18.5.09

Horácio: Ode I.11

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Não interrogues, não é lícito saber a mim ou a ti
que fim os deuses darão, Leucônoe. Nem tentes
os cálculos babilônicos. Antes aceitar o que for,
quer muitos invernos nos conceda Júpiter, quer este último
apenas, que ora despedaça o mar Tirreno contra as pedras
vulcânicas. Sábia, decanta os vinhos, e para um breve espaço de tempo
poda a esperança longa. Enquanto conversamos terá fugido despeitada
a hora: colhe o dia, minimamente crédula no porvir.



Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques, et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

5 comentários:

Aetano disse...

Que beleeeeeza!!!!

Bem-agradecido!

Aeta.

ADRIANO NUNES disse...

CICERO,

Ótimo! Essa sua diversidade me encanta!

Um poema sem pretensão, mas pensado!

"TRADUÇÃO"



Não me importo
Com seus tópicos,
Os destroços
Da razão,
Esse trópico,
Esse câncer,
Os tropeços
Do meu corpo,
Com os outros,
Com sentidos.
Sou só vão.


Não me prenda
Ao seu tempo,
Feito trapo
Espalhado
Pelo chão,
Feito trova,
Trololó,
Feito máquina,
Sem miolo,
Sem trabalho,
Sem sinapse.


Não me crie
Nessa treva,
Assim triste,
Quase em transe,
Distorcido,
Deprimido,
Sem um verso,
Não me faça
Viver só
De vontades,
De façanhas.


Não me cubra
Com as vestes
Da desculpa,
Com as folhas
Do fracasso,
Com os véus
Desse nexo
Apoplético,
Não me trate
Feito vômito,
Feito fezes.


Não me expulse
Do meu sexo,
Da alegria,
Sem remédio,
Desse sonho,
Sem retrato,
Desse fado,
Sem sossego,
Desse fim,
Sem começo,
Sem palavras.


Não me estrague
O porvir,
O poema,
Não me trace
Com a régua
Dos acasos,
Com o lápis
Dos descasos,
Não me espreite
À socapa:
Tenho alma.



Abraço forte!
Adriano Nunes.

Marcello Jardim disse...

Cícero,
O carpe diem visto assim em seu contexto original me parece falar mais de ética do que de um hedonismo fácil. Penso que, ao ver e discernir aquilo que vê, Horácio não deixa de estar em meio às incertezas e ao caótico fluxo dos desejos, mas é justo daí que parece extrair, com serenidade e simplicidade(corajosa), a direção do seu agir. Não há nisto uma intensa aproximação entre ética e estética?,
Abraço

Jefferson Bessa disse...

Muito bom!!! DELICIOSO!!

Valeu, caro Cícero.

Um abraço.

paulinho disse...

lindo mesmo, cicero!

essas linhas imprimiram, em mim, uma sensação de serenidade para com a vida, para com o porvir.

é como se dissessem a mim (as linhas): "deixe estar; viva minimamente com alguma fé no futuro, porém, o mais importante é o que se tem em mãos hoje, agora, neste instante. não nos preocupemos tanto com o porvir. o amanhã, reservemos ao amanhã."

texto belo belo belo. como você.

beijo bom e terno.