15.5.07

Hölderlin: Buonaparte

Em comentário ao poema “Sócrates e Alcibíades”, j.c.p. citou outro poema de Hölderlin, o “Buonaparte”. Como eu já o havia traduzido para o meu ensaio sobre Hölderlin, intitulado “O destino do homem” (in Poetas que pensaram o mundo. Org. p. Adauto Novaes. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p.225-268), publico-o aqui:




Buonaparte

Vasos sagrados são os poetas
Em que o vinho da vida, o espírito
Dos heróis se preserva,

Mas o espírito desse jovem,
O rápido, não explodiria
O vaso que tentasse contê-lo?

Que o poeta o largue intacto como o espírito da [natureza,
Em tal matéria torna-se aprendiz o mestre.

No poema ele não pode viver e ficar:
Ele vive e fica no mundo.




Buonaparte

Heilige Gefäße sind die Dichter,
Worin des Lebens Wein, der Geist
Der Helden, sich aufbewahrt,

Aber der Geist dieses Jünglings,
Der schnelle, müßt er es nicht zersprengen,
Wo es ihn fassen wollte, das Gefäß?

Der Dichter laß ihn unberührt wie den Geist der Natur,
An solchem Stoffe wird zum Knaben der Meister.

Er kann im Gedichte nicht leben und bleiben,
Er lebt und bleibt in der Welt.



HÖLDERLIN, F. „Buonaparte“. In: Sämtliche Werke und Briefe.Vol.1. München: Carl Hanser Verlag, 1970, p.217.

3 comentários:

Hudson Pereira disse...

Me pareceu ao ler este poema,que todos os poetas escrevem porque estão tão cheios de vida q mal cabem-se em si.O vaso é o corpo,a explosão,é a escrita.

miguel disse...

www.myspace.com/freakoutmuzik
poesias e noises

Paulinho disse...

adorei os poemas, cicero!

a minha proposta de vida é estar sempre com os poros abertos, absorvendo o que posso da existência, o que é profundamente vivaz, o que "realmente" interessa. pois há muito de divino no real. o que é jovem, seja a alma, seja o corpo, seja o que for, está longe da morte, ainda que ela chegue, inopinadamente. como escreveu arnaldo antunes, em parceria com péricles cavalcante, "no meio do caminho dessa vida/ estamos todos no meio".

eu estou no meio, sempre, porque não perco de foco a minha jovialidade, o sol - que pode cegar, mas que, acima de tudo & todos, ilumina -, o que há de juventude, o que se re-nova em mim.

tudo supimpa, poeta porreta!

a sua página, antonio cicero (a cobra do meu paraíso - rs), é um salto mortal, vital, sobre a cidade, a burrice e o mal.

graças!

grande beijo, lindeza!
sucesso sempre!