21.11.13

Erick Monteiro Moraes: "PRIMAVERA-VERÃO" / Adriano Nunes: Sobre 'PRIMAVERA-VERÃO', de Erick Monteiro Moraes



Abaixo, o leitor encontrará um poema que o Erick Monteiro Moraes enviou para o blog e um comentário sobre esse poema, que me foi enviado pelo Adriano Nunes:


Poema do Erick:


PRIMAVERA-VERÃO

Sentir o frescor
domesticado das pétalas
do ventilador.



Comentário do Adriano:


o poema do Erick é bastante belo, por vários motivos: sintético, por ser uma haicai, obedece à métrica 5/7/5, dá-nos a imagem de duas estações ao mesmo tempo: primavera (pétalas) e verão ( ventilador). Mas a mágica se dá pela escolha das palavras. Veja que "primavera" começa com "P" assim como "pétala". "Verão" começa com "V" assim como "ventilador". A palavra "domesticado" tem um sentido brilhante: o fato de o ventilador ser controlado, ter velocidade controlada, as pétalas girarem sob comando. Quando a gente tira certas flores, como margaridas em que a haste verde e a coroa de pétalas amarelas formam uma hélice, brincamos , muitas vezes, de girá-las. Pois é. É um pequeno grande poema. Desses que acontecem poucas vezes. Não sou fã de haicais, mas não posso deixar de dizer que fiquei impressionado com a beleza desse poema.




3 comentários:

Erick Monteiro Moraes disse...

Caro Cicero,

obrigado! Fico muito contente em ver um poema meu aqui. Estou ainda mais grato ao Adriano, que fez uma excelente análise! Isso porque um bom poeta é, antes de tudo, um bom leitor.

ps. Adriano, confesso que também não sou muito fã de haikais.

Grande abraço!

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

obrigado.Sempre atencioso e generoso! Erick, obrigado por suas palavras.


Abraçaço,
Adriano Nunes

Marcio Renato disse...

Achei outra coisa interessante também: o poema alterna passagens mais fortes e marcadas ("Sentir o frescor" e "das pétalas") com outras mais suaves, espaçadas ("domesticado" e "do ventilador"). E, isso, por duas vezes (o primeiro verso tem um ritmo marcado; o segundo é metade suave e metade marcado; o último é, novamente, mais suave). Em suma, o ritmo do poema sugere uma certa circularidade... como um ventilador girando!