30.7.09

Alex Varella: "Negra grega" e "Barcelona"

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NEGRA GREGA


Negra negra
Grega grega
de palavras & mercancias
no Porto das Palavras
de Alexandria
beleza é o ser visível
ser é visível
negra grega
da África Clássica
próprio da beleza é o aparecer
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BARCELONA
(para Alex Pessoa)

Barcelona é uma arte
Ora mar Ora cidade
Perdi meu último heterônimo em Barcelona
(Alex Pessoa)
Onde tudo tem dois nomes,
mundo heteronômico!
Barcelona é uma arte
Ora mar
Ora cidade


VARELLA, Alex. Alexandrias. In blog "A cidade sou eu".

14 comentários:

paulinho disse...

linnnndo!

este poema atira numa questão muito relevante, que tem a ver com o que você escreveu a respeito das misturas de culturas e etnias.

porque, como já comprovam alguns estudos, a troca entre a áfrica e a grécia antigas, troca cultural, comercial, ocorria de forma intensa desde tempos imemoriais.

havia uma relação de troca entre essas culturas que, certamente, criava, ajudava a criar, as identidades culturais de ambos os lados.

inclusive, quando a europa se apropria de preceitos originários da antigüidade clássica, da grécia antiga, para a edificação de suas "sociedades civilizadas", escamoteia, encobre, sistematicamente, toda influência africana sofrida pela cultura grega.

inclusive, segundo o professor que tive de história antiga, andré chevitarese, um grande especialista em grécia, a tradução mais fiel para as características da personagem de édipo é a de um homem "amorenado" (rs), queimado pelo sol, com um tom de pele mais escuro, não o herói de cútis alva como a neve, como traduziram os europeus.

as trocas entre culturas, entre sociedades, acontecem desde que o mundo é mundo.

há claros indícios, em estudos sobre a américa pré-colombiana, de que os nossos índios, muitos localizados, à época, na região de minas gerais, mantinham trocas comerciais, culturais, e até científicas (como, por exemplo, sobre modos de preparo da terra, para o plantio, e também sobre o cultivo do milho), com os índios que desciam do méxico(!). e o intercâmbio que na américa ocorria, entre os residentes pré-colombianos, ia do leste ao oeste, do norte ao sul. o reggae maranhense é fruto das trocas culturais com o caribe, troca que, segundo pesquisadores, existia desde antes da chegada de colombo.

"cultura pura", "cultura genuína", "cultura de raiz", são termos que não servem pra muita coisa; na verdade, creio que não sirvam pra nada. pois nada pode ser "genuinamente puro", "intocado", "de raiz", feito, surgido, sob influência nenhuma. não existe um fundo próprio das coisas; na verdade, o fundo, sempre, é falso.

enfim, adorei as linhas poéticas!

beijo, meu poeta porreta!

paulinho disse...

lindo, também, o poema sobre barcelona, ora mar, ora cidade.

barcelona: ora mar, ora cidade, ora o mar, ora a cidade.

bom reconhecer-se assim, parte integrante, coisa entre coisas, e coisa entre coisas que pode ser, entre as coisas, um monte de coisas (rs). ah, os heterônimos...

MARAVILHA!

beijo beijo beijo!

jorge disse...

Fiquei alguns dias sem ler seu blog.
Embora tardio, deixo aqui um aforisma que escreví que tem tudo à ver com sua postagem sobre a tentativa de usar o conceito de "raças" no Brasil.

Segue:

Para tudo existe um preço,
uma medida
e uma visão distorcida.


Um abraço

Anônimo disse...

Cicero,

só queria acrescentar mais qualquer coisa ao post do paulinho, de que gostei muito.

como ele diz, as trocas cientifico-tecnológicas pré-colombianas foram essenciais às civilizações americanas (muitas vezes não eram propriamente "trocas" eram mais aquilo a que hoje chamariamos "roubo de patentes"): no caso específico do milho, planta domesticada há cerca de 6 mil anos, na região de oaxaca, no méxico, quando colombo chegou, já essa inovação tecnológica era utilizada pelas civilizações indígenas residentes no (hoje) canadá. a propagação da planta pelo continente, para norte e para sul, foi um rastilho. em muito pouco tempo o milho tornou-se parte essencial da alimentação de todas as civilizações do continente americano - aliás como, depois de colombo (que trouxe exemplares da planta para a europa), se tornou a base da alimentação de praticamente todas as civilizações do mundo (como ainda acontece hoje). mas, voltando à américa, o facto do milho ser tão imortante na alimentação, tão essencial à sobrevivência de todos estes grupos, provavelmente explica por que é que esta planta aparece ligada à origem da vida e à origem da espécie humana na visão cosmológica e mitologia de tantas civilizações indígenas americanas.

o homem faz a cultura e a cultura faz o homem e acho que no caso do milho em particular - e só nele - faz sentido falar de uma "cultura de raiz"!
e como este caso mostra, "cultura pura" não existe.

bj!
F

ADRIANO NUNES disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Robson Ribeiro disse...

Cícero, muito bom!

Vou lá conhecer o Blog do poeta...

Se for possível, dê uma passada para conhecer meu trabalho: www.poesiaemblog.blogspot.com

Grande Abraço!

ADRIANO NUNES disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aline Miranda disse...

adoro esse sobrenome, pessoa.
e sou louca para conhecer as barcelonas todas!!!

boa noite de sábado!

Antonio Cicero disse...

Paulinho,

não sei se você lembra: meu artigo "O segredo grego", postado aqui em 11/7/2007, fala sobre a relação entre a África e a Grécia.

Beijo

J Alexandre Sartorelli disse...

Os mares não são gregos
Nem as ocasiões são propícias.
Porém muito me alegro
Com o pouco que não disse.

Não há mais estrelas,
Não há mais avisos.
As tropas seguem lerdas
E chegarão, mas não comigo.

[]´s

paulinho disse...

cicero, meu amor,

como não lembro do título, tenho quase certeza de que não o li.

darei uma olhada nele através do arquivo dos textos já postados.

beijo grande!

paulinho disse...

"F",

você ARREBENTOU! é tudo isso, sim, que você muitíssimo bem escreveu sobre a importência do milho para as sociedades americanas pré-colombianas, inclusive sobre a questão mitológica. sua mensagem complementou, enriqueceu, deu mais norte, às minhas linhas.

valeu a SUPER contribuição!

beijo grande em você!

paulinho disse...

cicero cicero cicero,

como pensei, realmente não lera o seu texto "o segredo grego". tanto é que fui aos comentários e não há nenhum meu (rs).

as minhas linhas vão de encontro, convergem, com o seu artigo, que é lindíssimo!, muito elucidativo e mais informativo.

que bom que você fez o link e me deu a oportunidade de lê-lo! um primor!

beijo, meu porto de luz!, de luz boa, clara, terapêutica.

Anônimo disse...

GRANDE POETA !!!!!
BELOS POEMAS !!!!!
ASSIM É ALEX VARELLA !!!!!