30.9.07

Quase

Um poema do livro "Guardar":

QUASE

Por uma estranha alquimia
(você e outros elementos)
quase fui feliz um dia.
Não tinha nem fundamento.
Havia só a magia
dos seus aparecimentos
e a música que eu ouvia
e um perfume no vento.
Quase fui feliz um dia.
Lembrar é quase promessa,
é quase quase alegria.
Quase fui feliz à beça
mas você só me dizia:
“Meu amor, vem cá, sai dessa”.


De: CICERO, Antonio. Guardar. Rio de Janeiro: Record, 1996, p.69.

14 comentários:

Irrelevâncias disse...

Adorei! Abs

Caetano Fabro disse...

E agora deu vontade de ouvir a música...(que eu não conheço...)

André Gonçalves disse...

bom encontrá-lo.
vi voce no salipi, em teresina.

um grande abraço.

Antonio Cicero disse...

Obrigado, André. Bem-vindo!
Grande abraço,
Antonio Cicero

Lucas Nicolato disse...

Muito bonito o poema, Antônio. Aliás, como todos do livro Guardar.
um abraço, lucas.

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Opa!
Bom te encontrar. Sou fã.
Abraços do *CC*

A. disse...

Ah, eu também guardo os meus poemas! Digo, "guardo"; não que os guarde realmente, já que nem poemas eles são para serem guardados. Mas os guardo, aqui, ó. Podes ver?

Rá. Somos de correntes opostas. Mas vá lá. Quem lê Gilberto Freyre talvez não vire estátua de sal ao ler esse produto da adolescência tardia. (:

Paulinho disse...

cicero(,) lindíssimo!

este poema é divino, que delicado!

um (quase) grande beijo, querido!

e: continue postando poemas seus.

Antonio Cicero disse...

Obrigado, Paulinho.
Um quase quase beijo para você também.
Antonio Cicero

Léo disse...

Passado o amor, o que nos fica?

De uma mulher, ficou um dia,

de outra, uma canção...



A lembrança de olhar nos olhos,

ao mesmo tempo,

enquanto estávamos gozando,

foi, de outra delas, o que restou.



Mas do amor exato, certeiro,

aquele que nos crava as unhas,

dilacera a alma,

o que nos fica é mesmo um traço, uma pequena marca,

indelével como o fogo de um suposto deus.



Amor.



Por isso vivo.

A isso dou de mim a alma,

o brilho intenso que comigo guardo,

a consumir meu nome, minha casa, meu coração.



Amor.



Venha daí como estiver:

alquebrado, capenga, desdentado...

e se não há mais chama para se queimar,

então, que se reinvente o fogo,

sob a luz opaca dos imensos vendavais.

Elisa disse...

Não sabia q essa música foi feita sobre um poema seu. É lindo.

Lara Rezende disse...

Oi,Poeta. Faço um trabalho de pesquisa e designer de blog e estava justamente pesquisando sobre você quando encontrei o seu blog. Muito legal. Lindas poesias.
Abraços.

Daniela Delias disse...

Lindíssimo poema...cheio de ritmo e delicadeza. Beijão, é lindo o teu blog!

Antonio Cicero disse...

Obrigado, Daniela.

Beijo