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24.2.17

Paulo Leminski: "Razão de ser"




Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?



LEMINSKI, Paulo. "Razão de ser". In:_____. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

30.10.16

Paulo Leminski: "Sossegue coração"




Sossegue coração

Sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa



LEMINSKI, Paulo. "Sossegue coração". In: MORAES, Eliane Robert (org.).Antologia da poesia erótica brasileira. Cotia: Ateliê, 2015.

11.3.15

José Castello: "Os sapatos de Leminski"



Gostei muito do artigo do José Castello intitulado "Os sapatos de Leminski". Ele se encontra aqui: http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/posts/2015/03/11/os-sapatos-de-leminski-562309.asp.  

8.4.12

Paulo Leminski: "quando eu tiver setenta anos"





quando eu tiver setenta anos


quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência.




LEMINSKI, Paulo. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1985.

30.8.11

Paulo Leminski: "Leite, leitura"





Leite, leitura

letras, literatura,
   tudo o que passa,
tudo o que dura
   tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
   tudo,tudo,tudo
não passa de caricatura
   de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura



LEMINSKI, Paulo. O ex-estranho. São Paulo: Iluminuras, 1996.

8.12.10

Paulo Leminski: "Blade Runner Waltz"

Blade Runner Waltz

Em mil novecentos e oitenta e sempre,
ah, que tempos aqueles,
dançamos ao luar, ao som da valsa
A Perfeição do Amor Através da Dor e da
                                        [Renúncia,
nome, confesso, um pouco longo,
mas os tempos, aquele tempo,
ah, não se faz mais tempo
como antigamente
Aquilo sim é que eram horas,
dias enormes, semanas anos, minutos milênios,
e toda aquela fortuna em tempo
a gente gastava em bobagens,
amar, sonhar, dançar ao som da valsa,
aquelas falsas valsas de tão imenso nome lento
que a gente dançava em algum setembro
daqueles mil novecentos e oitenta e sempre.



LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991.

10.4.10

Paulo Leminski: "Sinfonia para pressa e presságio"




Sinfonia para pressa e presságio

          Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
          na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
          Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
          do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
          que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

          Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
          e não cabe mais na sala.



LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991.

7.11.09

Paulo Leminski: "Amor bastante"





AMOR BASTANTE

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você
caminhando junto



LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991.

15.7.08

Paulo Leminski: "Adeus, coisas que nunca tive"





De: LEMINSKI, Paulo. Distraídos venceremos. São Paulo: Brasiliense, 1987.

24.6.08

Paulo Leminski: "O náufrago náugrafo"

Em homenagem ao meu querido amigo, o poeta Paulo Roberto Sabino Júnior, cujo aniversário é hoje, publico um dos seus poemas favoritos.