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21.10.18

Adriano Espínola: "Meio-dia"



Meio-dia

Com o sol a pino, as sombras se encolhiam exíguas
(Ovídio, Met. III, 50)


sou 
eu
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ESPÍNOLA, Adriano. "Meio-dia". In:_____. Escritos ao sol. Antologia. Rio de Janeiro: Record, 2015.

30.1.17

Adriano Espínola: "'Lamas' -- bar e restaurante"




"Lamas" -- bar  e restaurante

                                           A Horácio Dídimo


À noite
todos os lépidos
são larápios,

todos os otários
são
notórios,

todas as lânguidas
são
lésbicas

todas as cópulas
são
cédulas,

todos os lúcidos
são
trágicos

todos os bêbados
são
sábios.



ESPÍNOLA, Adriano. "'Lamas' -- bar e restaurante". In:_____. O lote clandestino. Rio de Janeiro: Topbooks, 2002.


30.7.15

OCUPAÇÃO POÉTICA DO TEATRO CÂNDIDO MENDES






OCUPAÇÃO POÉTICA – TEATRO CÂNDIDO MENDES

Divididos em três noites, seis importantes poetas – Adriano Espínola, Alex Varella, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cícero, Paulo Henriques Britto, Salgado Maranhão – lerão obras autorais, inéditas e consagradas, e também textos de outros poetas.

Coordenação: PAULO SABINO
Sexta-feira (31/07): ANTONIO CICERO & ALEX VARELLA
Sábado (01/08): SALGADO MARANHÃO & ADRIANO ESPÍNOLA
Domingo (02/08): ANTONIO CARLOS SECCHIN & PAULO HENRIQUES BRITTO

Horário: 20h
Entrada: R$ 5,00
Centro Cultural Cândido Mendes. End.: Joana Angélica, 63 – Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 
2523-3663.

18.7.15

Adriano Espínola: "Atento"





Atento

Todos os dias,
batalho silenciosamente.

Ao respirar, busco ser o vento.
Ao caminhar, sou o caminho.
Ao sonhar, engendro o sonho do sonho,
delirante e consciente.
Ao pensar, penso o pensamento
e devagar o componho.
Ao realizá-lo, sou a realidade,
simplesmente.

Não há outra verdade
senão a que invento.




ESPÍNOLA, Adriano. "Lixeira". In:_____. "Praia provisória". In:_____. Escritos ao sol. Antologia. Rio de Janeiro: Record, 2015.

14.9.13

Adriano Espínola: "A rendeira"






A rendeira

Na teia da manhã que se desvela
a rendeira compõe seu labirinto,
movendo sem saber e por instinto
a rede dos instantes numa tela.
Ponto a ponto, paciente,tenta ela
traçar no branco linho mais distinto
a trama de um desenho tão sucinto
como a jornada humana se revela.
Em frente, o mar desfia a eternidade
noutra tela de espuma e esquecimento,
enquanto, entrelaçado, o pensamento
costura sobre o sonho a realidade.
Em que perdida tela mais extrema
foi tecida a rendeira e este poema?




ESPÍNOLA, Adriano. Beira-sol. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997. 

8.9.12

Adriano Espínola: "O prego"




O que mais dói não
é o retrato na parede,

mas o prego ali
cravado, persistente,

no centro da mancha
do quadro ausente.



ESPÍNOLA, Adriano. Praia provisória. Rio de Janeiro: Topbooks, 2005.

27.5.12

Adriano Espínola: "Caminha e repara"




Caminha e repara.
No mundo o mesmo segundo
que junta separa.
A sombra da amendoeira
varre o chão de sol e poeira.




ESPÍNOLA, Adriano. Trapézio. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2011.

13.1.12

Adriano Espínola: "Mar e claridade"





Mar e claridade.
Gaivotas traçam as rotas
do sol na cidade.
A manhã salta no cais.
Barcos partem ancestrais.





ESPÍNOLA. Adriano. Trapézio. Haicais/Tankas. Ilustrações: Geraldo Jesuíno. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2011.

10.7.09

Adriano Espínola: "A velha"

.


A velha

Esculpida em silêncio,
sentada e sábia,
fita o horizonte da mágoa.

Ao seu lado,
o mar murmura
as sílabas do ocaso.

Ó beleza antiga e súbita:
sobre o seu ombro
o instante se debruça,
iluminado.


De: ESPÍNOLA, Adriano. Beira-sol. Rio de Janeiro: Topbooks, 2007.

25.11.07

Adriano Espínola: Maramar

MARAMAR


Se tu queres amar,
procura logo o mar.

Ali enlaça o corpo
salgado noutro corpo.

No azul esquecimento
das águas, vai sedento

beber a luz da carne,
o gozo a pino e a tarde.

Tenta imitar a teia
das ondas e marés.

Dança na branca areia.
Outro será quem és.






De: ESPÍNOLA, Adriano. Praia provisória. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006, p.16.