4.10.10

Marcelo Diniz: "Tudo se faz de forma assim tão vária"




Tudo se faz de forma assim tão vária


Tudo se faz de forma assim tão vária
a nunca ser o mesmo que se escreve;
escreve-se porque falar é breve
e, eterna, a lavra quer-se abecedária;

tudo se faz, portanto, involuntária
e cautelosamente, como deve
quem deseja dotar o que é mais leve
de concisão sutil tão necessária;

por que se passe a limpo o repetido
para gravar o travo do que é dito
fixo na cifra e nítido no lido;

faz-se todo, finito após finito
a fim de, a cada surto do sortido,
somar-se ao infinito um outro escrito.

12 comentários:

fred girauta disse...

PQP, lindíssimo!
marcelo e o soneto foram feitos um para o outro, é caso sério...

cícero, você não poderia ter escolhido complemento poético mais perfeito ao seu belo texto.

abraço aos dois.

Ana Cristina Penov disse...

Lindo texto e lindo poema. Adorei

Bárbara disse...

Belíssimo poema! Genial. Marcelo Diniz é um ótimo poeta e professor (leciona no Colégio Pedro II, ou estou me confundindo?)
Voltarei aqui para encontrar a resposta para essa dúvida minha.
Obrigada. E parabéns pela escolha do poema!

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


belo poema do Marcelo! Bravo!


Abraço fraterno,
A. Nunes.

Nobile José disse...

precisa-se


o que me traz aqui pra tc
não tem fim

ontem votei no vazio

não deu pra ver se era
sangue ou rosa ou
brio

a fala manjada regou o manjar dos deuses

mas o texto ficou ralo
e para o ralo seguiu

sombrio

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


Um poema novo:

"explicitamente a vida do verso"


entre vãs ideias, a palavra se
perde. mais uma vez, o que se ganha
com a façanha senão tal barganha
dos sentidos? talvez, extravase

explicitamente a vida do verso
na alva folha, dispersa, nua quase
cartão-postal... diáspora em fase
final: entre as ideias, um caos diverso!

tudo em volta vem à tona - catarse
de fins-formas, alarmada lagarta
pronta para voar, por estar farta
de regras. dessas regras , por cansar-se.


Abração,
Adriano Nunes.

Aldemar Norek disse...

Que alegria encontrar este soneto do Marcelo aqui! O trançado do som e do sentido, da forma e do conteúdo chegou no ponto da vertigem. Abraço!

Anônimo disse...

Grato e surpreso de estar aqui.
Sim, Bárbara, eu estou no Pedro II e, salvo engano, você assistiu à aula minha sobre poesia visual...

Grato a todos pelos comentários.

Marcelo Diniz

João Renato disse...

Cícero,
Tenho lido na internet alguns sonetos do Marcelo Diniz, e o que mais aprecio é que eles (assim como os do Carlos Pena Filho) fluem muito naturalmente, parecendo que nem estão na forma soneto.
Abraço,
JR

Roberto Bozzetti disse...

Fique o registro: eu que há tanto tempo acompanho o passar a limpo do Marcelo Diniz em seus sonetos sei que quando finalmente se resolver a publicá-los em livro teremos oportunidade de ler um dos melhores livros de poesia já editados no Brasil. E mais: o Girauta sintetizou com perfeição: o Marcelo e o soneto foram feitos um para o outro. Assino

joao chaui disse...

Lindo Poema. Mágico lê-lo depois do texto. parabéns a ambos, marcelo e antônio

betina moraes disse...

observador,

um momento especial,
texto e soneto casaram-se!

professor marcelo,

parabéns!

abraços, aos dois.