1.9.14

Adriano Nunes: "Só"










Sem
     Seu
           Ser

Sol
     Sem
           Céu

Sal
    Sem
          Mar

Sim
      Sem
            Som

Sul
    Sem
          Lar

Sem
       Vós
             Eu

Sem
       Mais
              Voz

Sem
       Ter
            Vez

Sob
      Tal
          Véu

   





NUNES, Adriano. "Só". In: Quefaçocomoquenãofaço. URL: http://astripasdoverso.blogspot.com.br/. Acessado em 29/08/2014.

4 comentários:

Anônimo disse...


Belo poema do Adriano Nunes.
Aliás, belíssimo. Vertiginosa aliteração, sem complacência, beckettiana. Um poema triste. Mas o que escapa da tristeza, exceto talvez o fulgor narcísico que há no amor, nas janelas e em todos (ou quase todos) os andantes?

A alusão a Beckett ocorreu-me porque li recentemente:

"o que eu faria deste mundo sem rosto sem perguntas
onde ser não dura mais que um instante onde cada instante
flui pelo vazio o esquecimento de ter sido
sem esta onda onde no fim
corpo e sombra juntos são tragados
o que eu faria sem este silêncio garganta dos murmúrios
ofegando furiosos para o salvamento para o amor
sem este céu que se eleva
da poeira do seu lastro

o que eu faria eu faria como ontem e como hoje
cuidando pela minha janela se eu não estou só
a passear e a virar pra longe de toda a vida
dentro de um espaço fantoche
sem voz entre as vozes
trancadas aqui comigo

SAMUEL BECKETT
(tradução de Adriandos Delima)
(FONTE:http://partidodoritmo.blogspot.com.br/2011/04/samuel-beckett-poema-traduzido-por.html)

Arsenio Meira Júnior

Paulo Sabino disse...

Adriano Nunes é o que há! Não é à toa que é o meu poeta número um!

"Sem/ Vós/ Eu// Sem/ Mais/ Voz" são de uma generosidade & efeito impressionantes! Sem contar as aliterações & a melopeia, tudo divino-maravilhoso!

Salve Adriano Nunes!

Beijo em você e nele!

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,

muito obrigado! Que alegria!


Abraço forte,
Adriano Nunes


Caro Arsenio,

que bom que você gostou do meu poema! Viva!


Abraço forte,
Adriano Nunes

Antonio Cicero disse...

Obrigado a você por tão belo poema, Adriano!

Abraço