nada mais a dizer, poeta; quieto assim
sonhando com sonhar eu vou.
Em si mesmo se pensa o poema, sem mim;
luxúria de que me privou.





Le mot par le mot

C'est le poème en moi qui écrit mon poème ;
Le mot par le mont engendré.
Il est mon occupant ; je ne sais pas s'il m'aime.
Mon locataire veut gérer

Mon espace vital et, de plus, il me gronde : 
peut-être suis-je dans mon tort. 
Il m'absoudra un jour ; en ses couches profondes, 
je lui prépare un meilleur sort.

Nous formerons un couple heureux ; mon allégresse 
aura raison de ses soucis. 
Il a horreur des trémolos ; il ne me laisse 
aucun emploi : ni le récit,

ni le déroulement, ni l'air, ni la musique
car il prétend tout décider. 
Mon cerveau se rétracte et ma pauvre logique 
vaut moins, dit-il, qu'un coup de dé.

Je suis pour mon poème un squelette inutile, 
qui ferait mieux dans un linceul. 
Il est adulte, il peut devenir la presqu'île, 
l'oiseau, l'azur et le tilleul.

Je n'ai plus rien à dire, Ô poète : en silence 
je rêve au défi de rêver. 
Mon poème sans moi en soi-même se pense, 
luxure dont il m'a privé.





BOSQUET, Alain. "Le mot par le mot" / "Do verbo o verbo...". In: LARANJEIRA, Mário (seleção, org. e trad.) Poetas de França hoje (1945-1995). São Paulo: EDUSP, 1996. 

21.4.09

Jean-Michel Maulpoix "La mer se mêle avec la mer" / "O mar mistura-se ao mar": Traduzido por Mário Laranjeira

.


O mar mistura-se ao mar
Mescla os seus laços, lagos, poças
Suas idéias de gaivotas e de espumas
Seus sonhos de algas e alcatrazes
Aos graves crisântemos azuis ao largo
Aos miosótis em tufos nos muros alvos das ilhas
Às equimoses do horizonte, aos faróis apagados
Aos sonhos do céu impenetrável.



La mer se mêle avec la mer
Mélange ses lacs et ses flaques
Ses idées de mouettes et d'écumes
Ses rêves d'algues et de cormorans
Aux lourds chrysanthèmes bleus du large
Aux myosotis en touffes sur les murs blancs des îles
Aux ecchymoses de l'horizon, aux phares éteints
Aux songes du ciel impénétrable



De: MAULPOIX, Jean-Michel. "La mer se mêle avec la mer". In: LARANJEIRA, Mário (seleção, tradução e introdução). Poetas de França hoje. São Paulo: Edusp / Fapesp, 1996.

21.1.09

Olivier Cadiot: "les roses" / "as rosas", trad. por Mário Laranjeira

.



as rosas
serão vermelhas
na escuridão?
pode-se pensar nas
rosas vermelhas
na escuridão



les roses
sont-elles rouges
dans l’obscurité?
on peut penser aux
roses rouges
dans l’obscurité



De: CADIOT, Olivier. In: Poetas de França hoje (1945-1995). Seleção, tradução e organização de Mário LARANJEIRA. São Paulo: Edusp, 1996.