Mostrando postagens com marcador Ítalo Moriconi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ítalo Moriconi. Mostrar todas as postagens

15.5.21

Oswald de Andrade: "Pronominais"

 



Pronominais


Dê-me um cigarro

Diz a gramática

Do professor e do aluno

E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco

Da Nação Brasileira

Dizem todos os dias

Deixa disso camarada

Me dá um cigarro








ANDRADE, Oswald. "Pronominais". In: MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

20.1.17

Ítalo Moriconi: "Sem retorno"




Sem retorno

A sombra da terra de origem
esvaneceu-se, é como fiapos de nuvem
entre montanhas amenas, oliveiras,
percursos de trem
e um oceano inteiro, um salto
interplanetário, entre estrelas
apenas entrevistas.
O sortilégio do Amazonas, a foz,
as fontes inexauríveis do fluxo vital,
os cipós entrelaçados desde um tempo
de mais esfumada lembrança: enredos transgressivos
possivelmente ancestrais, é como um de-ene-ah!
Tudo se tornou longínquo, lendário,
material para um romance,
para um devaneio solitário.




MORICONI, Ítalo. "Sem retorno". In: _____. "Viagem à Itália". In: Candido. Jornal da Biblioteca Pública do Paraná, nº65, dezembro de 2016.

30.6.14

Cacaso: "Lar doce lar"




Lar doce lar

Minha pátria é minha infância:
Por isso vivo no exílio



CACASO. "Lar doce lar" In: MORICONI, Italo (org.). Destino Poesia. Antologia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

10.1.13

Mário Quintana: "Emergência"






Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
– para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.



QUINTANA, Mário. "Emergência". In: MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.