Mostrando postagens com marcador Geraldo Carneiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geraldo Carneiro. Mostrar todas as postagens
26.11.19
29.1.19
William Shakespeare: "Sonnet 18" / "Soneto 18": trad. de Geraldo Carneiro
Soneto 18
Te comparar com um dia de verão?
Tu és mais temperada e adorável.
Vento balança em maio a flor-botão
E o império do verão não é durável.
O sol às vezes brilha com rigor,
Ou sua tez dourada é mais escura;
Toda beleza enfim perde o esplendor,
Por acaso ou descaso da Natura;
Mas teu verão nunca se apagará,
Perdendo a posse da beleza tua,
Nem a morte rirá por te ofuscar,
Se em versos imortais te perpetuas.
Enquanto alguém respire e veja e viva,
Viva este poema, e nele sobrevivas.
Sonnet 18
Shall I compare thee to a summer’s day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer’s lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimmed,
And every fair from fair sometime declines,
By chance, or nature’s changing course untrimmed:
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow’st,
Nor shall death brag thou wand’rest in his shade,
When in eternal lines to time thou grow’st,
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.
SHAKESPEARE, William. "Sonnet 18" / "Soneto 18". In:_____. O discurso do amor rasgado. Poemas, cenas e fragmentos de William Shakespeare. Trad. de Geraldo Carneiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.
Labels:
Geraldo Carneiro,
Poema,
William Shakespeare
21.11.18
Geraldo Carneiro: "bazar de espantos"
bazar de espantos
eu não tenho palavras, exceto duas
ou três que me acompanham desde sempre
desde que me desentendo por gente,
nas priscas eras em que era eu mesmo.
agora sou uma espécie de arremedo,
despido das minhas divinaturas.
já não me atrevo ao ego sum qui sum.
guardo entanto em meu bazar de espantos
a palavra esplendor, a palavra fúria,
às vezes até me arrisco à palavra amor,
mesmo sabendo por trás de suas plumas
a improvável semântica das brumas
o rastro irremediável de outro verso
ou quem sabe a sintaxe do universo.
CARNEIRO, Geraldo. "bazar de espantos". In:_____. Poemas reunidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira / Fundação Biblioteca Nacional, 2010.
Labels:
Geraldo Carneiro,
Poema
29.11.17
2.2.16
Geraldo Carneiro: "poesia épica"
poesia épica
às vezes, inimigo de mim mesmo,
lanço-me às feras, queimo meus navios,
declaro guerra a Troia ou a Cartago,
e acabo sempre por amor vencido
CARNEIRO, Geraldo. "poesia épica". In:_____. Subúrbios da galáxia: antologia poética. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
Labels:
Geraldo Carneiro,
Poema
11.7.15
Geraldo Carneiro: "A semântica das rosas"
A semântica das rosas
o signo rosa significa a rosa
a rosa em si mora no mundo
e é no fundo a flor da metaflora
que só floresce nos jardins suspensos de Platão
(assim, se não se sabe se uma pena
é uma pena ou é uma pena
também nunca se sabe se uma rosa
é uma rosa ou é somente a insígnia
o enigma ou a senha ou a metáfora
significando alguma outra rosa)
em suma, cada signo é uma ponte
entre a palavra, seu império
e cada rosa sempre indecifrada
em seu mistério
CARNEIRO, Geraldo. "A semântica das rosas". In:_____. novo panglossário. In:_____. lira dos cinquent'anos (1996-2002). In:_____. Poemas reunidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Nacional, 2010.
Labels:
Geraldo Carneiro
20.2.13
William Shakespeare: "Sonnet 76" / "Soneto 76": trad. Geraldo Carneiro
Soneto 76
Por que meu verso é sempre tão carente
De mutações e variação de temas?
Por que não olho as coisas do presente
Atrás de outras receitas e sistemas?
Por que só escrevo essa monotonia
Tão incapaz de produzir inventos
Que cada verso quase denuncia
Meu nome e seu lugar de nascimento?
Pois saiba, amor, só escrevo a seu respeito
E sobre o amor, são meus únicos temas.
E assim vou refazendo o que foi feito,
Reinventando as palavras do poema.
Como o sol, novo e velho a cada dia,
O meu amor rediz o que dizia.
Sonnet 76
Why is my verse so barren of new pride,
So far from variation or quick change?
Why with the time do I not glance aside
To new-found methods, and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
And keep invention in a noted weed,
That every word doth almost tell my name,
Showing their birth, and where they did proceed?
O know sweet love I always write of you,
And you and love are still my argument;
So all my best is dressing old words new,
Spending again what is already spent:
For as the sun is daily new and old,
So is my love still telling what is told.
SHAKESPEARE, William. "Sonnet 76". In: CARNEIRO, Geraldo (trad. e org.). O discurso do amor rasgado. Poemas, cenas e fragmentos de William Shakespeare. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.
Labels:
Geraldo Carneiro,
William Shakespeare
11.11.10
Geraldo Carneiro: "a outra voz"
a outra voz
não adianta, nada neste mundo
pertence a ti, nem essa ínfima parte
que te compete recifrar em arte.
só é teu o circo das desilusões,
o canto das sereias, o naufrágio
no qual perdeu-se a vida, o rumo, a nave,
a memória da ilha em que viveste
o ato inaugural da tua odisséia.
Penélope esgarçou-se em muitas faces,
e mesmo a guerra, com seus alaridos,
só sobrevive nas versões dos bardos.
não há mais ilha, nem há mais princípio:
teu principado é só imaginário.
CARNEIRO, Geraldo. "Balada do impostor". Poemas reunidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.
Labels:
Geraldo Carneiro,
Poema
Assinar:
Postagens (Atom)
