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3.4.12
Adília Lopes: "Marianna e Chamilly"
Marianna e Chamilly
Quando partires
se partires
terei saudades
e quando ficares
se ficares
terei saudades
Terei
sempre saudades
e gosto assim
LOPES, Adília. Caderno. Lisboa: & Etc., 2007.
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Adília Lopes,
Poema
18.8.10
Adília Lopes: "Arte poética"
Arte poética
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
LOPES, Adília. Um jogo bastante perigoso. Lisboa: Edição da autora, 1985.
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Poema
4.1.10
Adília Lopes: "45 anos"
45 anos
É tempo
de regressar
a casa
A poesia
não está
na rua
LOPES, Adília. Le vitrail la nuit: a árvore cortada. Lisboa: Edição & etc., 2006.
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Poema
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