[Não te vejo]
Não te vejo. Bem sei
que estás aqui, atrás
de uma frágil parede
de ladrilhos e cal, bem ao alcance
da minha voz, se chamasse.
Mas não chamarei.
Chamarei amanhã,
quando, ao não te ver mais
imagine que continuas
aqui perto, ao meu lado,
e que basta hoje a voz
que ontem eu não quis dar.
Amanhã... quando estiveres
lá atrás de uma
frágil parede de ventos,
de céus e de anos.
[No te veo]
No te veo. Bien sé
que estás aquí, detrás
de una frágil pared
de ladrillos y cal, bien al alcance
de mi voz, si llamara.
Pero no llamaré.
Te llamaré mañana,
cuando, al no verte ya
me imagine que sigues
aqui cerca, a mi lado,
y que basta hoy la voz
que ayer no quise dar.
Mañana... cuando estés
allá detrás de una
frágil pared de vientos,
de cielos y de años.
De: SALINAS, Pedro. Poesias completas. Madrid: Aguilar, 1961.
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12.10.08
1.5.08
Pedro Salinas: "El zumo / O sumo"
Pedro Salinas
El zumo
¡Tan visible está el secreto!
¡Tan alegre,
Tan alegre,
colgando al aire!
Le ven todas las mirada,
y le sopesan los vientos;
los chiquillos le conocen
y gritan: "Mirad, un secreto.
¡Dámelo! Si parece una naranja."
Pero el secreto defiende,
invisible amarga almendra,
su mañana, su secreto
mayor, dentro.
Lo que da son disimulos,
redondos, color, rebrillo,
solución fácil, naranja,
a la mirada y al viento.
O sumo
Tão visível está o segredo!
Tão alegre,
suspenso no ar!
Vêem-no todos os olhares
E o sopesam os ventos;
Os miúdos o conhecem
e gritam: “Olha, um segredo.
Me dá! Parece uma laranja.”
Mas o segredo defende,
invisível amarga amêndoa,
sua manhã, seu segredo
maior, dentro.
O que dá são dissímulos,
redondeza, cor, rebrilho,
solução fácil, laranja,
tanto ao olhar quanto ao vento.
El zumo
¡Tan visible está el secreto!
¡Tan alegre,
Tan alegre,
colgando al aire!
Le ven todas las mirada,
y le sopesan los vientos;
los chiquillos le conocen
y gritan: "Mirad, un secreto.
¡Dámelo! Si parece una naranja."
Pero el secreto defiende,
invisible amarga almendra,
su mañana, su secreto
mayor, dentro.
Lo que da son disimulos,
redondos, color, rebrillo,
solución fácil, naranja,
a la mirada y al viento.
O sumo
Tão visível está o segredo!
Tão alegre,
suspenso no ar!
Vêem-no todos os olhares
E o sopesam os ventos;
Os miúdos o conhecem
e gritam: “Olha, um segredo.
Me dá! Parece uma laranja.”
Mas o segredo defende,
invisível amarga amêndoa,
sua manhã, seu segredo
maior, dentro.
O que dá são dissímulos,
redondeza, cor, rebrilho,
solução fácil, laranja,
tanto ao olhar quanto ao vento.
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