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24.10.18

A popularidade de Bolsonaro: Freud explica...



Agradeço a meu amigo, o escritor Pedro Maciel, por me ter chamado a atenção para o seguinte texto de Freud, que parece estar a explicar a atual popularidade de Bolsonaro:



A massa é extraordinariamente influenciável e crédula, é acrítica, o improvável não existe para ela. Pensa em imagens que evocam umas às outras associativamente, como no indivíduo em estado de livre devaneio, e que não tem sua coincidência com a realidade medida por uma instância razoável. Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem incerteza.

Ela vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe de antipatia se torna um ódio selvagem.

Inclinada a todos os extremos, a massa também é excitada apenas por estímulos desmedidos. Quem quiser influir sobre ela, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com as imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma coisa.

Como a massa não tem dúvidas quanto ao que é verdadeiro ou falso, e tem consciência da sua enorme força, ela é, ao mesmo tempo, intolerante e crente na autoridade. Ela respeita a força, e deixa-se influenciar apenas moderadamente pela bondade, que para ela é uma espécie de fraqueza. O que ela exige de seus heróis é fortaleza, até mesmo violência. Quer ser dominada
e oprimida, quer temer os seus senhores. No fundo inteiramente conservadora, tem profunda aversão a todos os progressos e inovações, e ilimitada reverência pela tradição.



FREUD, Sigmundo. Psicologia das massas e análise do eu e outros textos (1920-1923). Trad. De Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.


20.11.16

Sophia de Mello Breyner Andresen: "Eu me perdi"




Agradeço ao meu querido amigo, o excelente escritor e artista plástico Pedro Maciel, por me ter chamado atenção para os seguinte poema da maravilhosa Sophia de Mello Breyner Andresen:




Eu me perdi


Eu me perdi na sordidez de um mundo
Onde era preciso ser
Policia agiota fariseu
Ou cocote

Eu me perdi na sordidez do mundo
Eu em salvei na limpidez da terra

Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar




ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. "Eu me perdi". In:_____. Obra poética. Edição: Carlos Mendes de Sousa. Alfragide: Editorial Caminho, 2011.