15.7.11

Nicanor Parra: "Cartas a una desconocida" / "Cartas a uma desconhecida": tradução de Albano Martins




Cartas a una desconocida

Cuando pasen los años, cuando pasen
Los años y el aire haya cavado un foso
Entre tu alma y la mía; cuando pasen los años
Y yo sólo sea un hombre que amó,
Un ser que se detuvo un instante frente a tus labios,
Un pobre hombre cansado de andar por los jardines,
¿Dónde estarás tú? ¡Dónde
Estarás, oh hija de mis besos!



Cartas a uma desconhecida

Quando passarem os anos, quando passarem
Os anos e o ar tiver cavado um fosso
Entre a tua alma e a minha; quando passarem os anos
E eu for apenas um homem que amou,
Um ser que se deteve um instante diante dos teus lábios,
Um pobre homem cansado de andar pelos jardins,
Onde estarás tu? Onde
Estarás, ó filha dos meus beijos?



PARRA, Nicanor. "Antipoemas". Tradução de Albano Martins. In: Relâmpago. Revista de Poesia, nº 17, 10/2005.

3 comentários:

A Mina do cara! disse...

lindo poema!

Louise Lou disse...

"Romantic love is mental illness. But it's a pleasurable one. It's a drug. It distorts reality, and that's the point of it. It would be impossible to fall in love with someone that you really saw". Fran Lebowitz

João Renato disse...

Um grande poema mesmo, sobretudo pelo título e a última frase.
E me pergunto:
Quem não amou entenderia sua afirmação, tão contrária ao lugar comum ?
JR.