6.10.08

Fernando Pessoa: poema 165 do "Cancioneiro"

Agradeço ao Edson Dognaldo Gil por nos ter lembrado a seguinte maravilha de Fernando Pessoa:



Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguêm
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar



De: PESSOA, Fernando. "Cancioneiro". In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.

17 comentários:

paulinho disse...

porra, este poema é lindo demais! aliás, o que no pessoa não é lindo em demasia?

beijo!

QUEFAÇOCOMOQUENÃOFAÇO disse...

PARA VOCÊ QUE TANTO ADMIRO E AMO:



Fernando Pessoa
Cancioneiro

Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!


ADRIANO NUNES, MACEIÓ/AL.

QUEFAÇOCOMOQUENÃOFAÇO disse...

MENINO LINDO,



FELIZ ANIVERSÁRIO! TODA LUZ DO MUNDO PARA VOCÊ! SUCESSO SEMPRE!



FIZ UMA HOMENAGEM EM MEU BLOG PARA VOCÊ POR CAUSA DO SEU DIA! SE POSSÍVEL PASSE LÁ!! É UM PRESENTE SIMPLES, MAS PUS A MINHA ALMA NELE!



ADRIANO NUNES, MACEIÓ/AL.

Luiz disse...

Prezado Antonio, penso que Fernando Pessoa era um filósofo- psicólogo que escrevia genialmente. É a única forma que consigo explicar tanta percepção !

Anyway, conheci seu blog muito recentemente e tardiamente, por isso venho quase todos os dias matar a sede. Grande abraço

Antonio Cicero disse...

Adriano,

nem sei como agradecer. O poema é lindo.

Abraço grande

Nina Araujo disse...

Esses poetas belos que nos povoam enchem o meu jeito autodidata de escrever em verso ou prosa.Eu sou encantada com Pessoa e com pessoas como voce!!!
(abaixo eu conto um pouquinho de mim, nem sera preciso publicar apenas anote o endereço do meu blog e me veja...Adoro-te e nao e de hoje...)

O Pedacim de Chão de Meu Pai

Bendito pau de arara que trouxe meu pai do agreste paraibano, para ser servente de pedreiro no prédio que ele ajudou a construir para depois virar porteiro e constituir a família que ele tanto quis! Dois filhos lhe vieram de uma mãe gaúcha conhecida no terceiro passeio que fizera ao Cristo Redentor. Um virou músico, que toca agora lá no céu, e esta que ora escreve cismou de ser poeta, dessas que fala com gosto da terra de seu pai…

-Se meu pai fosse pistoleiro eu conhecia uma arma minha filha! Teu pai sendo porteiro, tu tens que saber trocar carrapeta, que conversa é essa de não vou ? ele me diz.

-Ah,pai, isso é coisa chata! Me conte uns causos de lá do sertão que eu gosto mais…

-Sim, eu conto e tu aprendes, feito? perguntou.

-Pronto! Está feito!

Cinqüenta anos de serviços prestados cuidando o patrimônio dos outros muito bem, dirigir ele nunca soube nada, só tirou carteira achando que manobrava bem. O dia em que comprou o fusquinha branco ano 70 foi muito temeroso, sua direção era como um “martelo agalopado” (quem é cordelista sabe do que falo), foram duas alegrias: ver o carro comprado e um mês depois vê-lo vendido.

Mas ontem, com a ajuda dele depois de muito papo e duas long necks fizemos esta toada aqui, minha mãe até que gostou dessa vez…

Pedacim de chão
Se arrodeio muito in fora,

Fico inté desleriado

O meu canto é um umbuzeiro

Supricano o meu sertão

Tem quem faz rodagem grandi

Em riba dum caminhão

Garra o mundo todo e vorta

Mode morrer no torrão

Eu num largo o leito seco

Desse rio pertim de casa

Nem ingá que tá florada

Neste pedacim de chão

Cum a fulô de aroeira

Assobio e vivo prosa

Baraúna tem de tosa

Dando graça nos quinhão

Macaxeira chama a enxada

Pra enchê uns dez balaio

Numa jura santa eu máio

Inté que chova o feijão

Tem quem fale que tá brabo

Que a labuta é cara e seca.

Que se meta lá nos raios

Pra dançá xote cum o cão

Nesse gaio eu num vou não

Só vou bater com as biela

Neste meu solinho santo

Que aqui deixo meu pranto

Nunca ao gosto do fregueis

Sendo pra morrê de bruto

Eu só morro é dando fruto

Caducano e germinando

Onde minha mãe me feiz…

Nina Araújo

http://imaginosapoesia.blogspot.com/

QUEFAÇOCOMOQUENÃOFAÇO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Antonio Cicero disse...

Belo poema, Adriano.
Abraço

betina moraes disse...

pensador,

gratificante!

permita-me comentar a respeito de um post anterior.

não visitava seu blog desde a semana que passou, minha última leitura foi do post referente a sua excelente entrevista.

acontece que estava com os dedos agitados para lhe pedir que, como filósofo e pensador atuante, você, se pudesse, se houvesse tempo e interesse, comentasse a respeito do INÉDITO FATO de um candidato ter chegado ao segundo turno com uma votação significativa sem ter SUJADO, ULTRAJADO, EMPORCALHADO, a cidade do rio de janeiro, usando apenas o odiado horário eleitoral gratuito.

não havia no dia da eleição um único papel no chão onde fosse lido o nome de Gabeira!

desde já digo que Gabeira sempre foi meu candidato, seja para qual cargo for. tenho admiração antiga por ele, acompanho a carreira política, as idéias, o sucesso da filha como espetacular surfista de ondas gigantes, mas acho que o que houve na eleição para prefeito do rio é algo singular e que representa um grande acontecimento social e eu gostaria muitíssimo de ver registrado o fato pelos olhos atentos de um pensamento filosófico. de preferência, o seu!

então, chego aqui e vejo que seu candidato também é o Gabeira e que você naturalmente, deve ter ficado feliz por ele ter sido tão elegante, superior e mostrado de forma surpreendente como pode existir uma política limpa e como existe uma população que clama por claridade.

quanto ao crivado-crivella, a coisa é bem pior do que pode parecer, basta ler o absurdo e assustador livro do senhor macedo "Plano de Poder – Deus, os cristãos e a política"
um verdadeiro pesadelo!

fico muito feliz por encontrar uma defesa tão bonita de pensamento e liberdade aqui no seu blog,


um grande abraço!

ps: que belo poema do também Fernando, o Pessoa.

betina.

betina moraes disse...

aniversário?

felicidades *Antônio Cícero*!

um beijo,
betina

Luiz disse...

Prezado Cícero. É necessário me corrigir quando disse: "penso que Fernando Pessoa era um filósofo- psicólogo que escrevia genialmente." O que diz dizer, em verdade, é que Pessoa é para mim um mistério. Como alguém numa vida tão curta, passando por tantas mudanças, desde tão cedo, consegue produzir prosa e verso com tal intensidade de conhecimento da essência do ser humano. Pessoa é um fenômeno, um gênio, que devia ter dentro de si, no sentido nato, uma percepção da vida que só filósofos-poetas conseguem ter. Grande abraço

Antonio Cicero disse...

Duas vezes obrigado, Betina.
Beijo

Lucas Nicolato disse...

Caro Antonio,

Muito belo poema, e o mostrado pelo adriano tb. O Pessoa sempre me toca de uma forma especial (e acho que a muitas outras pessoas também.
Lembram-me de minhas primeiras leituras de poesia, na "poesia completa" do pessoa da biblioteca dos meus pais.

Visitá-lo sempre me rende belas surpresas.

um abraço,
lucas

QUEFAÇOCOMOQUENÃOFAÇO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Nicolato disse...

Antonio,

Seu aniversário foi há pouco? Meus parabéns!!! Desejo a você muita felicidade e muitos anos de vida para prosseguir com sua poesia, filosofia e toda sua simpatia.

um abraço,
Lucas

Lucas Nicolato disse...

Adriano,


Muitissimo obrigado pelo lindo poema que dedicou a mim e ao Antonio Cicero. Acho que você acertou em cheio sobre o Pessoa. Fico sem palavras para agradecer seu gesto - fiquemos com as do poeta!

grande abraço,
Lucas

Antonio Cicero disse...

Muito obrigado, Lucas.