1.10.10

Giuseppe Ungaretti: "Casa mia" / "Minha casa": trad. Sérgio Wax




Casa mia

Sorpresa
dopo tanto
d'un amore

Credevo di averlo sparpagliato
per il mondo



Minha casa

Depois de tanto tempo
surpresa
dum amor

Achava que o havia espalhado
pelo mundo



UNGARETTI, Giuseppe. A alegria / L'allegria. Edição bilingue. Tradução de Sérgio Wax. Belém: CEJUP, 1992.

6 comentários:

Letícia disse...

Que poema lindo!
Que delicadeza!

nydia bonetti disse...

Ando espalhada... :) Que lindo este poema.

FTB disse...

Caro Cícero,

posso estar equivocado, mas acredito haver outra possibilidade de tradução desse belo poema. É que no original a "sorpresa" pode não estar tão ligada a "d'un amore" quanto sugere a versão em português (e o fato de haver, no original, um verso entre essas palavras me parece reforçar essa interpretação...). "Dopo tanto d'un amore" poderia significar: depois de muito (tempo, intensidade, sacrifício, empenho?) desse (por esse) amor. E a surpresa ocorreria justamente porque, apesar disso, esse amor pelo qual tanto fiz não se havia espalhado pelo mundo.
Se estou correto, a primeira estrofe poderia ficar assim:

Surpresa
após tanto
de (a, por?) um amor
(...)

É como se houvesse dois pontos(:)depois da palavra "surpresa", a qual seria, então, "explicada" nos versos seguintes.

Seria possível isso ou falei muita bobagem?

Ainda outro reparo refere-se à tradução de "sparpagliato" cuja sonoridade ampla funciona, por si só, como alusão a seu significado. Embora não tenhamos realmente um equivalente a isso em português, o verbo "espalhar" me parece um pouco redutor e pobre. Talvez preferisse "alastrado" em seu lugar. A presença insistente do "a" se aproxima mais do original, apesar de a palavra ser menos corriqueira.

Desculpe-me a petulância. Nunca traduzi poesia. Tudo isso foi só uma sensação originada do meu interesse pelo italiano e de algo que a sensibilidade me disse. Posso estar redondamente enganado. O lado bom é que, se assim fosse, posso ter lhe dado o ensejo para falar um pouquinho sobre o assunto.

Um abraço,
Flavio.

paulo sabino (paulinho) disse...

amore mio!

há quanto tempo não venho aqui!

mas é que os textos pro meu blogue + trabalho + leituras de livros + vida social (rs) não me têm deixado muito tempo para ler e deixar os longos comentários que adorava escrever.

de qualquer modo, sempre pinto na área pra ler os textos.

esse poema é muito delicado!, muito comovente!, nos efeitos (arroubo de sentimento) causados em nós, efeitos alcançados pela força das imagens, singelas (delicadas) e fortes.

maravilha os versos, meu poetósofo de primeira!

beijo GRANDE!

Alcione disse...

Tenda

Armei a minha tenda
Com três paus de bambu
Por cima uma lona
Sinistra
Mas é bom esse lugar
Lugar nenhum
Singular lar
À beira mar
Bandeira, sereia
Tão bom, tudo de bom
E uma praia à vista!

carmen silvia presotto disse...

Ungaretti em sua leveza de poetar, remexe com nosso lar, com nossa alma.

Obrigada por este poema.