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12.10.08

Pedro Salinas: "[No te veo]" / "[Não te vejo]

[Não te vejo]

Não te vejo. Bem sei
que estás aqui, atrás
de uma frágil parede
de ladrilhos e cal, bem ao alcance
da minha voz, se chamasse.
Mas não chamarei.
Chamarei amanhã,
quando, ao não te ver mais
imagine que continuas
aqui perto, ao meu lado,
e que basta hoje a voz
que ontem eu não quis dar.
Amanhã... quando estiveres
lá atrás de uma
frágil parede de ventos,
de céus e de anos.


[No te veo]

No te veo. Bien sé
que estás aquí, detrás
de una frágil pared
de ladrillos y cal, bien al alcance
de mi voz, si llamara.
Pero no llamaré.
Te llamaré mañana,
cuando, al no verte ya
me imagine que sigues
aqui cerca, a mi lado,
y que basta hoy la voz
que ayer no quise dar.
Mañana... cuando estés
allá detrás de una
frágil pared de vientos,
de cielos y de años.



De: SALINAS, Pedro. Poesias completas. Madrid: Aguilar, 1961.

1.5.08

Pedro Salinas: "El zumo / O sumo"

Pedro Salinas


El zumo

¡Tan visible está el secreto!
¡Tan alegre,
Tan alegre,
colgando al aire!
Le ven todas las mirada,
y le sopesan los vientos;
los chiquillos le conocen
y gritan: "Mirad, un secreto.
¡Dámelo! Si parece una naranja."

Pero el secreto defiende,
invisible amarga almendra,
su mañana, su secreto
mayor, dentro.
Lo que da son disimulos,
redondos, color, rebrillo,
solución fácil, naranja,
a la mirada y al viento.



O sumo

Tão visível está o segredo!
Tão alegre,
suspenso no ar!
Vêem-no todos os olhares
E o sopesam os ventos;
Os miúdos o conhecem
e gritam: “Olha, um segredo.
Me dá! Parece uma laranja.”

Mas o segredo defende,
invisível amarga amêndoa,
sua manhã, seu segredo
maior, dentro.
O que dá são dissímulos,
redondeza, cor, rebrilho,
solução fácil, laranja,
tanto ao olhar quanto ao vento.