8.12.10

Paulo Leminski: "Blade Runner Waltz"

Blade Runner Waltz

Em mil novecentos e oitenta e sempre,
ah, que tempos aqueles,
dançamos ao luar, ao som da valsa
A Perfeição do Amor Através da Dor e da
                                        [Renúncia,
nome, confesso, um pouco longo,
mas os tempos, aquele tempo,
ah, não se faz mais tempo
como antigamente
Aquilo sim é que eram horas,
dias enormes, semanas anos, minutos milênios,
e toda aquela fortuna em tempo
a gente gastava em bobagens,
amar, sonhar, dançar ao som da valsa,
aquelas falsas valsas de tão imenso nome lento
que a gente dançava em algum setembro
daqueles mil novecentos e oitenta e sempre.



LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991.

5 comentários:

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


Salve Leminski! Lindo!


Abração,
Adriano Nunes.

homensdopantano disse...

lembranças de um tempo difuso são doces memórias de um esquecimento constante

Lau Siqueira disse...

Leminski sempre!

Maria Muadiê disse...

Delícia. Leminski é delicioso, comestível.

Jefferson Bessa disse...

na dança de lembrar num sendo e se sempre. Adorei a leitura. Um abraço.

Jefferson.