20.7.17

Stefan George: "Komm in den totgesagten park und schau" / "Vem ao parque tido por morto e admira": trad. por Eduardo de Campos Valadares



Vem ao parque tido por morto e admira:
O vislumbre de praias sorridentes ·
O súbito azul na nuvem conspira
Ilumina ilha e trilha iridescentes.

Lá toma o cinza · o amarelo vívido
Do arbusto e bétula · o ar é tépido ·
A rosa tardia ainda floresce ·
Beija a eleita e uma coroa tece ·

A última gérbera não esqueças ·
A púrpura no silvestre sarmento ·
Também o resto de verde ornamento
Nessa outonal face te reconheças.





Komm in den totgesagten park und schau:
Der schimmer ferner lächelnder gestade
Der reinen wolken unverhofftes blau
Erhellt die weiher und die bunten pfade

Dort nimm das tiefe gelb · das weiche grau
Von birken und von buchs · der wind ist lau ·
Die späten rosen welkten noch nicht ganz ·
Erlese küsse sie und flicht den kranz ·

Vergiss auch diese lezten astern nicht ·
Den purpur um die ranken wilder reben ·
Und auch was übrig blieb von grünem leben
Verwinde leicht im herbstlichen gesicht.



GEORGE, Stefan. "Komm in den totgesagten park und schau" / "Vem ao parque tido por morto e admira". Trad. por Eduardo de Campos Valadares. In:_____. Crepúsculo. São Paulo: Iluminuras, 2000.


18.7.17

Antonio Cicero nos "Encontros de Interrogação"



Em 2014, fui convidado por Heloísa Buarque de Hollanda e Lourival Holanda para participar da série de conferências anualmente promovida pelo Itau Cultural com o nome de “Encontros de Interrogação”. O tema era a poesia. Eis a gravação de alguns momentos desse “Encontro”:



16.7.17

João Bandeira: "Se a vida insiste em complicar"



Se a vida insiste em complicar
tua existência
dispensa que ela se explique



BANDEIRA, João. "Se a vida insiste em complicar". In:_____. Quem quando queira. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

13.7.17

Sophia de Mello Breyner Andresen: "Meio-dia"


Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.
O sol no alto, fundo, enorme, aberto,
Tornou o céu de todo o deus deserto.
A luz cai implacável como um castigo.
Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso solitário e antigo,
Parece bater palmas.



ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. "Meio-dia". In:_____. "Poesia". In:_____. Obra poética. Org. por Carlos Mendes de Sousa. Alfragide: Editorial Caminho, 2011.


12.7.17

Poemas de Antonio Cicero no site "A Vida Breve"



Gostei de saber que o site português "A Vida Breve" está a transmitir a gravação de dois poemas meus: "Diamante" (do livro Porventura) e "Dilema" (do livro Guardar). Encontram-se aqui:

https://www.rtp.pt/play/p1109/e297851/a-vida-breve

11.7.17

Margarida Patriota: "Penumbrismo"



Penumbrismo

Nem trevas, nem luz
Nem gelo, nem lava
Trégua no campo das bravatas
Cessar fogo nas trincheiras da Luta

Penumbra, loção neutra
Banho morno benfazejo
Aplaca a pele que ontem ardeu
E há de arder amanhã

Faze esquecer que no futuro
Hostes rivais
Da tradição e da ruptura
Retomarão hostilidades

Extremas



PATRIOTA, Margarida. "Penumbrismo". In:_____. Laminário. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2017.

9.7.17

Hölderlin: "Da ich ein Knabe war..." / "Quando era menino": trad. de Paulo Quintela


Quando era menino...

   Quando era menino,
      Salvou-me um deus muita vez
        Da gritaria e dos açoites dos homens,
           E então brincava seguro e bem
             Com as flores do bosque,
                E as brisas do céu
                  Brincavam comigo.

E assim como alegras
O coração das plantas,
Quando elas te estendem
Os braços tenros,

Assim me alegraste o coração,
Pai Hélios! e, como Endymion,
Era eu o teu amado,
Lua sagrada!

Ó vós todos, fiéis,
Amigos deuses!
Se vós soubésseis
Como a minha alma vos amou!

É verdade que então vos não chamava
Ainda pelos nomes, e vós também
Nunca me nomeáveis, como os homens se nomeiam,
Como se se conhecessem.

Mas conhecia-vos melhor
Do que jamais conheci os homens;
Entendia o silêncio do Éter;
Palavras dos homens nunca as entendi.

A mim criou-me a harmonia
Do bosque sussurrante
E aprendi a amar
Entre as flores.
Foi nos braços dos deuses que eu cresci.



Da ich ein Knabe war...

    Da ich ein Knabe war,
      Rettet' ein Gott mich oft
        Vom Geschrei und der Rute der Menschen,
          Da spielt ich sicher und gut
            Mit den Blumen des Hains,
              Und die Lüftchen des Himmels
                Spielten mit mir.

    Und wie du das Herz
    Der Pflanzen erfreust,
    Wenn sie entgegen dir
    Die zarten Arme strecken,

    So hast du mein Herz erfreut,
    Vater Helios! und, wie Endymion,
    War ich dein Liebling,
    Heilige Luna!

    O all ihr treuen
    Freundlichen Götter!
    Daß ihr wüßtet,
    Wie euch meine Seele geliebt!

    Zwar damals rief ich noch nicht
Euch mit Namen, auch ihr
    Nanntet mich nie, wie die Menschen sich nennen,
    Als kennten sie sich.

    Doch kannt ich euch besser,
    Als ich je die Menschen gekannt,
    Ich verstand die Stille des Aethers,
    Der Menschen Worte verstand ich nie.

    Mich erzog der Wohllaut
    Des säuselnden Hains
    Und lieben lernt ich
    Unter den Blumen.

    Im Arme der Götter wuchs ich groß.


HÖLDERLIN, Friedrich. "Da ich ein Knabe war..." / "Quando era menino...". In_____. Hölderlin: poemas. Org. e trad. de Paulo Quintela. Coimbra: Atlântida, 1959.