21.7.16

Jorge Luis Borges: "Las cosas" / "As coisas": trad. Josely Vianna Baptista



Ontem o poeta Erick Monteiro Moraes enviou-nos a tradução, por Josely Vianna Baptista, do seguinte -- belíssimo -- poema de Jorge Luis Borges. Resolvi postá-la aqui:



As coisas

A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, o baralho e o tabuleiro,
Um livro e entre suas folhas a esvaecida
violeta, monumento de uma tarde
Memorável, decerto, e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais e atlas, taças, cravos,
Servem-nos como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Nós já esquecidos, e durarão mais;
Sem nem saber que partimos, jamais.



Las cosas

El bastón, las monedas, el llavero,
La dócil cerradura, las tardías
Notas que no leerán los pocos días
Que me quedan, los naipes y el tablero,
Un libro y en sus páginas la ajada
Violeta, monumento de una tarde
Sin duda inolvidable y ya olvidada,
E1 rojo espejo occidental en que arde
Una ilusoria aurora. ¡Cuántas cosas,
Limas, umbrales, atlas, copas, clavos,
Nos sirven como tácitos esclavos,
Ciegas y extrañamente sigilosas!
Durarán más allá de nuestro olvido;
No sabrán nunca que nos hemos ido.




BORGES, Jorge Luis. "Las cosas". In:_____. Poesia. Edição bilingue. Trad. Josely Vianna Baptista. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.





Um comentário:

Geraldo Vicente Martins disse...

Muito bonito, poeta. Vou tomá-lo emprestado para postagem no facebook. Abraço!