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24.1.15

Salvatore Quasimodo: "Ed è subito sera" / "E eis que o dia se encerra": trad. Nelson Ascher





Ed è subito sera

Ognuno sta solo sul cuor della terra
trafitto da un raggio di Sole:
ed è subito sera.




QUASIMODO, Salvatore. Tutte le poesie. Milano: Mondadori, 1969.



E eis que o dia se encerra

Cada qual se acha o centro e está só sobre a Terra
crivado de um raio de sol:
e eis que o dia se encerra.




Tradução: ASCHER, Nelson

15.8.13

Salvatore Quasimodo: "Già la pioggia è con noi" / "Já está conosco a chuva": trad. Geraldo Holanda Cavalcanti






Já está conosco a chuva

Já está conosco a chuva,
sacode o ar silencioso.
As andorinhas riscam as águas paradas
junto às lagoas lombardas,
voam como gaivotas catando peixes;
o feno cheira além do espaço das hortas.

Ainda um ano queimado,
sem um lamento, sem um grito
que inesperadamente vença um dia.




Già la pioggia è con noi

Già la pioggia è con noi,
scuote l’aria silenziosa.
Le rondini sfiorano le acque spente
presso i laghetti lombardi,
volano come gabbiani sui piccoli pesci;
il fieno odora oltre i recinti degli orti.

Ancora un anno è bruciato,
senza un lamento, senza un grido
levato a vincere d’improvviso un giorno.




QUASIMODO, Salvatore. Poesias. Edição bilingue. Seleção, tradução e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 1999.

23.8.12

Salvatore Quasimodo: "Specchio" / "Espelho": trad. Geraldo Holanda Cavalcanti




Espelho

E eis que do tronco
rompem-se os brotos:
um verde mais novo da relva
que o coração acalma:
o tronco parecia já morto,
vergado no barranco.

E tudo me sabe a milagre;
e eu sou aquela água de nuvens
que hoje reflecte nas poças
mais azul seu pedaço de céu,
aquele verde que se racha da casca
e que tampouco ontem à noite existia.


Specchio

Ed ecco sul tronco
Si rompono gemme:
un verde più nuovo dell’erba
che il cuore riposa:
il tronco pareva già morto,
piegato sul botro.

E tutto mi sa di miracolo;
e sono quell’acqua di nube
che oggi rispecchia nei fossi
più azzurro il suo pezzo di cielo,
quel verde che spacca la scorza
che pure stanotte non c’era.



QUASIMODO, Salvatore. Poesias. Seleção, trad. e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 1999.

16.12.11

Salvatore Quasimodo: "Dolore di cose che ignoro" / "Pena de coisas que nem sei": tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti




Pena de coisas que nem sei

Densa de brancas e de negras raízes
cheira a fermento e a vermes
a terra talhada d´água.

Pena de coisas que nem sei
em mim rebenta: não basta uma morte
se, escuta, mais vezes me pesa
no coração, com sua relva, um pedaço de terra.


Dolore di cose che ignoro

Fitta di bianche e di nere radici
di lievito odora e lombrichi;
tagliata dall’acque la terra.

Dolore di cose che ignoro
mi nasce: non basta una morte
se ecco più volte mi pesa
con l’erba, sul cuore, una zolla.



QUASIMODO, Salvatore. Poesias. Seleção, tradução e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 1999.

3.12.10

Salvatore Quasimodo: "S'ode ancora il mare" / "Ouve-se ainda o mar": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti





Ouve-se ainda o mar

Há muitas noites ouve-se ainda o mar
que, leve, sobe e desce a lisa areia.
Eco de uma voz na mente aprisionada
que do tempo remonta: e mesmo este
lamento assíduo de gaivotas: dos
pássaros das torres, talvez, que abril
impele para as campinas. Outrora,
comigo estavas aqui com tua voz;
e eu quisera que a ti também voltasse
de mim, agora, um eco de memória,
como esse escuro murmúrio de mar.


S'ode ancora il mare

Già da più notti s'ode ancora il mare,
lieve, su e giù, lungo le sabbie lisce.
Eco d'una voce chiusa nella mente
che risale dal tempo; ed anche questo
lamento assiduo di gabbiani: forse
d'uccelli delle torri, che l'aprile
sospinge verso la pianura. Già
m'eri vicina tu con quella voce;
ed io vorrei che pure a te venisse,
ora, di me un'eco di memoria,
come quel buio murmure di mare.



QUASIMODO, Salvatore. "Giorno dopo giorno". Poesias. Edição bilingue. Tradução de CAVALCANTI, Geraldo Holanda. Rio de Janeiro: Record, 1999.

12.5.08

Salvatore Quasimodo: "La muraglia" / "A amurada": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti

Poema de Salvatore Quasimodo; tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti:


La muraglia

E già sulla muraglia dello stadio,
tra gli spacchi e i ciuffi d’erba pensile,
le lucertole guizzano fulminee;
e la rana ritorna nelle rogge,
canto fermo alle mie notti lontane
dei paesi. Tu ricordi questo luogo
dove la grande stella salutava
il nostro arrivo d’ombre. O cara, quanto
tempo è sceso con le foglie dei pioppi,
quanto sangue nei fiumi della terra.



A amurada

E já na amurada do estádio,
entre fendas e tufos de erva pênsil,
as lagartixas correm como raios;
e a rã retorna às águas dos canais,
canto-chão das minhas noites distantes
de aldeia. Tu recordas este sítio
onde Vênus saudava nosso encontro
de sombras. Ó querida, quanto tempo
com as folhas dos álamos se foi,
quanto sangue pelos rios da terra.



De: QUASIMODO, Salvatore. Poesias. Edição bilingüe. Seleção, tradução e notas de Geraldo Holanda Cavalcanti. Rio de Janeiro: Record, 1999, p.142-43.

21.12.07

Salvatore Quasimodo: "Antico inverno" / "Antigo inverno": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti

Antico inverno

Desiderio delle tue mani chiare
nella penombra della fiamma:
sapevano di rovere e di rose;
di morte. Antico inverno.

Cercavano il miglio gli uccelli
ed erano subito di neve;
così le parole.
Un po’ di sole, una raggera d’angelo,
e poi la nebbia; e gli alberi,
e noi fatti d’aria al mattino.


Antigo inverno

Desejo de tuas mãos claras
na penumbra da chama;
sabiam a roble, a rosas;
a morte. Antigo inverno.

Buscavam milho os pássaros
e eram súbito de neve;
assim as palavras.
Um pouco de sol, um halo de anjo,
e logo a névoa; e as árvores,
e nós feitos de ar na manhã.


De: QUASIMODO, Salvatore. Poesias. Edição bilingüe. Prefácio de Luciana S. Picchio. Trad. de CAVALCANTI, Geraldo Holanda. Rio de Janeiro: Record, 1999, p.36-37.

15.9.07

Salvatore Quasimodo: "Ed è subito sera" / "E de repente é noite": trad. de Geraldo Holanda Cavalcanti




Ed è subito sera

Ognuno sta solo sul cuor della terra
trafitto da um raggio di sole:
ed è súbito sera.


E de repente é noite

Cada um está só no coração da terra
traspassado por um raio de sol:
e de repente é noite.


De: QUASIMODO, Salvatore. Poesias. Edição bilíngüe. Seleção, tradução e notas de CAVALCANTI, Geraldo Holanda. Prefácio de Luciana Stegagno Picchio. Rio de Janeiro: Record, 1999. P. 18-19.