25.2.13

Dylan Thomas "Do not go gentle into that good night" / "Não vás tão docilmente": trad. Augusto de Campos






Não vás tão docilmente

Não vás tão docilmente nessa noite linda;
Que a velhice arda e brade ao término do dia;
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

Embora o sábio entenda que a treva é bem-vinda
Quando a palavra já perdeu toda a magia,
Não vai tão docilmente nessa noite linda.

O justo, à última onda, ao entrever, ainda,
Seus débeis dons dançando ao verde da baía,
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

O louco que, a sorrir, sofreia o sol e brinda,
Sem saber que o feriu com a sua ousadia,
Não vai tão docilmente nessa noite linda.

O grave, quase cego, ao vislumbrar o fim da
Aurora astral que o seu olhar incendiaria,
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

Assim, meu pai, do alto que nos deslinda
Me abençoa ou maldiz. Rogo-te todavia:
Não vás tão docilmente nessa noite linda.
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.



Do not go gentle into that good night

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn , too late, they grieved it on its way
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, em now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.



THOMAS, Dylan. "Do not go gentle into that good night". In: CAMPOS, Augusto de (trad. e org.). Poesia da recusa.  São Paulo: Perspectiva, 2006.



Para escutar, na voz do autor, essa famosa elegia, que Dylan Thomas escreveu ao saber que seu pai se encontrava à beira da morte, siga o seguinte link:

http://www.poets.org/viewmedia.php/prmMID/15377




5 comentários:

Rodrigo Tomé disse...

"Rage, rage against the dying of the light."

"Clama, clama contra o apagar da luz que finda."

Lindíssimo poema. Nunca li nada desse poeta e a tradução do Augusto de Campos é sempre de alto nível. Quero mais... Obrigado.

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


belo demais! E emocionante! Ao ouvi-lo (Thomas) percebi uma musicalidade encantadora. Como se fosse uma música, uma letra de música com uma música implícita, de grande harmonia. Você percebeu isso, ou é só a minha fascinação pelo poema que fez com que eu notasse tal fulgor?


Abraço forte,
Adriano Nunes

Antonio Cicero disse...

Adriano,

o que acontece é que o Dylan Thomas foi um dos maiores leitores de poesia que já houve; além do fato de que o poema tem um ritmo e uma melodia incrível.

Abraço

Anônimo disse...

Lindo!Antes de ouvir o D.T recitando
o próprio poema eu pensei em Ella Fitzgerald cantando. E, putz depois de ouvi-lo , ficou mais parecido ainda.Parece Ella cantando as canções mais ritmadas do Cole Porter.Lindo!
thanks Cícero, abr.Vinicius.

Fernando Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.