3.3.10

Mário Quintana: "Do amoroso esquecimento"




Do amoroso esquecimento

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?




QUINTANA, Mário. Espelho mágico. Porto Alegre: Editora do Globo, 1951.

13 comentários:

Paulo Henrique disse...

pena ser uma lembrança atrasada.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


Gosto muito de Quintana. Há uns dez anos fiz um poema intitulado "Quinta anáfora" em que lhe presto uma homenagem. Vê-lo aqui em seu blog é gratificante: poesia, humor e amor - Que alegria!

Grande abraço,
Adriano Nunes.

fred girauta disse...

Tem uma frase do Thomas Mann que diz mais ou menos: "escritor é aquele cara que tem mais dificuldade de escrever do que os outros".
O Quintana parece contrariar essa tese. Dá a impressão de que tudo brota com uma tremenda espontaneidade.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


Tem um poema dele que eu acho arrebatador:

"Dos milagres"


O milagre não é dar vida ao corpo extinto,

Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...

Nem mudar água pura em vinho tinto...

Milagre é acreditarem nisso tudo!




Grande abraço,
Adriano Nunes.

Paulo Henrique disse...

"Afinal, a cada vez que nos lembramos de algo, quer queira, quer não, transformamos nosso passado" (CALLIGARIS, "Lembranças e brigas, FOLHA DE SÃO PAULO, 4/3/2010).

Alcione disse...

Não tenho memória
Não tenho lembranças
Nunca parti
E conforme os dias passam
E em noites se entrelaçam
Fico a olhar, extasiado
O teu rosto tão amado
no deserto meu ser flutua
No não-ser que aparece
Feito uma escultura

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

Vim novamente pelo encanto do poema. Vim postar aqui o poema que fiz para Quintana. Lembra que entre 1993 e 1994 - creio eu - a Editora Globo lançou uma agenda, um diário, com poemas curtos do Mário Quintana? Pois é, adquiri-a e foi um marco em minha vida...Escrevia nela sem parar!


"Quinta anáfora" 06/05/1994 Macei ó/AL às 10h07min.


O mar diário
O mar e o rio
adentro, fora
ardendo agora
quinta anáfora.


Adriano Nunes.

paulinho (paulo sabino) disse...

das linhas surpreendentes que a quitanda do quintana tem a oferecer...

este poema é lindo!! nem há muito o que falar, pois ele consegue dizer tudo tão clara-mente...

beijO!

Nobile José disse...

Cícero,

Vc e sua pinça mágica a nos presentear com "achados imperdívies" da língua portuguesa.

Renovas meu elã!

Bj

betina moraes disse...

observador,

o quintana é o rei da delicadeza. tudo o que ele escreveu se aproxima muito de um mundo doce e cheio de perdão. deus e o anjo da guarda na visão de quintana se transformam em personagens muito próximos de nossa compreensão, por exemplo.

eu já reservo um sorriso quando sei que a poesia é dele.
já reparou? sempre sorrimos ao final de um verso de quintana.

ele é um poeta especial.

um beijo.

CECILE PETROVISK disse...

Antonio,


Que maravilhoso poema! Aproveito e também pergunto: quando veremos no Acontecimentos um poema de Jorge de Lima?

Um poema recente:


"Lamúrias lidas"


Eu te deixei,
Amor,
Bem mas feliz
Do que eu
Possa supor.

Eu te entreguei,
Meu bem,
Toda alegria
Que nem
Deus ousaria.

Tudo que fiz,
Rapaz,
Não foi capaz
De unir
As nossas vidas.

Pois bem: que são
As queixas
(Por que me deixas?)
Senão
Lamúrias lidas?



Bejos,
Cecile.

Ana Cristina Penov disse...

Segue poema de Manuel Bendeira:

A mario Quintana

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares,
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas e luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares,
Quer no horror dos lupanares,
Cheiram sempre os teus cantares.

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.

lillian disse...

Cícero,


obrigada pelo pedido atendido. Me abriu um imenso sorriso a atenção e a poesia.

Um beijo.