22.9.09
Juan Ramón Jiménez: "Poesia"
Poesia
Veio, primeiro, pura,
vestida de inocência.
E a amei como um menino.
Logo se foi vestindo
de não sei que roupagens.
E a fui odiando sem o saber.
Chegou a ser uma rainha,
fastuosa de tesouros...
Que iracúndia de fel e sem sentido!
...Mas se foi desnudando.
E eu lhe sorria.
Ficou com a túnica
de sua inocência antiga.
Acreditei de novo nela.
E tirou a túnica
e apareceu toda nua...
Oh paixão de minha vida, poesia
nua, minha para sempre!
Poesía
Vino, primero, pura,
vestida de inocencia.
Y la amé como un niño.
Luego se fue vistiendo
de no sé qué ropajes.
Y la fui odiando sin saberlo.
Llegó a ser una reina,
fastuosa de tesoros...
¡Qué iracundia de yel y sin sentido!
...Mas se fue desnudando.
Y yo le sonreía.
Se quedó con la túnica
de su inocencia antigua.
Creí de nuevo en ella.
Y se quitó la túnica
y apareció desnuda toda...
¡Oh pasión de mi vida, poesía
desnuda, mía para siempre!
JIMÉNEZ, Juan Ramón. Eternidades. Buenso Aires: Losada, 1957.
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4 comentários:
começou o dia, nessa tarde triste e chuvosa de São Paulo...
Cícero,
Muito bonito.
Mas acho que ela jamais aparece toda nua.
Abraço,
JR.
João Ramón Jimenez é muito bom.Acabo de ler Platero y yo.Pura poesia.
Maravilha de poema, gosto de poesia assim, despida, isenta, essência, ótima a sacação do Juan Ramón, acho que todos poetas sentem bastante isso que ele disse. Grande abraço.
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