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29.10.19

Lançamento de "Melancolia", de Carlos Cardoso


Hoje é o lançamento em São Paulo do belo livro de poemas de Carlos Cardoso, Melancolia. Às 19h, Carlos Cardoso, Antonio Carlos Secchin e eu apresentaremos Melancolia, na Livraria da Vila.



1.9.19

Antonio Carlos Secchin: "Soneto veloz"




Soneto veloz

O poema sai correndo à minha frente,
desse jeito jamais vou segurá-lo.
Fingia estar aqui, mas de repente
se intrometeu no trote de um cavalo.

Na estrofe dois passou em disparada.
No espaço esvaziado eu arremeto
inútil rede, a recolher o nada:
o poema escapuliu deste quarteto.

Consigo enfim laçá-lo, ele se faz
inteiro e hostil, à minha revelia.
E se revela, súbito, capaz

de me livrar do laço que o prendia.
Livres nós dois, agora ele já fala
na voz que nasce quando o autor se cala.





SECCHIN, Antonio Carlos. "Soneto veloz". In:_____. Desdizer e antes. Rio de Janeiro: Topbooks, 2017.

23.8.18

Antonio Carlos Secchin: "Drummond; poesia e aporia"




Assistam à brlhante conferência do acadêmico Antonio Carlos Secchin intitulada "Drummond: poesia e aporia". Essa conferência, que teve lugar no teatro R. Magalhães, na ABL, no dia 16 do corrente, fez parte do ciclo de conferências "Cadeira 41", coordenado pela acadêmica Ana Maria Machado. Não tendo podido conduzir essa mesa por estar de viagem, Ana Maria pediu-me que a substituísse, o que fiz com prazer. 



5.4.18

Antonio Carlos Secchin: "Caetano Veloso: Londres e São Paulo"




Assistam à gravação da belíssima palestra do acadêmico Antonio Carlos Secchin, intitulada "Caetano Veloso: Londres e São Paulo", pronunciada na terça-feira passada, na ABL, como parte do ciclo de conferências "As cidades dos poetas":


22.1.18

Antonio Carlos Secchin: "Na antessala"



Na antessala

Espalhei dezoito heterônimos
em ruas do Rio e Lisboa.
Todos eles, se reunidos,
não valem um só de Pessoa.

Trancafiei-me num mosteiro,
esperando de Deus um dom.
O que Ele me deu foi pastiche
da poesia de Drummond.

Ressoa na minha gaveta
um comício de versos reles.
Em coro parecem dizer:
Não somos Cecília Meireles.

O desavisado leitor
não espere muito de mim.
O máximo, que mal consigo,
é chegar a Antonio Secchin.



SECCHIN, Antonio Carlos. "Na antesala". In:_____. Desdizer e antes. Rio de Janeiro: Topbooks, 2017.                                                

7.1.18

Antonio Carlos Secchin: "Autorretrato"



Autorretrato

               a Flávia Amparo

Um poeta nunca sabe
onde sua voz termina,
se é dele de fato a voz
que no seu nome se assina.
Nem sabe se a vida alheia
é seu pasto de rapina,
ou se o outro é que lhe invade,
numa voragem assassina.
Nenhum poeta conhece
esse motor que maquina
a explosão da coisa escrita
contra a crosta da rotina.
Entender inteiro o poeta
é bem malsinada sina:
quando o supomos em cena,
já vai sumindo na esquina,
entrando na contramão
do que o bom senso lhe ensina.
Por sob a zona da sombra,
navega em meio à neblina.
Sabe que nasce do escuro
a poesia que o ilumina.



SECCHIN, Antonio Carlos. "Autorretrato". In:_____. Desdizer. Rio de Janeiro: Topbooks, 2017.

22.10.17

Antonio Carlos Secchin: "Poema promíscuo"



Poema promíscuo

Disseram que voltei muito mecanizado,
com ritmo correto, muita rima rica,
que não tolero nada que não seja aquilo
que seja exatamente o que o Bilac dita.

Disseram que com a forma estou bem preocupado
e corre por aí, com a maior certeza,
que muito pouco vale tanta velharia
de alguém que ainda pensa em produzir beleza.

Não sei o que o futuro guarda de armadilha,
porém não vou ficar parado e prisioneiro
de quem, pajé pujante em sua antiga taba,
dali pretende governar o mundo inteiro.

Pra cima da poesia não vale esse veneno,
que já destila seu sabor de cianureto.
Enquanto a tribo grita "Por aí não passa",
passa um poema concreto ao lado de um soneto.



SECCHIN, Antonio Carlos. "Poema promíscuo". In:_____. Desdizer e antes. Rio de Janeiro: Topbooks, 2017.

12.9.17

Antonio Carlos Secchin: "A gaveta"



A gaveta

A gaveta está trancada,
a chave levou Maria.
Nela guardados os planos
de quem já fui algum dia?
Decerto aí também mora
a linha da pescaria
que mirou no meu futuro,
mas errou a pontaria.
Desconheço se ela abriga
alguma mercadoria
dispondo de mais valor
que um pardal na ventania.
Mas por que agora eu escuto
numa quase litania
as vozes que dela saem
e se engrossam em gritaria?
Chamo então um bom chaveiro
da Europa, Olinda ou Bahia,
para arrombar a gaveta,
pois lá do fundo eu traria
a chave de algum passado
que aprisionado me espia.
Chega um e chegam dez
chaveiros em romaria.
A gaveta a todos eles,
um por um, derrotaria.
São bem fracos contra a força
e a resistência bravia
que a tal fechadura impõe
frente a tal cavalaria.
Na madrugada, cansado
pela perdida porfia,
percebo voando no ar
uma dúbia melodia.
Provém daquela gaveta:
ela afinal me induzia
a entrar sem maior esforço,
já que a mim se entregaria,
e dentro de si guardava
peça de imensa valia;
eu agora nem de chave
nem de nada carecia.
Conseguiu me convencer
com voz bastante macia,
e, pronto para apossar-me
da mais pura pedraria,
abri-a com a mão amante
de quem pisa em joalheria.
O tesouro acumulado
era a gaveta vazia.
Dois insetos passeavam
sobre a superfície fria.



SECCHIN, Antonio Carlos. "A gaveta". In:_____. Desdizer. Rio de Janeiro: Topbooks, 2017.




18.5.17

Antonio Carlos Secchin: "A gaveta"



A gaveta

A gaveta está trancada,
a chave levou Maria.
Nela guardados os planos
de quem já fui algum dia?
Decerto aí também mora
a linha da pescaria
que mirou no meu futuro,
mas errou a pontaria.
Desconheço se ela abriga
alguma mercadoria
dispondo de mais valor
que um pardal na ventania.
Mas por que agora eu escuto
numa quase litania
as vozes que dela saem
e se engrossam em gritaria?
Chamo então um bom chaveiro
da Europa, Olinda ou Bahia,
para arrombar a gaveta,
pois lá do fundo eu traria
a chave de algum passado
que aprisionado me espia.
Chega um e chegam dez
chaveiros em romaria.
A gaveta a todos eles,
um por um, derrotaria.
São bem fracos contra a força
e a resistência bravia
que a tal fechadura impõe
frente a tal cavalaria.
Na madrugada, cansado
pela perdida porfia,
percebo voando no ar
uma dúbia melodia.
Provém daquela gaveta:
ela afinal me induzia
a entrar sem maior esforço,
já que a mim se entregaria,
e dentro de si guardava
peça de imensa valia;
eu agora nem de chave
nem de nada carecia.
Conseguiu me convencer
com voz bastante macia,
e, pronto para apossar-me
da mais pura pedraria,
abri-a com a mão amante
de quem pisa em joalheria.
O tesouro acumulado
era a gaveta vazia.
Dois insetos passeavam
sobre a superfície fria.



SECCHIN, Antonio Carlos. "A gaveta". In: Mallarmagens. Revista eletrônica de poesia e arte contemporânea. URL: http://www.mallarmargens.com/2017/05/a-c-secchin-ineditos.html?q=Secchin. Acessado em 17/05/2017.




8.6.16

Antonio Ventura: "A flauta mágica"




A flauta mágica

Ainda hoje procuro a flauta mágica.
Procuro-a nos rios, nas águas
cristalinas.

Até no suor das tempestades,
nas nuvens espessas,
procuro a flauta mágica.

Até na voz do povo,
no murmúrio de todas as gentes,
procuro a mágica flauta.

Até no sorriso da amada
e no grito timpânico
das máquinas, procuro a flauta mágica.

Na coragem do corajoso,
no sol que ilumina os dias
e no choro da criança, a flauta mágica.

Ainda hoje a procuro.
No voo livre dos pássaros
 e na garganta da sede, a flauta mágica.




VENTURA, Antonio. A educação pelo abismo. Poemas escolhidos de Antonio Ventura. Org. por Antonio Carlos Secchin. Rio de Janeiro: Topbooks, 2016.

30.7.15

OCUPAÇÃO POÉTICA DO TEATRO CÂNDIDO MENDES






OCUPAÇÃO POÉTICA – TEATRO CÂNDIDO MENDES

Divididos em três noites, seis importantes poetas – Adriano Espínola, Alex Varella, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cícero, Paulo Henriques Britto, Salgado Maranhão – lerão obras autorais, inéditas e consagradas, e também textos de outros poetas.

Coordenação: PAULO SABINO
Sexta-feira (31/07): ANTONIO CICERO & ALEX VARELLA
Sábado (01/08): SALGADO MARANHÃO & ADRIANO ESPÍNOLA
Domingo (02/08): ANTONIO CARLOS SECCHIN & PAULO HENRIQUES BRITTO

Horário: 20h
Entrada: R$ 5,00
Centro Cultural Cândido Mendes. End.: Joana Angélica, 63 – Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 
2523-3663.

30.10.14

Antonio Carlos Secchin: "É ele!"




É ele !

No Catumbi, montado a cavalo,
lá vai o antigo poeta
visitar o namorado.
Não leva flores, que rapazes
raro gostam de tais mimos.
Leva canções de amor e medo.
Cachoeiras de metáforas,
oceanos de anáforas, virgens a quilo.
Ao sair, deixa ao sono cego do parceiro
dois poemas, um cachimbo e um estilo.



SECCHIN, Antonio Carlos. Todos os ventos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

2.4.14

Antonio Carlos Secchin: "Sagitário"





Sagitário

Evite excessos na quarta-feira,
modere a voz, a gula, a ira.
Saturno conjugado a Vênus
abre portas de entrada
e armadilhas de saída.
Evite apostar em si, mas, se quiser,
jogue a ficha em número
próximo do zero. Evite acordar
o incêndio implícito de cada fósforo.
E quando nada mais tiver a evitar
evite todos os horóscopos.



SECCHIN, Antonio Carlos. Todos os ventos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

8.9.13

Antonio Carlos Secchin: Cisne






Cisne 

                                                    À memória de Cruz e Souza
                                                                       A Iaponan Soares


Vagueia, ondula, indomado e belo, 
um cisne insone em solitário canto. 
Caminha à margem com a plumagem negra, 
em meio a um bando de pombas atônitas. 

Encontra um outro, de alvacentas plumas, 
um ser sagrado no monte Parnaso, 
e enquanto o branco vai vencendo a bruma 
ele naufraga, bêbado de espaço. 

Em vão indaga, o olhar emparedado 
na vertigem da luz que o sol encerra: 
"Se em torno tudo é treva, tudo é nada, 

como sonhar azul em outra esfera?" 
Negro cisne sangrando em frente a um poço. 
Do alto, um Deus cruel cospe em seu rosto. 




SECCHIN, Antonio Carlos. Todos os ventos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

5.2.13

Antonio Carlos Secchin: "A Felipe Fortuna, na passagem de seus cinquent'anos"





No domingo passado, dia 3 de fevereiro, o poeta, crítico literário e diplomata Felipe Fortuna comemorou seu aniversário em almoço, no Restaurante Don Camillo, à Avenida Atlântica, ao lado de 50 amigos. Na ocasião, o poeta, crítico literário e acadêmico Antonio Carlos Secchin leu o seguinte, delicioso poema que compôs em homenagem ao aniversariante:




A Felipe Fortuna, na passagem de seus cinquent'anos


Cinquent´anos de Felipe.

Pra começo de conversa,

Nós gostamos muito dele

E achamos que vice-versa.



Sigamos o protocolo

Pertinente a este rito:

Muitas vozes de alegria,

Poucas doses de atrito.



Do talento em prosa e verso

Não há dúvida nenhuma.

O destino atribuiu

A Felipe uma fortuna.



No seu celeiro de musas,

Louise canta em -bemol,

Mas nenhuma se compara
                                             1
À graça de um Jovem Sol.



Brindemos, vinho e verdade,

O excelente anfitrião.

Merece passar de ano

Na escola da sedução.





1. “Jovem Sol” é a tradução portuguesa do nome da esposa coreana de Felipe Fortuna.









26.4.11

Antonio Carlos Secchin: "De chumbo eram somente dez soldados"




De chumbo eram somente dez soldados

De chumbo eram somente dez soldados,
plantados entre a Pérsia e o sono fundo,
e com certeza o espaço dessa mesa
era maior que o diâmetro do mundo.

Aconchego de montanhas matutinas
com degraus desenhados pelo vento;
mas na lisa planície da alegria
corre o rio feroz do esquecimento.

Meninos e manhãs, densas lembranças
que o tempo contamina até o osso,
fazendo da memória um balde cego

vazando no negrume de um poço.
Pouco a pouco vão sendo derrubados
as manhãs, os meninos e os soldados.


SECCHIN, Antonio Carlos. Todos os ventos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

9.11.10

Ricardo Silvestrin: "não quero mais de um poeta"

Li o seguinte poema de Ricardo Silvestrin no excelente livro que Antonio Carlos Secchin acaba de lançar, Memórias de um leitor de poesia, e não pude deixar de pescá-lo para os leitores deste blog:




não quero mais de um poeta

que a sua letra

palavra presa na página

borboleta

nem quero saber da sua vida

da verdade que nunca foi dita

mesmo por ele

que tudo que viveu duvida

não revirem a sua cova

o seu arquivo

é no seu livro que o poeta está enterrado

vivo.




SILVESTRIN, Ricardo. "não quero mais de um poeta". Palavra mágica. Porto Alegre: Massao Ohno, 1994.

SECCHIN, Antonio Carlos. Memórias de um leitor de poesia. Rio de Janeiro: Topbooks, 2010.