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6.3.22

Marco Lucchesi: "Luz"

 



Luz



modula


a pupila


nas trevas


o raio


do poema



em sua


tão densa


luz





LUCCHESI, Marco. "Luz". In:_____ Clio. São Paulo: Blblioteca Azul, 2014.

2.8.21

Marco Lucchesi: "Dalet"

 



Dalet



Mil 

rostos


nas sombras

do nada


descansam 

sseus olhos


e sangram

palavras...


as 

luminescentes


pupilas 

antigas


apagam

o fogo


nas águas

lustrais...


mil

rostos


descansam

os ohos


nas sombras

do nada


enquanto 

mil pedras


enquanto

mil homens


se perdem 

no abismo


por causa 

de um rosto





LUCCHESI, Marco. "Dalet". In:_____ "Alma Vênus". In:_____ Poemas reunidos. Rio de Janeiro: Record, 2000. 

23.1.21

Marco Lucchesi: "Beleza desnuda, cintilação"

 



Beleza desnuda, cintilação. A síntese intangível, acima das partes, da soma das partes. Não mais que lúcidos vestígios.

Ó sede que desenha os lábios da loucura.




LUCCHESI, Marco. "Beleza desnuda". In:_____.  Mal de amor. São Paulo: Patuá, 2018.

20.12.18

Vielimir Khliébnikov: "Мне мало надо!" / "Bem pouco me basta": trad. por Marco Lucchesi




Bem pouco me basta!
A crosta de pão
A gota de leite.
E mais este céu,
com as suas nuvens!






Мне мало надо!
Краюшку хлеба
И капля молока.
Да зто небо,
Да зти облака!






KHLIÉBNIKOV, Vielimir. "Мне мало надо!" / "Bem pouco me basta!". In:_____. Я и Россия. Eu e a Rússia. Trad. por Marco Lucchesi. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2014.

29.4.18

Marco Lucchesi: "Camões"




Camões




mais


belo


sol


quando


te


pões


nos rubros


mares


de Camões





LUCCHESI, Marco. "Camões". In:_____. Clio. São Paulo: Biblioteca Azul, 2014.

24.1.16

Marco Lucchesi: "Diferencial"




Diferencial


uma tela de números vertiginosa

insubmissa e que não cede

ao horizonte exacerbado de silêncio



Centelha que esplandece

aos olhos do futuro



E tudo que não diz

é como se dissesse







[Nota do autor:
Diferencial
Sobre a ambiciosa dromologia do cálculo.]




LUCCHESI, Marco. "Diferencial". In:_____. Hinos matemáticos. Rio de Janeiro: Dragão, 2015.

11.4.15

Djalal ad-Din Rumi: "Sentados no palácio duas figuras" / trad. de Marco Luccesi





Djalal ad-Din Rumi

Sentados no palácio duas figuras,
são dois seres, uma alma, tu e eu.

Um canto radioso move os pássaros
quando entramos no jardim, tu e eu!

Os astros já não dançam e contemplam
a lua que formamos, tu e eu!

Entrelaçados no amor, sem tu nem eu,
livres de palavras vãs, tu e eu!

Bebem as aves do céu a água doce
de nosso amor, e rimos tu e eu!

Estranha maravilha estarmos juntos:
estou no Iraque e estás no Khorasan.



RUMI, Djalal ad-Din. "Sentados no palácio duas figuras". Trad. de Marco Lucchesi. In: LUCCHESI, Marco. Poemas reunidos. Rio de Janeiro: Record, 2000.

19.9.12

Marco Lucchesi: "Ubi es, vita..."




Ubi es, vita...


O sono de Leopardi

o verbo de Clarice

e a sombra de Cioran


vida vida

eis o botim

dos que reclamam vida



LUCCHESI, Marco. "Temporais". In:_____. Poemas reunidos. Rio de Janeiro: Record, 2000.