13.1.17

Bertold Brecht: Zum Freitod des Flüchtlings W.B. / Ao suicídio do fugitivo W.B.: trad. por André Vallias


Agradeço a André Vallias por me ter enviado sua excelente tradução do belo -- e estranhamente atual -- poema que Brecht fez sobre o suicídio de Walter Benjamin, perseguido pelos nazistas.




Zum Freitod des Flüchtlings W.B.

Ich höre, daß du die Hand gegen dich erhoben hast 
Dem Schlächter zuvorkommend. 
Acht Jahre verbannt, den Aufstieg des Feindes beobachtend 
Zuletzt an eine unüberschreitbare Grenze getrieben 
Hast du, heisst es, eine überschreitbare überschritten. 

Reiche stürzen. Die Bandenführer 
Schreiten daher wie Staatsmänner. Die Völker
Sieht man nicht mehr unter den Rüstungen.

So liegt die Zukunft in Finsternis, und die guten Kräfte
Sind schwach. All das sahst du
Als du den quälbaren Leib zertörtest.



BRECHT, Bertold. "Zum Freitod des Flücherlin/Weimanr/Frankfort: Suhrkamp, 1993.




Ao suicídio do fugitivo W.B.

Ouço que ergueste a mão contra ti
Ao carniceiro te antecipando.
Oito anos desterrado, observando a ascensão do inimigo
Por fim, coagido a uma fronteira intransponível
Uma transponível, diz-se, ultrapassaste.

Reinos desabam. Os chefes de quadrilha
Avançam como homens de Estado. Não
Se vê mais os povos sob tanto armamento.

Assim o futuro jaz na escuridão, e as forças do bem
Estão fracas. Tudo isso enxergaste
Quando o torturável corpo destruíste.


Trad. por André Valias

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