12.4.09

Domingos da Mota: "Soneto de passagem"

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Soneto de passagem


Das águas corredias da memória
emergem os liames da incerteza:
retêm lendas, mitos e a história
das crenças, das ideias e a beleza

das artes, dos ofícios, da cultura,
e de terras fecundas e até sáfaras
que foram e serão a sepultura
de quem partiu do fio das diásporas.

É veloz o decurso desta vida:
um dia após o outro, e de repente
já fomos, e o que sobra à despedida
oxalá fosse pasto de semente:

de novo sentiríamos o sol,
quem sabe se flor, se rouxinol.

8 comentários:

Anônimo disse...

Belíssimo.

Marcelo Diniz

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

Parabéns para o Domingos da Mota!



"PROJEÇÃO"

São versos da madrugada, do vazio
Da minh'alma cansada: canto vão
Do meu coração vil, quase desvão
De vida magoada, dom vadio

De voz enciumada, de pessoa
Envenenada, de proeza
Poética, da seiva da tristeza
Profunda, da saudade que só soa

Quando tudo termina,dessa angústia
De escritor descrita - tentativas
De sorver o vernáculo: que astúcia!

São vontades verídicas e vivas!
São minas de tesouros, as minúcias!
São minhas essas dúvidas lesivas!



Abraço forte!
Adriano Nunes.

paulinho disse...

caralho!, domingos da mota, meu querido, você ARREBENTOU!

que lindo poema, obra-prima!

estou encantadíssimo com as suas linhas!

valeu, cicero, pelo presente!

beijo em vocês (no dono do pedaço e no autor da pérola)!

Benny Franklin disse...

Grande, Cicero!

Soneto de prima!

Abçs.

Alcione disse...

Um toque sutil
De leve, no cabelo,
Bastou e
Estou
Leve e entregue
Ao devaneio
Arrepio, rodopio,
Da febre mais alegre
Nos olhos mais azuis que o mar
Em algum lugar
Além dessa lua que brilha
Do barco e sua quilha.

Aetano disse...

A cada visita aqui, a gente nunca sai do modo como chegou. Seu blog, Cicero, acredite, é transformador.

Agradeço ao poeta pelo poema e a vc pela divulgação desse excelente poeta.

Um grande abraço.

Aeta

L&L-Arte de pensar e expressar disse...

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Domingos da Mota disse...

Caro poeta e filósofo Antonio Cícero,

Antes de mais deixe-me agradecer-lhe o ter postado este "Soneto de passagem" no seu blog, o que muito me honra; e permita-me que agradeça também a todos os que o leram e comentaram (mas com uma palavra especial para o paulinho): pensei que esse vernáculo, tão à moda do Porto, se usasse mais deste lado do Oceano, tanto para elogiar como para fustigar alguém ou alguma coisa que nos impressiona: ainda bem que por aí há quem não tenha papas na língua.
Muito obrigado a todos,

Domingos da Mota