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Náusea ou é a morte que vem?
Entrega-te, meu coração.
Lutamos bastante.
E que minha vida cesse.
Não fomos covardes,
Fizemos o que pudemos.
Ah! Minha alma,
Partes ou ficas,
precisas decidir.
Não me tateies assim os órgãos,
Ora com atenção, ora com frenesi,
Partes ou ficas,
Precisas decidir.
Eu não aguento mais.
Senhores da morte,
Eu não vos blasfemei nem aplaudi.
Tende pena de mim, viajante já de tantas viagens sem malas,
Sem mestre tampouco, sem riqueza e a glória foi-se embora para outro lugar,
Sois potentes certamente, e esquisitos sobretudo,
Tende pena deste homem desvairado, que antes de ultrapassar a barreira já vos grita seu nome,
Agarrai-o em pleno voo,
Que ele se acostume, se conseguir, a vossos temperamentos e a vossos hábitos,
E se tiverdes a bondade de ajudá-lo, ajudai-o, eu vos suplico.
Nausée ou c'est la mort qui vient ?
Rends-toi, mon cœur.
Nous avons assez lutté.
Et que ma vie s'arrête.
On n'a pas été des lâches,
On a fait ce qu'on a pu.
Oh ! mon âme,
Tu pars ou tu restes,
Il faut te décider.
Ne me tâte pas ainsi les organes,
Tantôt avec attention, tantôt avec égarement,
Tu pars ou tu restes,
Il faut te décider.
Moi, je n'en peux plus.
Seigneurs de la Mort
Je ne vous ai ni blasphémés ni applaudis.
Ayez pitié de moi, voyageur déjà de tant de voyages sans valises,
Sans maître non plus, sans richesse et la gloire s'en fut ailleurs,
Vous êtes puissants assurément et drôles par-dessus tout,
Ayez pitié de cet homme affolé qui avant de franchir la barrière vous crie déjà son nom,
Prenez-le au vol,
Qu'il se fasse, s'il se peut, à vos tempéraments et à vos mœurs,
Et s'il vous plaît de l'aider, aidez-le, je vous prie.
De: MICHAUX, Henri. Ecuador. Paris: Gallimard, 1929.
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31.3.09
29.3.09
John Ashbery sobre Henri Michaux
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Apresentando a entrevista que fez com o poeta Henri Michaux, o poeta John Ashbery contou que
“Michaux não quer ser fotografado e se recusa até a permitir que um desenho que o retrate seja reproduzido. Os rostos o fascinam de modo horrível. Ele escreveu: “Um homem e seu rosto, é um pouco como se estivessem constantemente a se entredevorar”. A um editor que uma vez lhe pediu uma fotografia para publicar num catálogo, ele respondeu: “escrevo para revelar uma pessoa de cuja existência ninguém suspeitaria ao olhar para mim”. Essa declaração foi publicada no espaço que havia sido destinado ao seu retrato.
De: ASHBERY, John. "An interview with Henri Michaux". Reported sightings. Art chronicles 1957-1987. Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1991.
Apresentando a entrevista que fez com o poeta Henri Michaux, o poeta John Ashbery contou que
“Michaux não quer ser fotografado e se recusa até a permitir que um desenho que o retrate seja reproduzido. Os rostos o fascinam de modo horrível. Ele escreveu: “Um homem e seu rosto, é um pouco como se estivessem constantemente a se entredevorar”. A um editor que uma vez lhe pediu uma fotografia para publicar num catálogo, ele respondeu: “escrevo para revelar uma pessoa de cuja existência ninguém suspeitaria ao olhar para mim”. Essa declaração foi publicada no espaço que havia sido destinado ao seu retrato.
De: ASHBERY, John. "An interview with Henri Michaux". Reported sightings. Art chronicles 1957-1987. Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1991.
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