28.2.08

Catulo: LXXXV

O poema de Petrarca, como o de Camões, é composto de oximoros, isto é, combinações de noções contraditórias cuja tensão dramática revela a confusão do sujeito do poema lírico. Catulo tem um poema curtíssimo que usa esse recurso.


LXXXV

Odeio e amo. Por que o faço, quiçá perguntes?
Não sei, mas sinto, e é tortura.


LXXXV
Odi et amo. Quare id faciam, fortasse requiris?
Nescio, sed fieri sentio et excrucior.


CATULLUS, C. Valerius. Selected poems. Org. p. SIMPSON, Francis. London: Macmillan, 1948, p.61.

2 comentários:

leo disse...

Dentre aquilo que avulta,

maior que tudo é o amor.

Quem o possui, não faz alarde.

Quem faz alarde, não o posssui.

Assim, a maior de todas as coisas,

anunciada entre pequenos gestos,

perdura ardente entre lembrança e fato.

Fica calado, se a encontras.

Faça de conta que jamais a viu.

Oleg disse...

É isso aí! De certa forma, Catulo conseguiu exprimir em 2 versos o que posteriormente exigiria o séptuplo tanto de Petrarca quanto de Camões.