16.11.13

Johannes Bobrowski: "Ebene" / "Planície": trad. Antonio Cicero




Planície

Lago.
O lago.
Afundadas
as bordas. Sob as nuvens
o grou. Branco, iluminando
milênios
de povos pastores. Com o vento

eu ia subindo a montanha.
Aqui viverei. Caçador
eu era, mas me agarrou
a grama.

Ensina-me a falar, grama,
ensina-me a ficar morto e a escutar,
longamente, e a falar, pedra,
ensina-me a ficar, água,
e vento, não me interrogues.



Ebene
See.
Der See.
Versunken
die Ufer. Unter der Wolke
der Kranich. Weiß, aufleuchtend
der Hirtenvölker
Jahrtausende. Mit dem Wind

kam ich herauf den Berg.
Hier werd ich leben. Ein Jäger
war ich, einfing mich
aber das Gras.

Lehr mich reden, Gras,
lehr mich tot sein und hören,
lange, und reden, Stein,
lehr du mich bleiben, Wasser,
frag mir, und Wind, nicht nach.




BOBROWSKI, Johannes. Schattenland Ströme. Stuttgart: Deutsche Verlags-Anstalt, 1963.

4 comentários:

Diogo Henrique Duarte de Parra disse...

Antonio, onde encontrar mais poemas desse autor em português?

Obrigado por compartilhar.

Antonio Cicero disse...

Caro Diogo,

confesso que não sei nem se há outros poemas dele em português. Deve haver, mas não sei onde.

Abraço

Diogo Henrique Duarte de Parra disse...

Obrigado pela resposta, Antonio.

Um abraço.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

grato por publicar esse belo poema e por traduzi-lo.


Abraço forte,
Adriano Nunes