9.6.14

Rainer Maria Rilke: "Der König" / "O rei": trad. Augusto de Campos





O Rei

O rei tem só dezesseis anos e
já é o Estado.
Como de uma emboscada, vê,
por entre os velhos do Senado,

a sala, de olhos fitos muito além,
e talvez sinta apenas o frio
do colar de ouro que mantém
sob o queixo longo, duro e esguio.

A sentença de morte à sua frente
há longo tempo aguarda sem
seu nome. Pensam: "Como se tortura..."

Mal sabem que ele simplesmente
conta, devagar, até cem
antes de apor a assinatura.



Der König

Der König ist sechzehn Jahre alt.
Sechzehn Jahre und schon der Staat.
Er schaut, wie aus einem Hinterhalt,
vorbei an den Greisen vom Rat

in den Saal hinein und irgendwohin
und fühlt vielleicht nur dies:
an dem schmalen langen harten Kinn
die kalte Kette vom Vlies.

Das Todesurteil vor ihm bleibt
lang ohne Namenszug.
Und sie denken: wie er sich quält.

Sie wüßten, kennten sie ihn genug,
daß er nur langsam bis siebzig zählt
eh er es unterschreibt.



RILKE, Rainer Maria. In: CAMPOS, Augusto de. "Neue Gedichte - I" / "Novos poemas - I". Trad. Augusto de Campos. In:_____. Coisas e anjos de Rilke. São Paulo: Perspectiva, 2013.

3 comentários:

Erick Monteiro Moraes disse...

RILKE: ROI

Roi: l'homme qui un instant
s'arrête sous une couronne,
toit qui attire la foudre

Anônimo disse...

Uma saudação especial ao maior (na minha opinião) tradutor da poesia brasileira: Augusto de Campos.

E Rilke! Evoé!

Nobile José disse...

"Os xingamentos, procedentes da área vip, onde se situa gente abastada e conservadora, evidenciam apenas o boçalidade e a truculência que é o reverso da medalha do nosso futebol, assim como a inferioridade civilizatória do brasileiro em relação aos outros povos. Escreveu, certa vez, Fernando Pessoa: “a estupidez achou sempre o que quis». Como se viu, até os candidatos de oposição tiveram a desfaçatez de se rejubilarem com os palavrões espúrios. Pois eu lhes digo. VIVA DILMA. VAIA AOS VIPS.
AUGUSTO DE CAMPOS”

http://www.blogdogusmao.com.br/v1/2014/06/17/folha-usa-viva-vaia-em-texto-sobre-ofensas-contra-dilma-poeta-critica/