18.2.11

Vicente Huidobro: "Arte poética"




Arte poética

Que o verso seja como uma chave
que abra mil portas.
Uma folha cai; algo passa voando;
que tudo quanto vejam os olhos criado seja,
e a alma de quem ouve fique tremendo.

Inventa mundos novos e cuida de tua palavra;
o adjetivo, quando não dá vida, mata.

Estamos no ciclo dos nervos.
pendura o músculo,
como lembrança, nos museus;
mas nem por isso temos menos força:
o vigor verdadeiro
reside na cabeça.

Por que cantais a rosa, oh poetas!
fazei-a florescer no poema.

Só para nós
vivem todas as coisas sob o Sol.

O poeta é um pequeno Deus.



Arte poética

Que el verso sea como una llave
que abra mil puertas.
Una hoja cae; algo pasa volando;
cuanto miren los ojos creado sea,
y el alma del oyente quede temblando.

Inventa mundos nuevos y cuida tu palabra;
el adjetivo, cuando no da vida, mata.

Estamos en el ciclo de los nervios.
El músculo cuelga,
como recuerdo en los museos;
mas no por eso tenemos menos fuerza:
el vigor verdadero
reside en la cabeza.

Por qué cantáis la rosa, ¡oh, Poetas!
Hacedla florecer en el poema.

Sólo para nosotros
viven todas las cosas bajo el Sol.

El poeta es un pequeño Dios.


HUIDOBRO, Vicente. Antología poética. Org. de Hugo Montes. Madrid: Castalia, 1990.

7 comentários:

Amélia disse...

Amigo: vou permitir-me colocar este Huidobro no meu blogue em secção Do falar poesia.Um abraço

Dalva Maria Ferreira disse...

Que delicadeza, e contudo tão firme.

João Araújo disse...

olá poeta

a quem lhe seguido tem
esse conhecido mote
se bem gostar adote
a pratica bem convem

o mote:

o caralho de vocês
é diferente do meu

em meu blog tem glosas minhas de auores conhecidos

carmen silvia presotto disse...

Este poema deveria estar enquadrado em todas as Escolas do mundo... grande mestre!!!

Beijos.

Márcia Maia disse...

que beleza de poema. Vou roubar para a minha pasta de especiais, tá?

1beijo do Recife, poeta.

Francisco Saldanha disse...

Obrigado Cícero por nos iluminar com poemas tão sensíveis.

abraço.

Alcione disse...

Nada sei sobre o verso
Ao inverso
Nem leio muitos versos
Beijo a flor que nasce de dia
Beijo a flor quase fugidia
E à noite
O dia começa
Para as ruas e o sol
Que já pinta com cores fulgurantes
O céu
Perco meu véu
O amor é puro mel.