13.3.10

António Ramos Rosa: "Quase se disse quase"




Quase se disse quase


Quase se disse quase
sobre os joelhos sob os muros
quase os dedos no murmúrio lento
quase na ferida a ferida lábio e língua

e foram dois na muralha sem cavalos
folha a folha deitados sob a sombra
e o verde crespo do sexo na boca
o esplendor obscuro entre as pernas claras

e foram um só na pedra branca
pela língua interior da terra e da folhagem




ROSA, António Ramos. As marcas no deserto. Lisboa: & Etc, 1978.

7 comentários:

Jefferson Bessa disse...

Que belo poema! A sensualidade certeira vibra...

Adorei a leitura. Ramos Rosa deliciando sempre ;-)

Abraços.

Jefferson.

Paulo Henrique disse...

"quase que é como um fio de vida entre o pensante e o pensado"

Carolina Platero, aqui mesmo, tempos atrás...

betina moraes disse...

observador,


sou cativa de antónio ramos rosa, por poemas assim e para sempre!


belo verso, grande post!

um beijo.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

Belo poema!

Um poema novo meu:


"Esta noite" - Para W. Rodrigues.



Esta noite. Ou nenhuma
Outra. Loucura
Sem igual.
O amor é mais forte?
Que me importa
Saber?

Uma dose ou todas
Aquelas lembranças?
Tudo gira. Céu,
Carrossel, vitrola,
Roleta-russa,
Ciranda.

Ninguém precisa ouvir
Meu grito
Ou compreender nada.
Pensei até em chorar.
Gravidade?
Gratidão...

Outrora lágrimas
E chantagem sem graça
Alguma. Alegria
É poder revelar
O meu coração.
Satisfeito?



Grande abraço,
Adiano Nunes.

Alcione disse...

Entre as encostas
Pelas madrugadas solitárias
Quase sinto o seu perfume
Quase ouço sua voz
Quase vejo o teu lume
Minto, perco-me no labirinto
A um passo de ti
Alguns quasares, lugares
Empresto do mar algumas ondas
Que me levem
Para onde seja a poesia
Nosso pão de cada dia.

Pedra do Sertão disse...

Um quase com jeito de tarefa cumprida!

paulinho (paulo sabino) disse...

DELÍCIA, ADOREI!!

muito sensual, muito libidinoso, provocante, tudo de bom!!

beijú, anjú!!