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11.3.19
Cassiano Ricardo: "Poética"
Poética
1
Que é a Poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos
os lados.
3
Que é o Poeta?
um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.
RICARDO, Cassiano. "Poética". In: Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.
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Poema
28.6.18
Cassiano Ricardo: "Tradução"
Tradução
A Renato Jobim
outer space
Kosmitchskoie prostranstvo
espace extra-athmosphérique
espacio ultra-terrestre
tradução:
espaço poético absoluto.
RICARDO, Cassiano. "Tradução". In:_____. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.
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Poema
15.1.16
Cassiano Ricardo: "Percurso"
Percurso
O arco-íris,
o urso.
Meus dois sustos
iniciais.
Mas o tempo
ponte que cresceu
entre mim e eu.
E por onde vim.
No enterro
de cada minuto,
pergunto:
quem morreu
em mim?
O arco-íris?
O urso?
RICARDO, Cassiano. "Percurso". In:_____. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.
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Poema
12.1.11
Cassiano Ricardo: "Em voz alta"
Em voz alta
Eu quis contar o meu maior segredo
sem encontrar ninguém que mo escutasse.
Pois ninguém quer ouvir a dor alheia.
O mundo é sempre mau : Voltou-me a face.
Chegue-me o bem que espero tarde ou cedo,
que me adianta gritar, se o céu é mudo?
se o segrédo que guardo no meu peito
por mais que eu grite fica sempre oculto?
Em vão falo em voz alta, subo a uma árvore,
quando tento contar o meu segredo.
Mal secreto como este nunca houve.
Maior não é o segrédo inconfessável,
mas o que fica em nós como um rochedo.
E quanto mais gritado menos se ouve.
RICARDO, Cassiano. In: CAMPOS, Paulo Mendes. Forma e expressão do soneto (org.) Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1952.
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Poema
14.11.08
Cassiano Ricardo: "A outra vida"
.
A outra vida
Não espero outra vida, depois desta.
Se esta é má
Por que não bastará aos deuses, já,
A pena que sofri?
Se é boa a vida, deixará de o ser,
Repetida.
RICARDO, Cassiano. O arranhacéu de vidro. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1956.
A outra vida
Não espero outra vida, depois desta.
Se esta é má
Por que não bastará aos deuses, já,
A pena que sofri?
Se é boa a vida, deixará de o ser,
Repetida.
RICARDO, Cassiano. O arranhacéu de vidro. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1956.
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