21.3.11

Salgado Maranhão: A cor da palavra




A cor da palavra

Poeta é o que esplende
a labareda entranhada
                              ao rugir
das pequenas agonias.

Assim se erguem
(em meio ao tropel dos dias)
as cidades da memória:
contêineres feitos de gestos,
palavras incendidas de milagres;

assim se alumbra o coração
em seu charco de prímulas:

este atol que atou-me
à borda do deserto e ao sangue
em que partilho
estas horas carnívoras,

tangido a barlavento
por minhas perdidas ítacas.



MARANHÃO, Salgado. "Tear de prismas". A cor da palavra. Rio de Janeiro: Imago: Fundação Biblioteca Nacional, 2009.

7 comentários:

Dalva Maria Ferreira disse...

Complicado, complicado... É ir além do gostar ou não gostar, do entender e do não entender. Poesia tem disso.

bia reinach disse...

Gostaria de saber se você vai dar um outro curso sobre leitura de poesia e onde.
Meu e-mail, caso não queira responder através do blog, é biareinach@hotmail.com
Obrigada
beatriz

Antonio Cicero disse...

Bia,

amanhá começo a dar um curso na UERJ; em junho, vou dar um no POP, também no Rio. É possivel que em setembro eu dê um curso no B_arco, em São Paulo.

ipaco disse...

Salgado Maranhão é uma das melhores vozes dessa geração. Abs.

bia reinach disse...

Obrigada.

Alcione disse...

Coração

Lá adiante
Perto da fronteira
Mais distante
O olhar descreve uma curva
Ligeiro movimento
Que o leva como as velas
Porto, cais
Que vem e que vão
Semelhante a quando estou diante
Dessa coisa única
Diversa e imprecisa
Ébrio e em ebulição
Chamado coração.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

belíssimo poema! Grato por compartilhar!

Um poema recente:

"outro drama grego"


às três. depois, nem
mesmo às dez pra seis.
o amor não vem... eis
que nada convém:

ao coração? resta
só satisfazer
ao próprio prazer
de bater... seresta

de desassossego!
ouço: logo chego
ao peito! de vez,

estranha escassez
toma-me... talvez,
outro drama grego!


Abraço fraterno,
Adriano Nunes.