16.2.14

Antonio Cicero: "Palavras aladas"





Palavras aladas

Os juramentos que nos juramos
entrelaçados naquela cama
seriam traídos, se lembrados
hoje. Eram palavras aladas
e faladas não para ficar
mas, encantadas, voar. Faziam
parte das carícias que por lá
sopramos: brisas afrodisíacas
ao pé do ouvido, jamais contratos.
Esqueçamo-las, pois, dentre os atos
da língua, houve outros mais convincentes
e ardentes sobre os lençóis. Que esses,
em futuras noites, em vislumbres
de lembranças, sempre nos deslumbrem.




CICERO, Antonio. Porventura. Rio de Janeiro: Record, 2012. 

4 comentários:

ADRIANO NUNES disse...

Cicero,


a beleza! Sim, pode-se dizer que se está diante da própria beleza quando se lê um poema tão bem construído, onde se percebe, nitidamente, o que dita Coleridge: "poetry,—the best words in their best order.". Como eu gostaria de ter escrito tão belo poema! Salve!


Abraço forte,
Adriano Nunes

MASTERKEY SKYPE ENGLISH CLASSES disse...

Caro poeta Antônio Cícero: venho lhe descobrindo pouco a pouco, sua poesia tem conversado comigo e fiquei sua super fã! Gostaria de saber se posso lhe enviar exemplares dos meus livros ou ainda, se posso lhe mandar poemas meus. Perdão pela ousadia... Um grande abraço.
Cecília Figueiredo - Brasil

Antonio Cicero disse...

Obrigado, Cecília Figueiredo. Pode sim. Aliás, hoje mesmo recebi dois poemas seus de que gostei. Parabéns!

Abraço

léo disse...

Muito bom,como sempre,poeta. Entre a palavra e o gesto, entre o tesão e a intenção, você, habilmente, movimenta a sua poesia. Evoé!!!