18.10.07

Oswald de Andrade: Relógio

Relógio

As coisas vão
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão

5 comentários:

paulinho disse...

sim,

as coisas vêm e as coisas vão, as coisas vão e as coisas vêm; não em vão.

(as coisas têm: peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido.

as coisas não têm: paz.)

o poema "relógio" me pareceu um lindo "exercício lúdico", como escreveu drummond a respeito de algumas das suas poesias. a utilização de palavras com sonoridade e letras consemelhantes sugere o tal exercício, um brincar poético.

beijoca, criatura linda com saberes que me interessam!

Léo disse...

Muito do concretismo está aí, só que com mais ritmo, uma vez que os modernistas, ao abolirem a rima e as cesuras obrigatórias, a métrica e tudo o mais, tiveram que manter o ritmo como sustentáculo do poema. Porrêta, Cícero. A idéia pendular do relógio, uma espécie de onomatopéia imagética...está tudo aí.

Capedonte disse...

Belíssimo poema. Agrada-me aqueles que conseguem ser assim curtos e com poucas palavras em cada verso, sonoros e ainda dizerem tanto.

paulo de toledo disse...

ritmo espacial e icônico.
é legal compará-lo com o "com som / sem som" do augusto, p. ex.
abração

Caetano disse...

as coisas não existem.