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2.8.14
Fernando Mendes Vianna: "Ofício manual"
Ofício manual
Percorrer teu corpo com as mãos
como se mãos fossem pés de criança correndo na relva,
como se mãos fossem pés de lavrador percorrendo o campo.
Percorrer teu corpo
como as asas das garças percorrem o céu,
como as nadadeiras dos peixes percorrem a água.
Percorrer teu corpo
com o olhar de uma criança percorrendo um brinquedo
antes de segurá-lo,
com a risada de uma criança segurando o brinquedo.
Percorrer teu corpo
como o olhar percorre o vinho ainda na videira
e apoja de sumo nossa boca.
Percorrer teu corpo
como um pomar carregado e um jardim florido,
colhendo flores e colhendo frutos.
Percorrer teu corpo
como um rio espalhando o humo na terra.
VIANNA, Fernando Mendes. Marinheiro no tempo. Brasília: Thesaurus, 1986.
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Poema
15.3.09
Fernando Mendes Vianna: "Proclamação do barro"
.
Proclamação do barro
Proclamar a cor da terra, proclamá-la,
conclamando o barro desta estrela,
sitiado pelo sangue e pelo escarro.
Levantar o brilho deste astro,
rolado como lixo numa vala.
Clamar! Somos argila, argila,
nunca estátuas prontas de alabastro.
De: VIANNA, Fernando Mendes. "Proclamação do barro". Antologia pessoal. Brasília: Thesaurus, 2001.
Proclamação do barro
Proclamar a cor da terra, proclamá-la,
conclamando o barro desta estrela,
sitiado pelo sangue e pelo escarro.
Levantar o brilho deste astro,
rolado como lixo numa vala.
Clamar! Somos argila, argila,
nunca estátuas prontas de alabastro.
De: VIANNA, Fernando Mendes. "Proclamação do barro". Antologia pessoal. Brasília: Thesaurus, 2001.
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