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7.4.18

Paul Celan: "Der uns die Stunden zählte" / "Aquele que nos contava as horas": trad. João Barrento e Y.K. Centeno





Aquele que nos contava as horas

Aquele que nos contava as horas
continua a contar.
Que estará ele a contar, diz?
Conta e torna a contar.

Não faz mais frio,
nem mais noite,
nem mais húmido.

Só aquilo que nos ajudava a escutar
agora escuta
para si sozinho.




Der uns die Stunden zählte

Der uns die Stunde zählte,
er zählt weiter.
Was mag er zählen, sag?
Er zählt und zählt.

Nicht kühler wirds,
nicht nächtiger,
nicht feuchter.

Nur was uns lauschen half:
es lauscht nun
für sich allein.




CELAN, Paul. "Der uns die Stunden zählte" / "Aquele que nos contava as horas". In:_____. Sete rosas mais tarde. Antologia poética.  Org. e trad.: João Barrento e Y.K. Centeno. Lisboa: Cotovia, 1996.

10.1.14

Paul Celan: "Fadensonnen" / "Sóis desfiados" : trad. João Barrento e Y.K. Centeno





Sóis desfiados
sobre o deserto cinza-negro.
Um pensamento alto-
como-árvore
capta o tom da luz: ainda
há canções para cantar do outro lado
dos homens.




CELAN, Paul. "Sopro, viragem". In_____. Sete rosas mais tarde. Antologia poética. Edição bilingue. Seleção, tradução e introdução de João Barrento e Y.K. Centeno. Lisboa: Cotovia, 1996.

25.12.08

Paul Celan: "Lob der Ferne" / "Elogio da distância: traduzido por João Barrento e Y.K. Centeno

.



Elogio da distância


Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui, coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula o baraço.




Lob der Ferne


Im Quell deiner Augen
leben die Garne der Fischer der Irrsee.
Im Quell deiner Augen
hält das Meer sein Versprechen.

Hier werf ich,
ein Herz, das geweilt unter Menschen,
die Kleider von mir und den Glanz eines Schwures:

Schwärzer im Schwarz, bin ich nackter.
Abtrünnig erst bin ich treu.
Ich bin du, wenn ich ich bin.

Im Quell deiner Augen
treib ich und träume von Raub.

Ein Garn fing ein Garn ein:
wir scheiden umschlungen.

Im Quell deiner Augen
erwürgt ein Gehenkter den Strang.



De: CELAN, Paul. "Mohn und Gedächtnis". In: Sete rosas mais tarde. Antologia poética. Seleção, tradução e introdução de João Barrento e Y.K. Centeno. Lisboa: Cotovia, 1996.