11.10.09

Os ilhéus




Ouçam meu poema "Os ilhéus", na voz de Arthur Nogueira:









Os ilhéus

Uma sombra pode vir do céu,
imponderável como as nuvens
e cair no dia feito um véu
ou a tampa de um ataúde.
E nada impede que se afundem
neo-Atlântidas e arranha-céus
ou que nossas cidades-luzes
submersas se tornem mausoléus.
Em arquipélagos, os ilhéus
pisarão ruínas ao lume
do mar, maravilhados e incréus
e devotados a insolúveis
questões, espuma, areia, fúteis
e ardentes caminhadas ao léu.



CICERO, Antonio. A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002, e Póvoa de Varzim: Quasi, 2006.

10 comentários:

Mariano disse...

Ficou bonito!

P.S.:e sim, a tragédia nos espreita sempre, sem drama.

http://fogomaduro.blogspot.com disse...

Caro Antonio Cícero,

Belo o poema, excelente a leitura.

Arthur Nogueira disse...

Querido Cicero,

que surpresa ver/ouvir "Os ilhéus" aqui, na minha voz, em gravação tão despretensiosa - confesso que fico acanhado. Mas o poema é belo e você é o máximo, muito obrigado.

Beijo grande.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


Seu poema é uma obra-prima. Belíssimo e com uma técnica comum a poucos. Que bom vê-lo aqui! Quando você postará um outro inédito? Estamos todos ansiosos!

A leitura do Arthur está linda!



Abraço grande,
Adriano Nunes.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

Um poema novo (todos esses meus poemas ainda são rondonienses, pois ainda me encontro em Porto Velho):


"Dita diversa" - Para Flávio Côrrea de Mello



Nem todo dia,
Sou como sou.
Vivo do voo
Do verso, via

Diversa, dita
Dispersa, festa
Em mim, desta
Forma infinita.

Às vezes, sonho
Tocar o céu.
(Folhas ao léu,

Em branco?) Ponho-o
No que componho:
Fico sem véu.






Grande abraço,
Adriano Nunes.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


No soneto "dita diversa" eu engoli a palavra "Feita" antes de "em mim". Senão o verso ficaria só com três sílabas poéticas ao invés de quatro, como eu pretendia!



Abraço grande,
Adriano Nunes.

paulinho (paulo sabino) disse...

poema maravilhoso, leitura maravilhosa, tudo uma maravilha!

beijo grande em você e no arthur!

Fernando Campanella disse...

Muito bonito o poema, Cícero, o poema traz o frescor de um paraíso perdido/imaginado. O mundo secreto onde habita a alma dos artistas, dos poetas. Muito bonita também a leitura da gravação.
Grande abraço.

Lupo Lobato disse...

maravilhosos seres-ilhéus!

Aetano disse...

O poema e a leitura são do caralho!!!

Cicero é um bruxo iluminista... [rs]

Aeta