Ouçam meu poema "Os ilhéus", na voz de Arthur Nogueira:
Os ilhéus
Uma sombra pode vir do céu,
imponderável como as nuvens
e cair no dia feito um véu
ou a tampa de um ataúde.
E nada impede que se afundem
neo-Atlântidas e arranha-céus
ou que nossas cidades-luzes
submersas se tornem mausoléus.
Em arquipélagos, os ilhéus
pisarão ruínas ao lume
do mar, maravilhados e incréus
e devotados a insolúveis
questões, espuma, areia, fúteis
e ardentes caminhadas ao léu.
CICERO, Antonio. A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002, e Póvoa de Varzim: Quasi, 2006.
10 comentários:
Ficou bonito!
P.S.:e sim, a tragédia nos espreita sempre, sem drama.
Caro Antonio Cícero,
Belo o poema, excelente a leitura.
Querido Cicero,
que surpresa ver/ouvir "Os ilhéus" aqui, na minha voz, em gravação tão despretensiosa - confesso que fico acanhado. Mas o poema é belo e você é o máximo, muito obrigado.
Beijo grande.
Cicero,
Seu poema é uma obra-prima. Belíssimo e com uma técnica comum a poucos. Que bom vê-lo aqui! Quando você postará um outro inédito? Estamos todos ansiosos!
A leitura do Arthur está linda!
Abraço grande,
Adriano Nunes.
Cicero,
Um poema novo (todos esses meus poemas ainda são rondonienses, pois ainda me encontro em Porto Velho):
"Dita diversa" - Para Flávio Côrrea de Mello
Nem todo dia,
Sou como sou.
Vivo do voo
Do verso, via
Diversa, dita
Dispersa, festa
Em mim, desta
Forma infinita.
Às vezes, sonho
Tocar o céu.
(Folhas ao léu,
Em branco?) Ponho-o
No que componho:
Fico sem véu.
Grande abraço,
Adriano Nunes.
Cicero,
No soneto "dita diversa" eu engoli a palavra "Feita" antes de "em mim". Senão o verso ficaria só com três sílabas poéticas ao invés de quatro, como eu pretendia!
Abraço grande,
Adriano Nunes.
poema maravilhoso, leitura maravilhosa, tudo uma maravilha!
beijo grande em você e no arthur!
Muito bonito o poema, Cícero, o poema traz o frescor de um paraíso perdido/imaginado. O mundo secreto onde habita a alma dos artistas, dos poetas. Muito bonita também a leitura da gravação.
Grande abraço.
maravilhosos seres-ilhéus!
O poema e a leitura são do caralho!!!
Cicero é um bruxo iluminista... [rs]
Aeta
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