Hoje, comemorando o 85º aniversário do grande poeta Augusto de Campos, postamos aqui um poema de seu mais recente livro:
CAMPOS, Augusto de. "Contemporâneos (Mallarmé)". In:_____. Outro. São Paulo: Perspectiva, 2015.
14.2.16
13.2.16
Manuel Bandeira: "Satélite"
Satélite
Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e enamorados,
Mas tão somente
Satélite.
Ah! Lua deste fim de tarde,
Desmissionária de atribuições românticas;
Sem show para as disponibilidades sentimentais!
Fatigado de mais-valia,
gosto de ti, assim:
Coisa em si,
– Satélite.
BANDEIRA, Manuel. "Satélite". In:_____. "Estrela da Tarde". In:_____. Poesia completa e prosa em um volume. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
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Poema
11.2.16
"Quando você é Negro, você é Negro"
Um querido amigo encontrou na Internet um poema anônimo, com a informação de que havia sido "escrito por um homem negro do Texas, dotado de soberbo senso de humor". Estranhamente, o poema estava escrito em francês. Traduzi-o para português. Clique nas seguintes páginas, para ampliá-las:
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Poema
9.2.16
Gerard Manley Hopkins: "Repeat that, repeat" / "Ecoa isso, ecoa": trad. Augusto de Campos
Ecoa isso, ecoa
Ecoa isso, ecoa,
Cuco, ave, abre as fontes-ouvidos, coração-nascentes, suavemente
voa
Num revôo, um rebôo, uma canção
De troncos trincados e buracos do chão, oco oco oco chão:
Toda a paisagem nasce de súbito a um som.
Repeat that, repeat
Repeat that, repeat,
Cuckoo, bird, and open ear wells, heart-springs, delightfully sweet,
With a ballad, with a ballad, a rebound
Off trundled timber and scoops of the hillside ground, hollow hollow
hollow ground:
The whole landscape flushes on a sudden at a sound.
HOPKINS, Gerard Manley. "Repeat that, repeat" / "Ecoa isso, ecoa". Trad. de Augusto de Campos. In:_____. CAMPOS, Augusto de. Hopkins: a beleza difícil. São Paulo: Perspectiva, 1997.
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Poema
6.2.16
Jorge de Sena: "Suma Teológica"
Suma Teológica
Não vim de longe, meu amor, nem sossobraram
navios no alto mar, quando nasci.
Nada mudou. Continuaram as guerras;
continuou a subir o preço do pão;
continuaram os poetas, uma vez por outra,
a perguntar por ti.
É certo que, então, imensa gente
envelheceu instantânea e misteriosamente.
Mas até isso, meu amor, se não sabe ainda
se foi por minha causa,
se por causa de outros que terão nascido
ao mesmo tempo que eu.
SENA, Jorge de. "Suma Teológica". In:_____. Coroa da terra. Porto: Lello & Irmão, 1946
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Poema
3.2.16
André Luiz Pinto: "Prazer, esse sou eu"
Prazer, esse sou eu
filho de doméstica
numa época em que
patrões cismavam
em chamar de filhas
as mucamas. Eu
criado numa mansão
da Barra, obrigado a amar
patrões como avós
sem direito de herança.
Uma coisa aprendi:
a ler livros e a me irritar
com facilidade – lá, onde
o sinal está vermelho
e sempre acabo errando
a baliza – onde ninguém
divide nada, quando
até quem te chamou de sobrinho
diz um dia: a casa é nossa
deves partir. Tá bom, disse.
Só me dá duas semanas”
PINTO, André Luiz. "Prazer, esse sou eu". In:_____. Mas valia. Rio de Janeiro: Megamini, 2016.
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2.2.16
Geraldo Carneiro: "poesia épica"
poesia épica
às vezes, inimigo de mim mesmo,
lanço-me às feras, queimo meus navios,
declaro guerra a Troia ou a Cartago,
e acabo sempre por amor vencido
CARNEIRO, Geraldo. "poesia épica". In:_____. Subúrbios da galáxia: antologia poética. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
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