16.10.17

Edgar Allan Poe: "Eldorado": trad. de Nelson Ascher



Eldorado

Um cavaleiro
seguiu faceiro
ao sol e à sombra, ousado
e, não obstante,
cantarolante,
em busca do Eldorado.

Mas ficou velho
esse andarilho
e não pôde, assombrado,
nunca, em lugar
algum, achar
nem sombra de Eldorado.

Enfim, diante
de sombra errante,
parou, já fatigado
e indagou: "Onde,
sombra, se esconde
a terra de Eldorado?"

"Vai às montanhas
da lua e entranhas
do atroz vale assombrado,
que há mais viagem”,
disse a miragem,
"se buscas o Eldorado."




Eldorado

Gaily bedight,
A gallant knight,
In sunshine and in shadow,
Had journeyed long,
Singing a song,
In search of Eldorado.

But he grew old
This knight so bold
And o'er his heart a shadow
Fell as he found
No spot of ground
That looked like Eldorado.

And, as his strength
Failed him at length,
He met a pilgrim shadow
"Shadow," said he,
"Where can it be
This land of Eldorado?"

"Over the Mountains
Of the Moon,
Down the Valley of the Shadow,
Ride, boldly ride,"
The shade replied
"If you seek for Eldorado!"




POE, Edgar Allan. "Eldorado". In: ASCHER, Nelson (trad. e org.). Poesia Alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.

12.10.17

Juan Ramón Jiménez: "Ruta" / "Rota": trad. Antonio Cicero



Ruta

Todos duermen, abajo.
                                 Arriba, alertas,
el timonel y yo.


Él, mirando la aguja, dueño de
los cuerpos, con sus llaves
echadas. Yo, los ojos
en lo infinito, guiando
los tesoros abiertos de las almas.



JIMÉNEZ, Juan Ramón. "Ruta". In:_____. Piedra y cielo. Verso (1917-1918). Madrid: Edição do autor, 1919.





Rota

Todos dormem, embaixo.
                                    Em cima, alertas
o timoneiro e eu.

Ele, olhando a bússola, dono
dos corpos atrás de portas
fechadas. Eu, os olhos
no infinito, guiando
os tesouros abertos das almas.





9.10.17

Cacá Diegues: "Tragam suas crianças"



O seguinte, excelente artigo de Cacá Diegues foi publicado em O Globo de domingo, 8 de outubro de 2017:


Tragam suas crianças


Em 1865, o quadro “Olympia”, do pintor Édouard Manet, um dos pais históricos do impressionismo, foi recusado no Salão de Belas Artes de Paris. O quadro rejeitado foi então exposto no Salão dos Recusados, onde provocou um escândalo sem precedentes. “Olympia” retratava uma mulher nua, deitada na cama enquanto uma criada lhe trazia flores.

Além de mal pintado, um borrão de cores desordenado, atentado à boa pintura de uma época neoclássica e acadêmica, “Olympia” foi acusado também de indecente e pornográfico. Professores e estudantes de Belas Artes organizavam passeatas contra a obra, mães de família cobriam o quadro com lençóis para que ele não fosse visto, jornalistas zombeteiros faziam piadas ao vivo e em seus jornais.

Não se tem notícia, porém, de nenhuma autoridade local propondo sorridente que a tela e seus admiradores fossem jogados no fundo do mar.

Exatamente 150 anos depois, no verão europeu de 2015, o Museu d’Orsay e o l’Orangerie, duas das principais salas de exposição de arte em Paris, iniciaram intensa campanha de promoção de suas mostras com uma frase: “Emmenez vos enfants voir des gens tout nus” (em tradução livre, “Tragam suas crianças para ver pessoas completamente nuas”). E a imagem que ilustra a frase, nos cartazes da campanha, é a da tela “Mulher nua deitada”, pintada em 1907 por outro mestre impressionista, Auguste Renoir.

Os cartazes foram espalhados pelas ruas, por pontos de ônibus e estações de metrô, por onde quer que a população de Paris passasse. Segundo a diretora do Museu d’Orsay, a campanha, além de lembrar que os filhos podem ser responsáveis pela presença dos pais nas exposições, pretende também educar as crianças para um melhor conhecimento da vida através da arte. Mesmo uma tela como a célebre “A origem do mundo”, de Gustave Courbet, simples, dinâmica e bela reprodução do órgão sexual feminino, está liberada para a visão das crianças.

O Estado francês não tem o direito de se meter nesse assunto e não se meteu. A aprovação da maior parte da população do país coroa o avanço ético e educacional que o procedimento representa. Não se pode tratar crianças como débeis mentais, protegidas do mundo pela ignorância cultivada pelos pais e educadores; elas são responsáveis pela direção que o mundo um dia vai tomar. Qual o problema de conhecerem melhor o corpo humano e seu funcionamento? Para que serve a vida?

Além disso, vai à exposição e leva seus filhos quem bem quiser, contanto que não incomode ninguém. Quem não quiser, tampouco será obrigado a ir, sozinho ou acompanhado. É assim que funciona a democracia.

Uma emergente mentalidade restritiva e boçalizante tem se tornado frequente no Brasil de hoje. Os esforços do nosso modernismo na cultura brasileira, sobretudo durante a segunda metade do século XX, frustram-se na proibição de manifestações de liberdade, de novos conhecimentos, de exercícios da diferença e de alegria. O modernismo nos ensinou o direito de sermos felizes. Ele livrou o Brasil da falsidade colonial, de uma cultura de repressão, da negação do que somos. E agora somos ameaçados por essa aurora de um novo medievalismo cheio de preconceitos e de sombra. Antes de tudo, se condena a felicidade.

Os nazistas sabiam que a cultura é o cerne de toda nação que se quer formar. Goebbels inaugurou o domínio deles sobre a Alemanha com uma exposição de “Arte degenerada”, uma seleção de tudo que fosse liberdade criativa, tudo que representasse manifestação livre da invenção humana. O mais importante teórico do Partido Nazista, Alfred Rosenberg, acusou de degenerada a estética modernista de pintores como Chagall, Mondrian, Kandinsky, Klee, todos eles, cujas telas foram queimadas, antecedendo a grande fogueira de livros que representavam o mesmo “subjetivismo degenerado”.

Essa experiência não ficou perdida no tempo. Agora mesmo, já no século XXI, conhecemos o movimento político e cultural dos talibãs no Afeganistão e do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, destruindo monumentos e cidades inteiras, sob o pretexto de adorações que contrariavam as crenças do islamismo. O fundamentalismo se repete no mundo inteiro, através de ações intolerantes em nome das religiões mais populares.

No Brasil, além da violência contra a “Queermuseu” em Porto Alegre e a performance “La Bête” no MAM de São Paulo, já tivemos a depredação do túmulo de Chico Xavier em Uberaba, a destruição de uma casa de candomblé apedrejada em Nova Iguaçu, a proibição da peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu” por um juiz do interior paulista, a alegre proposta de atirar uma exposição inteira no fundo do mar. E por aí afora.

A arte é um ofício solitário e sem limites conceituais, ninguém pode tentar domá-la em benefício de uma ideia que lhe é estranha. Desde as estátuas nuas de deuses e heróis gregos, tem sido sempre assim e assim sempre será. Esse é o jeito que temos de saber quem somos e o que queremos ser. A censura a isso, seja em nome do que for, é sempre inaceitável.


Cacá Diegues

8.10.17

Gregório Duvivier: "Plano de Poder"



É muito atual o seguinte momento do "Greg News", do Gregório Duvivier. Afinal, na semana passada, o pastor Crivella, por razões pseudo-moralistas, censurou uma exposição de arte. Como diz Gregório, precisamos estar atentos -- neste momento confuso da política brasileira -- ao perigoso plano de poder da Igreja Universal do Reino de Deus.

7.10.17

Adriano Nunes: "A falar de versos"



A falar de versos

para Antonio Cicero (por seu aniversário) 

Praia planejada
No primeiro encontro.
Mas a chuvarada
Veio forte e... Pronto:

Estamos nós dois
A falar de versos
E do que depois
Será, mais imersos

Em cada poeta
Que amamos. O mar
Até nos completa,
Neste patamar

De alegria estética.
Do Latino, as Odes
Belas, as grãs Odes!
Do Helênico, a Ética...

Na prima visita,
Rápida, na praia,
A arte se espraia
E a vida se agita.



Adriano Nunes

4.10.17

Antonio Cicero: "O poeta lírico"



O poeta lírico

Não sei contar histórias. Minha prima,
Corina, que sabe fazê-lo, disse
ser esse defeito a causa ostensiva
do que, em falso tom de corriqueirice,
ela se deleita em qualificar
de “o óbvio malogro” das minhas lides
poéticas. Tive que concordar
pois, por não sei que artes de berliques
e berloques, ela me criticava
com um argumento do próprio Filósofo
– para ela anacrônico e monótono –
em cuja obra-prima eu mergulhara
há tanto tempo – e a fundo – e ela nada.
Eu morreria se tivesse um óbolo.



CICERO, Antonio. "O poeta lírico". In:_____. Porventura. Rio de Janeiro: Record, 2012.

2.10.17

Entrevista a Nahima Maciel, do "Correio Brasiliense"


A seguinte entrevista foi dada por mim a Nahima Maciel, do Correio Brasiliense, durante a 33ª Feira do Livro de Brasília, em junho deste ano:


Antonio Cicero afirma que a poesia permite ampliar a experiência do ser
O poeta e filósofo esteve na capital federal para pareticipar da 33ª Feira do Livro de Brasília

24/06/2017

Nahima Maciel

A filosofia é inevitável e, nos dias de hoje, extremamente necessária. É a “metalinguagem terminal”, nas palavras do poeta e filósofo Antonio Cicero. Tem uma certa coerência e alguma utilidade, já que filosofar pode ser um caminho para melhorar o mundo. A poesia é outra coisa. Não tem utilidade prática alguma e permite apreender o mundo em uma outra dimensão que não aquela das coisas funcionais. “A poesia é a língua-objeto terminal”, explica Cicero, que esteve em Brasília para a 33ª Feira do Livro de Brasília para falar do tropicalismo, tema do evento. O filósofo acaba de lançar A poesia e a crítica, coletânea com textos de palestras e ensaios proferidos e escritos nos últimos 11 anos.


Em 2016, Cicero lançou um disco em parceria com Arthur Nogueira. Presente foi uma espécie de celebração dos 70 anos do artista, mas também um aviso de que, a partir de agora, pretende se dedicar apenas à poesia. E essa, no caso do Brasil, está muito ligada à música graças a movimentos como a bossa nova e a tropicália. Na apresentação de A poesia e a crítica, Cicero conta como se encantou com Caetano Veloso no final dos anos 1960, quando foi morar em Londres para estudar e fugir da ditadura. Veloso, na época no exílio e casado com Dedé Gadelha, prima de Cícero, era capaz de colocar abaixo as barreiras entre o erudito e o popular graças a uma grande liberdade de pensamento, a mesma que fez Tom Jobim e Vinicius de Moraes ignorarem essas fronteiras.

Dessa forma, a poesia e a música sempre andaram juntas, mais agarradas uma à outra no Brasil do que em outros países. “Você vê um músico extraordinário como Tom Jobim fazendo música popular, um poeta como Vinicius de Moraes, erudito, de repente fazendo canções com Tom Jobim. Depois, veio uma geração incrível de pessoas influenciadas por eles. O próprio Caetano, um grande poeta. Não tem como negar. O Chico Buarque. São grandes poetas e músicos que estão fazendo coisas novamente consideradas menores, mas que não são menores”, diz Cicero, ao comentar o estardalhaço feito em torno do prêmio Nobel de literatura concedido a Bob Dylan. Abaixo, Cícero fala sobre filosofia, sobre o Brasil e sobre a  poesia no mundo contemporâneo.


Ainda é importante falar de filosofia hoje?

Não se pode evitar a filosofia. Chamo a filosofia de metalinguagem das metalinguagens. Metalinguagem é a linguagem que fala de outra linguagem. Se estou falando sobre um livro de poesia ou qualquer outra coisa, minha linguagem é metalinguística em relação a ele. A poesia é a metalinguagem das metalinguagens. A língua sobre a qual se fala é a língua-objeto. Não é possível falar da filosofia sem filosofar porque só a filosofia fala de si própria. A filosofia é a metalinguagem terminal e a poesia é a língua-objeto terminal. Então, você não pode atacar a filosofia sem ser filosófico. E a filosofia, justamente por isso, fala das últimas coisas, ou das primeiras. Ela fala sobre o ser de maneira geral, sobre o sentido da vida. A ética faz parte da filosofia, a estética, também. Não há como evitar. A filosofia puramente quer ser. Tem a ver com a razão e com o intelecto. A religião tem a ver com fé, emoção.

Está difícil falar de ética hoje no Brasil?

Um dos problemas que vejo no Brasil é que todas as ideologias tradicionais funcionam quase como uma religião. Os conjuntos de ideias que as pessoas tinham sobre o Brasil ou o mundo, aparentemente, falharam todos. Depois da queda da cortina de ferro, tudo falhou. Parece que não deu certo. As previsões e as esperanças para a esquerda não deram certo. A URSS não funcionou, a China maoísta, que era contra a URSS porque achava que tinha um marxismo-leninismo mais puro, não deu certo. Isso criou uma situação muito complicada para as pessoas que tinham essa ideologia, o que não quer dizer que as ideologias de direita sejam melhores ou funcionem melhor. Não acredito nisso. Na verdade, nenhuma deu certo. Agora é uma hora de se pensar de novo no que Marx realmente queria.

Como assim?

O materialismo histórico, que pretende ser o marxismo científico, não deu certo. A partir dele  previa-se, por exemplo, que a classe operária teria salários cada vez menores; que haveria uma queda da taxa de lucro dos capitalistas; que as tentativas das nações capitalistas de evitar as crises econômicas falhariam; que haveria revoluções socialistas nos países mais avançados, não nos menos avançados. Essas previsões falharam. Karl Popper, um pensador austríaco, dizia que a ciência – e Marx pensava que tinha feito uma filosofia científica – não pode estar sempre procurando provar que está certa, como faz o marxismo. Ao contrário, a verdadeira ciência está sempre procurando coisas que poderiam “desprovar” o que ela afirma. Está sempre se submetendo a testes. E enquanto os testes não destruírem a teoria científica, ela se segura. Mas pode vir alguém no futuro que faça uma experimentação e mostre que tudo está errado. A ciência é isso, está sempre ali sendo testada.

O que faz de um poema, um poema?

Essa coisa é muito difícil de responder. Já tive várias maneiras de falar desse assunto. Não existe uma definição que seja universalmente aceitável do que é poesia. Goethe dizia que a gente fala da poesia como uma das artes, mas isso está errado: a gente devia pensar em cada arte como sendo uma das várias formas de poesia. E poesia como se fosse um nome para as artes em geral. E tem a poesia que produz os poemas. Não só versos, porque há poemas em prosa e poemas visuais. O importante nas diferentes artes é que elas nos oferecem uma maneira de apreender o próprio ser, a vida, o mundo, diferente daquele que temos cotidianamente.

E como é nossa forma de ver o mundo no cotidiano?

É extremamente utilitária. A gente faz as coisas todas tendo em vista determinados propósitos, determinadas finalidades. Tudo é muito calculado. A gente apreende o mundo a partir dessa maneira de ver as coisas, cada coisa tem um sentido, serve para uma coisa. E a gente tende a ver as próprias pessoas assim. A poesia, não.

A poesia possibilita, como você fala em um dos textos do livro, uma nova dimensão do ser. Que dimensão?

A gente passa a apreender o mundo de uma maneira diferente quando entra num poema, numa pintura, numa peça musical. Nosso mundo se amplia porque a gente percebe as coisas de uma maneira que a gente não percebia antes. É como se fosse uma outra dimensão. Existe a dimensão utilitária e existe essa dimensão estética, usando essa palavra com cuidado porque muita gente pode apreender o próprio estético como utilitário, como se fosse o que a gente acha bonito. Não é isso, é uma coisa mais ampla. Vamos dizer, apreender de um  modo artístico a linguagem, sentir. Isso enriquece nossa maneira de estar no mundo. Devemos ter essa maneira de estar no mundo mesmo sem estar lendo um poema. É possível curtir as coisas de uma maneira diferente. A poesia nos leva a isso e nos abre muitas perspectivas sobre as diferentes coisas que estão no mundo e na nossa vida. E ela faz isso subvertendo a maneira normal de a gente realmente ver as coisas, captar, apreender.

Se falou muito da ligação entre música e poesia quando Bob Dylan ganhou o Nobel, mas no Brasil essa discussão existe há muito tempo. Falamos mais nisso por termos a música que temos? 

Acho que sim. No Brasil aconteceu mais fortemente do que nos outros países essa compreensão de que não é possível separar radicalmente o que é alta cultura, cultura erudita, do que é cultura popular. A ideia, que é uma ideia moderna e necessária, é que não se julgue uma obra a partir do lugar que a ela é convencionalmente designado. Se trata de uma obra erudita ou popular? Não. O que interessa é, primeiro, você olhar a própria coisa e ela ser capaz de ter esse efeito de que falei, estético ou artístico. Pode ser mais forte ou menos forte, mas isso não depende de ela ser erudita ou popular. O Bob Dylan pode, de repente, ter isso tão forte quanto um compositor de música erudita. Não dá mais para julgar com preconceito.

E qual o papel da Bossa Nova e da Tropicália nisso?

A bossa nova foi o movimento que realmente tematizou isso e compreendeu totalmente o que tinha acontecido. E quem fez isso mais claramente ainda foram os tropicalistas. Eles compreenderam totalmente essa situação e fizeram uma revolução nesse sentido. Isso foi muito importante. Foram eles que tornaram possível a gente compreender que aquela hierarquia tinha dançado.

Você vislumbra alguma outra revolução desse tipo possível na cultura brasileira?

Não. Mas acho que não precisa ter. Já foi feita essa revolução, já se sabe disso. O que tem é muita coisa muito ruim e algumas poucas coisas boas. Mas sempre foi assim, em todas as épocas e em todas as áreas. A gente sempre acha que agora é pior. Tenho a impressão de que quem viveu a experiência tropicalista pode ter isso muito forte. Eu vivi, mas tento me conter porque, às vezes, acho que ainda não deu tempo de perceber as coisas boas que estão sendo feitas. Há tanta coisa. A internet multiplicou. Todo mundo escreve poesia hoje. Mesmo quem não gosta. É estranhíssimo. E claro que a maior parte não é boa. Mas alguns poetas são muito bons.

A internet fez mal para a poesia?

Acho que não fez mal, mas permitiu a muita gente escrever. Isso tem um lado bom, talvez pessoas que não apareciam antes apareçam agora. Mas é que é tanta coisa que é muito difícil você filtrar. E demora um tempo. Essas coisas vão sendo filtradas com o tempo.