8.12.12
CONVITE
Data: 11 de dezembro de 2012
Hora: 18:30hs
Local: Salão Marquês de Paraná
Universidade Cândido Mendes
Rua da Assembléia, 10 - 42º andar
Rio de Janeiro, RJ
Informações:
Rua Mosela, 289, Mosela - Petrópolis, RJ
Tel/Fax: (24) 2242-6433
e-mails: bolrede@terra.com.br
centroalceuamorosolima@yahoo.com.br
Apoio:
Associação de Amigos do Dr. Alceu / AADA
5.12.12
Paul Celan: "Der Gast" / "O hóspede": trad. Flávio R. Kothe
O hóspede
Bem antes da noite
te visita alguém que saudou o obscuro.
Bem antes do dia
ele acorda
e ativa, antes de partir, um sono,
um sono ressoando passos:
ficas a ouvi-lo mensurar distâncias,
e é bem lá que lanças tua alma.
Der Gast
Lange vor Abend
kehrt bei dir ein, der den Gruß getauscht mit dem Dunkel.
Lange vor Tag
wacht er auf
und facht, eh er geht, einen Schlaf an,
einen Schlaf, durchklungen von Schritten:
du hörst ihn die Fernen durchmessen
und wirfst deine Seele dorthin.
CELAN, Paul. Poemas II. Introdução, tradução, comentários e organização de Flávio R. Kothe. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1985.
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Paul Celan,
Poema
3.12.12
Conferências sobre Filosofia e Cultura Brasileira
Programação
CAIXA Cultural Rio de Janeiro
04 a 07 de dezembro de 2012
Av. Almirante Barroso, 25 – Centro
(próximo ao metrô Carioca)
Telefone: (21) 2544-4080
As vagas serão preenchidas pela ordem de chegada dos interessados.
80 vagas. Sujeito à lotação.
As senhas serão distribuídas a partir das 17h.
04/12, terça-feira
18h Antonio Cícero: Filosofia e niilismo
19h30 Ana Cristina Chiara: O salto da índia: corpos na cultura brasileira
05/12, quarta-feira
18h Luiz Carlos Maciel: O sol da liberdade
19h30 Patrick Pessoa: Brás e o Brasil: a Filosofia da Arte de Machado de Assis
06/12, quinta-feira
18h Adriany Mendonça: Aspectos filosóficos da antropofagia oswaldiana
19h30 Alexandre Mendonça: Cultura popular e Filosofia
07/12, sexta-feira
18h Rosa Dias: A família do barulho na Belair de Júlio Bressane
19h30 Jorge Mautner: A amálgama do Brasil universal
2.12.12
Antero de Quental: "Sonho oriental"
Sonho Oriental
Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...
O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...
E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
QUENTAL, Antero de. Sonetos. Org. por António Sérgio. Lisboa: Sá da Costa, 1963.
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Poema
30.11.12
Wisława Szymborska: "As três palavras mais estranhas": trad. Refina Przybycien
As três palavras mais estranhas
Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já se perde no passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
suprimo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não ser.
SZYMBORSKA, Wisława. "Instante". In:_____. Poemas. Trad. Regina Przybycien. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
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Wisława Szymborska
28.11.12
Gastão Cruz: Ofício
No dia 24 do corrente, participei, no Fórum das Letras de Ouro Preto, de uma discussão com Eduardo Jardim intitulada "A poesia nasce da filosofia?", sob a mediação de Fabrício Marques. No início de sua interessante preleção, Eduardo Jardim citou o seguinte belo poema de Gastão Cruz:
Ofício
Os poemas que não fiz não os fiz porque estava
dando ao meu corpo aquela espécie de alma
que não pôde a poesia nunca dar-lhe
Os poemas que fiz só os fiz porque estava
pedindo ao corpo aquela espécie de alma
que somente a poesia pode dar-lhe
Assim devolve o corpo a poesia
que se confunde com o duro sopro
de quem está vivo e às vezes não respira.
CRUZ, Gastão. "As palavras e as coisas". In:_____. Escarpas. Lisboa: Assírio e Alvim, 2010.
25.11.12
W.H. Auden: sobre o poeta e as palavras
Um poeta é, antes de qualquer outra coisa, uma pessoa que ama apaixonadamente a linguagem. Se tal amor é sinal de seu dom poético ou é o próprio dom -- pois a paixão é algo dado, e não escolhido -- não sei, mas é certamente o sinal pelo qual se reconhece se um jovem é potencialmente poeta ou não.
"Por que você quer escrever poesia?" Se o jovem responde: "Tenho coisas importantes a dizer", então não é um poeta. Se responde: "Gosto de curtir as palavras, ouvindo o que elas têm a dizer", então talvez se torne um poeta.
AUDEN, W.H. “Squares
and oblongs”. In: ARNHEIM, Rudolf; AUDEN, W.H.; SHAPIRO, Karl; STAUFFER, Donald A.
Poets at
work. Introdução de Charles A. Abbott. New York: Hartcourt, Brace and Company, 1948, p.170.
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