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25.1.20

Contardo Calligaris: "Qual o sentido de 'Brasil acima de tudo, Deus acima de todos?'"


Cito, abaixo, dois trechos do excelente artigo que o psicanalista Contardo Calligaris publicou, no dia 23 do corrente, em sua coluna da Folha de São Paulo. Ele está certo:



Qual é o sentido de ‘Brasil acima de tudo, Deus acima de todos?'



O brado nacionalista só serve como uma boa desculpa para não pensar com a cabeça que nos foi dada

Desde a campanha eleitoral de 2018, eu me pergunto qual é o sentido possível da divisa "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

"Deus acima de todos" só se entende se for completado assim: "...acima de todos os que acreditam nele". Para os que não acreditam em Deus, Ele (ou Ela, se for mulher) não está acima de coisa alguma. Para os que acreditam num deus que não é o nosso, o deus acima de todos seria o deles, e, às vezes, os dois deuses pensam diferente.

[...]

Mas vamos em frente. "Brasil acima de tudo" é mais estranho ainda. É uma retomada do primeiro verso do "Deutschlandlied": "Deutschland über Alles", Alemanha acima de tudo. As letras foram escritas em 1841, para lembrar que a urgência era a unificação da Alemanha (que era na época uma federação comercial de 35 monarquias e quatro cidades-Estado).

A primeira estrofe do canto se tornou o hino do nazismo, pois Hitler queria mesmo reunir todos os "alemães", quer eles fossem austríacos ou vivessem como minorias, na Tchecoslováquia, na Polônia, na Alsácia etc. (foi com esse pretexto que ele começou a invasão da Europa). Enfim, a estrofe é hoje proibida na Alemanha, pois se verificou que pôr a nação "acima de tudo" acaba autorizando qualquer turpitude.






CALLIGARIS, Contardo. "Qual o sentido de 'Brasil acima de tudo, Deus acima de todos?'". In: Folha de São Paulo. São Paulo, 23/1/2020.

23.10.18

Manifesto Internacional Contra o Fascismo no Brasil



Manifesto Internacinal Contra o Fascismo no Brasil

Nós, mulheres e homens de várias partes do mundo comprometidos com a Democracia e os Direitos Humanos, expressamos o mais profundo repúdio ao candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, que disputa o segundo turno da eleição presidencial no Brasil no próximo 28 de outubro.

As posições que o candidato tem sustentado ao longo de sua vida pública e nesta campanha eleitoral são calcadas em valores xenófobos, racistas, misóginos e homofóbicos.

O candidato de extrema-direita defende abertamente os métodos violentos utilizados pelas ditaduras militares, inclusive torturas e assassinatos.

Tais posições atentam contra uma sociedade livre, tolerante e socialmente justa.

A decisão que o povo brasileiro tomará no segundo turno das eleições presidenciais constituirá uma escolha de transcendental importância entre a liberdade e o pluralismo e o obscurantismo autoritário, com impactos duradouros não só para o Brasil mas para toda a América Latina e Caribe e o mundo.

Conclamamos as brasileiras e brasileiros a refletirem sobre a gravidade deste momento histórico.

Entre a democracia e o fascismo não pode haver neutralidade!


International declaration against fascism in Brazil

We, women and men, united in our commitment to democracy and human rights, express our unequivocal rejection of far-right candidate Jair Bolsonaro, a contender in the second round of Brazil’s presidential elections on October 28.

The positions that this candidate has defended throughout his public life and during the current electoral campaign are based on xenophobic, racist, misogynistic and homophobic values.

This far-right candidate openly defends the violent methods deployed by military dictatorships, including torture and assassinations.

Positions such as these are a threat to any free, tolerant and just society

In the second round of the election, the people of Brazil will be making a choice of paramount importance, between liberty and pluralism and retrograde authoritarianism, with a lasting impact, not only for Brazil but also for Latin America, the Caribbean and the rest of the world.

We call on Brazilians to reflect on the gravity of this pivotal moment in history.

There can be no neutrality in the choice between democracy and fascism!


Manifiesto Internacional contra el fascismo en Brasil

Nosotros, mujeres y hombres de varias partes del mundo comprometidos con la Democracia y los Derechos Humanos, expresamos el más profundo rechazo al candidato de extrema derecha Jair Bolsonaro, que disputa la segunda vuelta de las elecciónes presidenciales en Brasil el próximo 28 de
octubre.

Las posiciones que el candidato ha sostenido a lo largo de su vida pública y en esta campaña electoral son calcadas en valores xenófobos, racistas, misóginos y homofóbicos.

El candidato de extrema derecha defiende abiertamente los métodos violentos utilizados por las dictaduras militares, incluyendo torturas y asesinatos.

Tales posiciones atentan contra una sociedad libre, tolerante y socialmente justa.

La decisión que el pueblo brasileño tomará en esta segunda vuelta constituirá una elección de trascendental importancia entre la libertad y el pluralismo y el oscurantismo autoritario, con impactos duraderos no sólo para Brasil sino para toda América Latina y el Caribe y el mundo.

Llamamos a las brasileñas y brasileños a reflexionar sobre la gravedad de este momento histórico.

¡Entre democracia y fascismo no puede haber neutralidad!


Manifeste international contre le fascisme au Bresil

Nous, femmes et hommes, unis dans notre engagement en faveur de la démocratie et des droits de l'homme, exprimons la plus profonde condamnation au candidat d'extrême droite Jair Bolsonaro, candidat au second tour de l'élection présidentielle brésilienne du 28 octobre.

Les positions que ce candidat a défendues tout au long de sa vie publique et pendant la campagne électorale en cours reposent sur des valeurs xénophobes, racistes, misogynes et homophobes.

Ce candidat d'extrême droite défend ouvertement les méthodes violentes déployées par les dictatures militaires, notamment la torture et les assassinats.

Telles positions mettent en péril toute société libre, tolérante et juste.

Au deuxième tour des élections, le peuple brésilien fera un choix de la plus haute importance: d’un côté liberté et pluralisme, de l’autre autoritarisme rétrograde. La victoire du candidat d’extrême droite aurait un impact durable, non seulement pour le Brésil, mais également pour l'Amérique Latine, les Caraïbes et le reste du monde.

Nous invitons les brésiliennes et les brésiliens à réfléchir à la gravité de ce moment crucial de l’histoire.

Il ne peut y avoir de neutralité dans le choix entre démocratie et fascisme!

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Primeiros signatários | First signatories | Primeras firmas

1. Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, Argentina
2. Angela Davis, filósofa e ativista dos Direitos Civis, Estados Unidos
3. Bernie Sanders, senador, EUA
4. Costa-Gravas, cinéaste et président de la Cinémathèque française, Grece-France
5. Cristina Fernández de Kirchner, ex-presidenta de la Argentina
6. Danny Glover, ator e ativista, Estados Unidos
7. Dimitrius Christofias, ex-presidente da República de Chipre
8. Dominique de Villepin, ancien-premier ministre de la République Française
9. Eduardo Alberto Duhalde, ex-presidente da Argentina
10. Ernesto Samper, ex-secretário geral da UNASUL e ex-presidente da Colômbia
11. Felipe González, ex primero-ministro de España
12. Fernando Lugo, ex-presidente do Paraguai
13. François Hollande, ancien-Président de la Républiqe Française
14. Jorge Lara Castro, ex-ministro de Relaciones Exteriores, Paraguay
15. Jorge Taiana, diputado del Parlamento Mercosur, ex-ministro de Relaciones Exteriores, Argentina
16. José Pepe Mujica, ex-presidente de la República Oriental del Uruguay
17. Jorge Castañeda, escritor, ex-ministro de las Relaciones Exteriores, México
18. Manuel Castells, Wallis Annenberg Chair in Communication Technology and Society at the University of Southern California, Los Angeles, USA
19. Margaret Power, Professor of History and Chair of the Department of Humanities, Illinois Institute of Technology, USA
20. Marta Harnecker, escritora, Chile
21. Martin Schulz, ex-presidente doParlamento Europeu, deputado do Partido da Social Democracia, Alemanha
22. Massimo D' Alema, ex-primo ministro della Reppublica Italiana
23. Noam Chomsky, professor emérito em linguística do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e professor laureado de linguística da Universidade do Arizona, Estados Unidos
24. Pablo Iglesias, secretário general de PODEMOS, España
25. Paul Leduc, director de cine (Frida, Reed, México Insurgente), México
26. Pierre Salama, emeritus professor of Economics, University of Paris XIII, France
27. Pierre Sané, ancien-secrétaire général d'Amnistie Internationale et président du Imagine Africa Institute, Senegal
28. RA Prof. Dr. Herta Däubler-Gmelin, former Minister of Justice, Germany
29. Richard L. Trumka, president, AFL-CIO, USA
30. Sergio Arau, filmmaker, musician, Mexico
31. Tariq Ali, escritor, editor of New Left Review, London, UK
32. Thomas Piketty, professeur à l' École des Hautes Études en Sciences Sociales et at the Paris School of Economics, France
33. Vicente Fox, ex-presidente de la República de México
34. William Barber, reverend, protestant Minister, Political leader in North Carolina, President and senior lecturer of “Repairers of the Breach”, Estados Unidos
35. Yanis Varoufakis, economist, former Greek Minister of Finance and former Syriza member of the Hellenic Parliament, Greece
36. Yasmin Fahimi, presidenta do Grupo Parlamentar Germano-Brasileiro do Parlamento alemão e deputada do partido da Social Democracia/SPD, Alemanha
37. Adrienne Sordet, deputada estadual, Suiza
38. Alberto Acosta, economista, Ecuador
39. Alberto Cortés, filmmaker, Mexico
40. Alberto Fernández, ex-chefe de Gabinete de Nestor Kirchner e de Cristina Fernández de Kirchner, Argentina
41. Alessandra Oriolo, deputada estadual, Suiza
42. Alessandro Pelizzari, dirigente do sindicato Unia (Genebra), Suiza
43. Alex Borucki, Director, Latin American Studies Center, Associate Professor, History Department, University of California, Irvine, USa 44. Alexis Grivas, co-founder-member board of management, Guadalajara Film Festival, Mexico,
45. Alfredo Saad Filho, Professor of Political Economy, Dept of Development Studies, UK
46. Álvaro Díaz, economista, ex-embaixador do Chile no Brasil, Chile
47. Amy Chazkel, Associate Professor of History at the City University of New York, Queens College and the Graduate Center, CUNY (City University of New York)
48. Ana Esther Ceceña, Directora del Observatorio Latinoamericano de Geopolítica, UNAM,
Mexico
49. Ana Margarida de Carvalho, escritora, Portugal
50. Ana Miranda, diputad delParlamento Europeo, España
51. Andrea Pagni, Friedrich-Alexander-Univesität Erlangen-Nürnberg, Germany
52. Andrew Arato, Dorothy Hirshon Professor, New School for Social Research, New York, USA
53. Ángela Vallina, diputada del Parlamento Europeo, España
54. Anna M. Klobucka, Professor of Portuguese and Women's and Gender Studies, University of Massachusetts Dartmouth, USA
55. António Avelãs Nunes, professor catedrático jubilado da Faculdade de Direito de Coimbra, Portugal
56. António Filipe, deputado do Partido Comunista Português na Assembleia da República, Portugal
57. António Modesto Navarro, escritor, Portugal
58. Antonio Sergio Alfredo Guimaraes, Visiting Fellow, Lemann Institute of Brazilian Studies, University of Illinois at Urbana-Champaign, USA
59. Arménio Carlos, Secretário-Geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, Portugal
60. Arthur MacEwan, Professor Emeritus of Economics, University of Massachusetts Boston, USA 61. Assaf Kfoury, Professor of Computer Science, Boston University, USA
62. Augusto Praça, membro da Comissão Executiva da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, CGTP-IN, Portugal
63. Barata Moura, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Portugal
64. Bárbara Spinelli, deputata al Parlamento Europeo, Italia
65. Benjamin H. Bradlow, Brown University, USA
66. Bill Fletcher, Jr., ex presidente TransAfrica Forum, EEUU
67. Boaventura Monjane, jJornalista, Moçambique
68. Brodwyn Fischer, director of the Center for Latin American Studies, Professor of History at the University of Chicago, USA
69. Bruno Cany, professor de Filosofia na Universidade Paris 8, diretor do Cahiers Critiques de Philosophie, France
70. Carla Cruz, deputada na Assembleia da República, Portugal
71. Carlo Frabetti, scrittore, Italia
72. Carlo Petrini, presidente internazionale del Movimento Slow Food, Italia
73. Carlos Cortez Minchillo, Assistant professor, Dartmouth College, USA
74. Carlos Figueroa, Ph.D., Assistant Professor, Politics Department, Ithaca College City University of New York - Queens College & the Graduate Center, USA
75. Carlos Mota Soares, professor catedrático, Portugal
76. Carlos Ominami, ex-senador y director de la Fundación Chile21, Chile 77. Carlos Pellicer López, Independent Author, Mexico
78. Carlos Trindade, membro da Comissão Executiva da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, CGTP-IN, Portugal
79. Carol Landry, International Vice President, United Steelworks, EEUU
80. Cedric Johnson, Associate Professor, African American Studies and Political Science,
University of Illinois at Chicago, USA
81. Charles Davis, PhD Professor, Indiana University, USA
82. Christoph Wulf, professor na Freie Universität Berlin, vice-presidente da Comissão Nacional junto à Unesco, Alemanha
83. Clayola Brown, President, A. Philip Randolph Institute, EUA
84. Cornelia Butler Flora, Distinguished Professor of Sociology Emeritus, Iowa State University, Research Professor, Kansas State University
85. Cornelia Ernst, membro doParlamento Europeu, Germany
86. Costas Lapavitsas, University of London (SOAS Japan Research Centre; London Asia Pacific Centre for Social Science, Steering Committee Member, UK
87. Dario Azzellini, Cornell Univerisity, Ithaca, EEUU 88. David Swanson, Author, Director World BEYOND War, M.A. University of Virginia, EEUU
89. Deolinda Machado, membro da Comissão Executiva da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, CGTP-IN, Portugal
90. Dimitrios Papadimoulis, diputado del Parlamento Europeo, Greece
91. Diniz Cayolla Ribeiro, professor Auxiliar da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Portugal
92. Dr. Sarah Abel, Department of Anthropology, University of Iceland, Icelan . 93. Dylan Riley, Director of Graduate Studies, Professor of Sociology, University of California, Berkeley, EEUU
94. Edgar Romney, Secretary-Treasurer – Workers United, EUA
95. Edgardo Dieleke (filmmaker and professor), Phd, Princeton University, NYU, Buenos Aires / Universidad de San Andrés, UEEUU
96. Edgardo Lander, professor da Universidad Central de Venezuela, Venezuela
97. Eleni Varikas, Emerita Professor of Political Science and Gender Studies, University of Paris 8, CRESPPA , France
98. Eleonora Forenza, diputata al Parlamento Europeo, ITalia
99. Estefania Torres, diputada delParlamento Europeo, España
100. Fábio de Sá e Silva, Professor of International Studies and Wick Cary Professor of Brazilian Studies at the University of Oklahoma, USA
101. Fathi Triki, Titulaire de la chaire Unesco du vivre ensemble, Université de Tunis, Tunis
102. Federico Jesus Novelo Urdanivia, Doctor Federico J. Novelo Y Urdanivia, Departamento de Producción Económica, Universidad Autónoma Metropolitana, México
103. Florencia Garramuño, full professor and the Chair of the Humanities Department at the Universidad de San Andrés, Argentina
104. Frances Fox Piven, Distinguished Professor of Political Science and Sociology Emeritus, Graduate School of the City University of New York, USA
105. François Lefort, deputado estadual (República e estado de Genebra), Suiza
106. Fred Redmond, International Vice President, United Steelworkers, EEUU
107. Frederick Fuentes, editor Green Left Weekly, Australia
108. Frederico Gama de Carvalho, doutor em Física, presidente da Organização de Trabalhadores Científicos, Portugal
109. Fredric R. Jameson, Knut Schmidt-Nielsen Professor of Comparative Literature, Duke University, USA
110. Gabriele Zimmer, membro doParlamento Europeu, Germany
111. Gary Dymski, Professor of Applied Economics, Leeds University Business School
112. Georgi Pirinski, membro doParlamento Europeu, Bulgária
113. Geri Augusto, Gerard Visiting Associate Professor of International & Public Affairs and Africana Studies, Brown University, Watson Institute Faculty Fellow, Fulbright Scholar
114. Gerry Hudson, Executive Vice President – Service Employees International Union, EUA
115. Gianpaolo Baiocchi, Director of the Urban Democracy Lab, Professor of Individualized Studies and Sociology, New York University, EEUU
116. Gilberto López y Rivas, antropólogo, Mexico
117. Gillian McGillivray, Associate Professor of Latin American History, Glendon College, York University, Canada
118. Göran Therborn, Professor Emeritus of Sociology, University of Cambridge, UK
119. Grégoire Carasso, deputado estadual, Suiza 120. Guadalupe Sánchez Sosa, Film Director, Mexico
121. Guy Alain Aronoff, Lecturer, History Department, Humboldt State University, Arcata, California, EEUU
122. Hans Kretz, professor da Stanford University, Estados Unidos da América
123. Hans-Jörg Sandkühler, Professeur émérite de philosophie Département de philosophie de l’Université de Brême, Allemagne
124. Horacio Tarcus, CeDInCI, Conicet, Argentina 125. Howard Winant, Distinguished Professor of Sociology, University of California, EEUU 126. Ian Merkel, History and French Studies, New York University, EEUU 127. Ibrahim K. Sundiata, Spector Emeritus Professor, Brandeis University
128. Ilda Figueiredo, presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, Portugal
129. In-Suk Cha, Professor emeritus Seoul National University, Unesco Chair in Philosophy, South Corea
130. Ioanna Kucuradi, professor emérito da Universidade Maltepe, Istanbul, Turquia, Cátedra Unesco de Filosofia
131. Isabelle Laborde-milaa, professeur de Linguístique à l' Université Paris Est Créteil, France
132. Jaime Gazmurri, ex-senador, ex-embaixador do Chile no Brasil, Chile 133. James N. Green, Carlos Manuel de Céspedes Professor of Latin American History, Brown University; Distinguished Visiting Professor (Professor Amit), Hebrew University in Jerusalem
134. Javier Cous, diputado delParlamento Europeo, España 135. Jean Hébrard, Co-directeur du Centre de recherches sur le Brésil colonial et contemporain Ecole des Hautes Etudes en Sciences sociales,Paris
136. Jean Rossiaud, deputado estadual, Suiza 137. Jean-Pierre Garcia, Film festival Amiens, France
138. Jennifer Roth-Gordon, Associate Professor, School of Anthropology, University of Arizona, EEUU
139. Jessica Graham, Professor of History, University of California San Diego, EEUU
140. João Ferreira, deputado no Parlamento Europeu, Portugal
141. João Pimenta Lopes, deputado noParlamento Europeu, Portugal
142. Jocelyne Haller, deputada estadual, Suiza
143. John Burdick, Professor of Anthropology, Syracuse University, New York, EEUU 144. John Faulkner, SOAS, University of London, UK 145. John Weeks, Professor Emeritus of Economics, SOAS, University of London, UK 146. Jorge Javier Romero Vadillo, profesor en la Universidad Autónoma Metropolitana, Mexico
147. José António Gomes, professor Universitário, escritor, Portugal
148. Jose Cruz Campagnoli, Ex Diputado Nuevo Encuentro, Argentina
149. José Goulão, jornalista, escritor, Portugal
150. José Manuel del Val Blanco, CEIICH-UNAM, Mexico
151. Josiane Boulad-ayoub, professeur émérite de philosophie, Université du Québec à Montréal, Chaire Unesco de Philosophie, Canada
152. Juan Carlos Quintero Calvache, profesor de la Universidad Santiago de Cali, Colombia
153. Jude Kyrton-Darling, membro doParlamento Europeu, UK
154. Katerina Konecn, membro doParlamento Europeu, República Checa
155. Ken Neumann, President for Canada, United Steelworkers (USW)
156. Kostadisnka Kuneva, membro doParlamento Europeu, Grécia
157. Laura Nader, Professor of Anthropology at the University of California, Berkeley, EEUU
158. Laurence Fehlmann Rielle, deputada federal, Suiza
159. Leo Gerard, President United Steelworkers (USW), EUA
160. Leo Panitch, profesor Ciencia Política, Universidade York, Toronto, Canada
161. Liadh Ní Riada, membro doParlamento Europeu, Irlanda
162. Lisa Mazzone, deputada federal, Suiza
163. Lola Sánchez, diputada del Parlamento Europeo, España
164. Lorraine C. Minnite, Associate Professor of Public Policy, Rutgers University, Camden, EEUU
165. Lucía Melgar, Associate Researcher, ITAM, Mexico City, Mexico
166. Lucía Raphael de la Madrid, Instituto de Investigaciones Jurídicas, Universidad Nacional Autónoma de México, México 167. Luisa Riley, Filmmaker, México
168. Luke “Ming” Flanigan, deputado doParlamento Europeu, Irlanda
169. Lynn Boylan, deputada doParlamento Europeu, Irlanda
170. Lynne Fox, President – Workers United, Estados Unidos
171. Malin Bjork, deputado doParlamento Europeu, Suécia
172. Manuel Bertoldi, Movimiento Popular Patria Grande, Argentina 173. Manuel Pérez Cota, Universidad de Vigo, España 174. Manuel Rosaldo, Professor, The Pennsylvania State University, EEUU 175. Marc Becker, Professor of History, Truman State University, EEUU
176. Marco Aurelio Santana, Visiting Scholar, University of California, Berkeley 177. Marco Barrera Bassols, Museólogo y museógrafo, México
178. Margaret Power, Professor of History and Chair of the Department of Humanities, Illinois Institute of Technology, EEUU
179. Margo Glantz, miembro de la Academia Mexicana de la Lengua, México
180. Maria Lídia Senra Rodriguez, diputada del Parlamento Europeo, España
181. Maria-Aparecida Lopes, Professor of History, California State University, Fresno, EEUU
182. Marie Pierre Vieu, membro doParlamento Europeu, France
183. Marilia Librandi, Professor of Luso-Brazilian and Latin American Literature and Cultures, Stanford University, EEUU
184. Marina Albiol, diputada del Parlamento Europeo, España
185. Marisa Matias, diputada del Parlamento Europeo, Portugal
186. Markus Kroger, Landless Association in Finland, Finlandia
187. Martin Schirdewan, membro do Parlamento Europeu, Alemanha
188. Martin Staub, deputada estadual, Suiza
189. Martín Almada, Premio Nobel Alternativo 2002
190. Martina Anderson, membro do Parlamento Europeu, Irlanda
191. Mary Kay Henry, President Service Employees International Union, EEUU
192. Mathais Buschbeck, deputado estadual, Suiza 193. Matías Vernengo, Full Professor, Bucknell University, Pennsylvania, EEUU
194. Matt Carthy, membro do Parlamento Europeu, Irlanda
195. Maxine L. Margolis, Professor Emerita of Anthropology, University of Florida and Adjunct Senior Research Scholar, Institute of Latin American Studies, Columbia University, EEUU
196. Merja Kyllonen, membro do Parlamento Europeu, Filândia
197. Michael Lebowitz, economista, profesor emerito, Canada 198. Michael Löwy, Emeritus research director at the CNRS and lecturer at the École des Hautes Études en Sciences Sociales, France
199. Michael Meeropol, Professor Emeritus of Economics, Western New England University, Springfield, Massachusetts, EEUU
200. Michela Bovolenta, secretaria nacional do Sindicato do Setor público, Suiza 201. Michèle Ray Gravas, Film producer, France
202. Miguel Nicolelis, medico, neurocientista e professor titular da Duke University, EEUU
203. Miguel Urbán, diputado del Parlamento Europeo, España
204. Miguel Viegas, deputado no Parlamento Europeu, Portugal
205. Mónica Mansour, independent author, México 206. Natalia Pérez Turner, composer and actress, Mexico
207. Neoklis Sylikiotis, membro do Parlamento Europeu, Chipre
208. Nestor Francia, escritor, Venezuela
209. Nicolas Sánchez, graduate student at Duke University, Latin American Studies, EEUU. 210. Nico Nicole D. Legnani, assistant Professor of Colonial Latin American Studies, Department of Spanish and Portuguese, Princeton University, EEUU
211. Nikolaos Chountis, membro do Parlamento Europeu, Grécia
212. Paloma Lopez, diputada del Parlamento Europeo, España
213. Paolo Maria Fabbri, direttore del Centro Internazionale Scienzia Semiotiche (CiSS) all' Università die Urbino, Itália
214. Parick Le Hyaricm, deputé au Parlement Européen, France
215. Patrice Vermeren, professor emérito de Filosofia da Universidade Paris 8, França e professor da Universidade Nacional de Buenos Aires, Argentina 216. Patricia de Santana Pinho, Associate Professor, Latin American and Latino Studies, University of California, USA
217. Paul Lauter, Allan K. and Gwendolyn Miles Smith Professor of Literature Emeritus at Trinity College in Hartford, Connecticut, former President of the American Studies
Association, Francis Andrew March Award 2017, USA
218. Pedro Meira Monteiro, Professor and Chair of the Department of Spanish and Portuguese Studies, Princeton University
219. Pedro Pezarat Correia, Oficial General reformado, professor universitário jubilado da Universidade de Coimbra, Portugal
220. Peter Evans, emeritus Professor of Sociology, University of California, Berkeley, USA
221. Peter Kuznick, Professor of History, Director Nuclear Studies Institute, American University, Washington, D.C, EEUU
222. Philippe Tancelin, professeur émérite d’Esthétique, Université Paris 8, France
223. Pierre Eckert, deputado estadual, Suiza
224. Rachida Triki, Membre du Conseil Scientifique du Collège International de Philosphie, France
225. Rafael R. Ioris, Ph.D.- Associate Professor of Latin American History, History Department, Affiliated Faculty, Latin American Center, Joseph Korbel School of International Studies, University of Denver, EEUU
226. Raimundo C. Barreto, Jr., Ph.D., Assistant Professor of World Christianity, Princeton Theological Seminary, USA
227. Ramón Jáuregui Atondo, diputado del Parlamento Europeo, España
228. Rebecca Tarlau, professor, The Pennsylvania State University, USA
229. Renato Nunes Balbim, Visiting Scholar, University of California at Irvine 230. Richard Grossman, PhD, Northeastern Illinois University 231. Richard Williams, Lecturer, SOAS, University of London, UK
232. Rina Ronja Kari, membro do Parlamento Europeu, Dinamarca
233. Rita Rato, Deputada do Partido Comunista Português na Assembleia da República, Portugal
234. Robert Brenner, Director, Center for Social Theory and Comparative History, University of California Los Angeles, EEUU
235. Robert Darnton, Carl H. Pforzheimer University Professor, Emeritus University Librarian, Emeritus, Harvard University, EEUU
236. Robert S. DuPlessis, Isaac H. Clothier Professor of History and International Relations Emeritus, Swarthmore College, Pennsylvania, EEUU
237. Roberto Gualtieri, diputato al Parlamento Europeo, Italia
238. Rocío Escobar, ex-ministro da Cultura, Paraguay
239. Rosa Elena Montes de Oca, UNAM, Mexico
240. Rui Frati, acteur, directeur du Théâtre de l' Opprimé, Paris, France
241. Rui Namorado Rosa, professor catedrático da Universidade de Évora, Portugal
242. Ryan Lynch, University of California, Santa Barbara, USA
243. Sabine Lösing, membro do Parlamento Europeu, Germany
244. Salima Moyard, deputada estadual, Suiza 245. Sandra McGee Deutsch, Professor of History, University of Texas at El Paso, USA
246. Sean Mitchell, Associate Professor, Department of Sociology and Anthropology, Rutgers University, USA
247. Sebastian Agudelo, professor, Reitoria de Créteil e Universidade Paris 8, France
248. Sergio Bassoli, Confederazione Generale Italiana del Lavoro, Italia
249. Sergio Muñoz Bata, professor and journalist, Los Ángeles Times, EEUU
250. Serguei Panov, professor da National University of Technologies/MISIS, Rússia 251. Sherna Berger Gluck, Emerita faculty and Emerita Director Oral HIstory Program, California State University, Long Beach
252. Sofia Sakorafa, membro do Parlamento Europeu, Grécia
253. Stanley A. Gacek, Senior Advisor for Global Strategies, United Food and Commercial Workers International Union, Washington, D.C., USA
254. Stefan Eck, membro do Parlamento Europeu, Alemanha
255. Stelios Kouloglou, membro do Parlamento Europeu, Grécia
256. Stuart Applebaum, President, Retail, Wholesale Department Store Union, USA
257. Subir Sinha, Senior Lecturer in Institutions and Development, SOAS, University of London, UK 258. Sueann Caulfield, Associate Professor, University of Michigan, USA 259. Suzi Weissman, Professor, Saint Mary's College of California, USA
260. Sylvain Thévoz, diputado estadual, Suiza
261. Takis Hadjigeorgiou, membro doParlamento Europeu, Chipre
262. Tania Gonzalez, diputada del Parlamento Europeo, España
263. Teresa A. Meade, Florence B. Sherwood Professor of History and Culture, Director of Latin American & Caribbean Studies Program, Union College, New York, USA
264. Thomas J. Adams, Lecturer in History and American Studies, Academic Director, United States Studies Centre, Postgraduate Coordinator, Department of History, Coordinator of American Studies, School of Philosophical and Historical Inquiry and U.S. Studies Centre, University of Sydney, Australia
265. Thomas Palley, Independent Economist, Washington DC, EEUU
266. Valérie Piller-Carrard, deputada federal, Suiza
267. William Gonzalez, director del Departamento de Filosofia de la Universidad del Valle, Cali, Colombia
268. William Gudiño, Red Nacional de Comuneros y Comuneras, Venezuela
269. William Lucy, Trade Union Leader, Retired, Secretary-Treasurer- AFSCME, USA
270. William Mello, Associate Professor, Indiana University, EEUU
271. Xabier Benito, diputado del Parlamento Europeo, España
272. Yvan Ricordeau, Confédération française démocratique du travail, France
273. Agostinho Santos, Pintor e Jornalista, Portugal
274. Alain Vachier, Produtor Musical, Portugal
275. Albert Anor, professor aposentado, Suiza
276. Alberto Pessimo, Pintor, Portugal
277. Alberto Rabilotta, Periodista, Canada
278. Alexandra Lucas Coelho, Escritora, Portugal
279. Alexis Amariscua Aquino, Venezuela
280. Alfredo Campos, Membro do Executivo da Direcção Nacional da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
281. Alfredo Maia, Jornalista, Portugal
282. Alzira Arouca, Produtora Cultural, Portugal
283. Ana Biscaia, Ilustradora e Designer gráfica, Portugal
284. Ana Cristina Macedo, Professora do Ensino Superior Politécnico, Portugal
285. Ana Margarida Ramos, Professora Universitária, Portugal
286. Ana Maria Dragonetti, Argentina
287. Ana Souto, Professora e Dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
288. Ana Tamen, Professora Universitária, Portugal
289. Ana Vilela da Costa, Actriz, Portugal
290. André Silva, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Faculdade de Motricidade Humana e representante dos Estudantes no Senado da Universidade de Lisboa, Portugal
291. Angélique Duruz, Amnesty international, Suiza
292. Annina Rudolf, educadora, Suiza
293. António Faria, Artista Plástico, Portugal
294. António José Queiroz, Historiador, Portugal
295. António Saraiva Dias, Dirigente Associativo, Portugal
296. Anxo Tarrío Varela, Professor Catedrático, Portugal
297. Aristides Santana, Obrero, Cuba
298. Armand Mattelart, Sociologo, Francia
299. Arturo Villanueva Imaña, Sociologo, Bolivia
300. Augusto J. S. Fitas, Professor Universitário (reformado), Portugal
301. Aurélien Moreau, funcionário público, Suiza
302. Avelino Pacheco Gonçalves, Bancário e Professor, Portugal
303. Beatriz Goulart, Membro da Direcção Nacional da Ecolojovem, Portugal
304. Beatriz Rosende-Carrobio, sindicalista, Suiza
305. Benito Maeso, professor doutor do Instituto Federal do Paraná, Brasil
306. Bernard Streit, enfermeiro aposentado, Suiza
307. Blanca-Ana Roig Rechou, Professora Catedrática, Portugal
308. Brando Benifei, deputato al parlamento Europe, Italia
309. Camila Andrea Galindo M, Grupo de Estudio Economía Digna - GEED, Colombia
310. Camila Piñeiro Harnecker, Universidad de La Habana, Cuba
311. Carina Infante do Carmo, Professora Universitária, Portugal
312. Carla Barbosa, Presidente da Direcção da Academia de Música de Viana do Castelo, Portugal
313. Carlos Clara Gomes, Compositor, Encenador e Dramaturgo, Portugal
314. Carlos Franco, Vice-Presidente da Confederação Nacional de Jovens Agricultores de Portugal, Portugal
315. Carlos Ramadinha, Agente de Artistas, Portugal
316. Carmen Capdevila, Argentina
317. Carmenluz Valdés, Periodista, Chile
318. Catherine Rouvenaz, secretaria nacional da AGILE (Central das organizações de pessoas deficientes), Suiza
319. Cátia Terrinca, Actriz, Portugal
320. César Príncipe, Jornalista e Escritor, Portugal
321. Christian Dandrès, advogado, Suiza
322. Christophe Koessler, periodista (Le Courrier), Suiza
323. Claude Calame, professor honorário, Suiza
324. Claudia Caprez, educadora, Suiza
325. Cláudio Andrade, Músico, Portugal
326. Claudio Rugo, músico, Suiza
327. Cora Antonioli, professora, Suiza
328. Cristiane Costa Santana Zurkinden, médica, Suiza
329. Cristina Carvalhal, Actriz e Encenadora, Portugal
330. Cruz Santos, Editor, Portugal
331. Cucha Carvalheiro, Actriz, Portugal
332. Cynthia Zamorano, Músico, Portugal
333. Dario Borsari, professor, Suiza
334. David Andenmatten, sindicalista, Suiza
335. David Gygax, sindicalista, Suiza
336. David Raby, City Councillor, Norwich, Reino Unido
337. Demétrio Alves, Investigador Científico, Portugal
338. Diana Broggi, Movimiento Popular Patria Grande, Argentina
339. Domingos Lobo, Escritor, Portugal
340. Duarte, Fadista, Portugal
341. Edgardo Condeza Vaccaro, Presidente Movimiento por la Consulta y los DDHH, Chile
342. Eduardo Tamayo, periodista, Eucador
343. Elias J. Torres Feijó, Professor, Portugal
344. Elisabeth Longchamp-Schneider, funcionário pública, Suiza
345. Elsa Bruzzone, CEMIDA, Centro de Militares para la Democracia Argentina
346. Emília Silvestre, Actriz, Portugal
347. Enrique Arturo Muiños, Presidente Partido Frente Grande Provincia de Buenos Aires, Argentina
348. Ernesto Rodrigues, Escritor e Professor Universitário, Portugal
349. Fátima Rolo Duarte, Designer, Portugal
350. Fausto Neves, Pianista e Professor Universitario, Portugal
351. Felix Ovejero Torres, responsable de las Américas y de Cooperación Internacional para el Desarrollo Secretaría de Internacional y Cooperación, España
352. Fernanda Lapa, Encenadora, Portugal
353. Fernando Anastácio, Deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, Portugal
354. Fernando Correia, jornalista e professor universitário, Portugal
355. Flávia Gusmão, Actriz, Portugal
356. Francisco Duarte Mangas, Escritor, Portugal
357. Francisco Melo, editor, Portugal
358. Francisco Rego, Professor do Instituto Superior de Agronomia, Portugal
359. Francisco Villa, Musico, Chile
360. Françoise Escarpit, Periodista, Francia
361. Freitas de Sousa, Jornalista, Portugal
362. Gaétan Zurkinden, Sindicalista, Suiza
363. Gilbert d’Alessandro, conductor de ómnibus, Suiza
364. Gilberto Lopez Amador, Medico, Mexico
365. Giulio Santosuosso, Venezuela
366. Gloria Iraima Mogollón Montilla, Venezuela
367. Gustavo Videla, Asociación Civil y Centro Cultural Latinoamericana, Argentina
368. Guy Zurkinden, Jornalista, Suiza
369. Hector Turbi, Republica Dominicana
370. Helena Mancelos, Artista Plástica e Animadora Cultural, Portugal
371. Henrique Barreto Nunes, Bibliotecário, Portugal
372. Henrique Canuto, Membro da Associação de Estudantes da Escola Secundária Matias Aires, Portugal
373. Horacio Tarcus, historiador, CeDInCI, Argentina
374. Iara Heredia, professora e realizadora, Suiza
375. Inês Fontinha, Socióloga e Membro do Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
376. Isabel Cruz, Técnica Superior na Área Desportiva e Dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
377. Isabel Magalhães, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
378. Isabel Moreira, Deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, Portugal
379. Isabel Pires, Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Portugal
380. Javier de Vicente, Union Social Obrera, España
381. Jean Parrat, funcionário público, Suiza
382. Joana Monteiro, Designer Gráfica, Portugal
383. Joana Mortágua, Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Portugal
384. Joana Ruas, Escritora, Portugal
385. João Arsénio Nunes, Investigador de História Contemporânea, Portugal
386. João Dinis, Membro do Executivo da Direção Nacional da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
387. João Manuel Ribeiro, Escritor e Editor, Portugal
388. João Paulo Coutinho, Jornalista, Portugal
389. João San Payo, Músico, Portugal
390. Jorge Aires, Major-General (reforma), Portugal
391. Jorge Sarabando, Publicista, Portugal
392. José Emílio-Nelson, Escritor e Licenciado em Economia, Portugal
393. José Estêvão Alves, Major-General (reforma), Portugal
394. José Luís Ferreira, Deputado do Partido Ecologista “Os Verdes” na Assembleia da República, Portugal
395. José Manuel Jara, médico psiquiatra, Portugal
396. José Manuel Pureza, Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Portugal
397. José Miguel Pacheco, Membro da Coordenadora Europeia da Via Campesina, Portugal
398. José Viale-Moutinho, Escritor, Portugal
399. Júlia Pintão, Artista Plástica, Portugal
400. Juliana Cardos da Cunha, atriz, Portugal
401. Katharina Prelicz-Huber, professora, Suiza
402. Laura Yanella, Coperativa de Trabajo para la comunicación Social, Argentina
403. Laurent Berger, Confederación Francesa Democrática del Trabajo, Francia
404. Laurent Tettamanti, sindicalista, Suiza
405. Lidia Baltra Montaner, Periodista, Chile
406. Lidice Valenzuela, Periodista, Cuba
407. Lionel Roche, sindicalista, Suiza
408. Lisa Wys, trabalhadora social e funcionária pública, Suiza
409. Luis Bonilla-Molina, Candidato a la Secretaria Ejecutiva de CLACSO
410. Luís Silva, Membro do Secretariado da Direcção Nacional da Juventude Comunista Portuguesa, Portugal
411. Luís Varatojo, Músico, Portugal
412. Luísa Ortigoso, Actriz, Portugal
413. Luísa Quintela, Médica Psiquiatra e Presidente da Direção do Centro Cultural do Alto Minho, Portugal
414. Manu Leiggener, jurista, Suiza
415. Manuel Gusmão, Poeta e Crítico, Portugal
416. Manuela Góis, Profesora jubilada, Portugal
417. María Elena Saluda Argentina
418. Maria Juana Etcheverry, Argentina
419. Maria Luiza Franco Busse, periodista, Brasil
420. Mariano Fandos, Confédération française démocratique du travail, France
421. Marie Claude Levesque, Canada
422. Marina Albuquerque, Atriz
423. Mário Alves, Presidente da Associação Intercultural, Portugal
424. Mário Cláudio, Escritor, Portugal
425. Mário de Carvalho, Escritor, Portugal
426. Mário Pádua, Médico e Escritor, Portugal
427. Martha Eugenia Lanza Menese, Bolivia
428. Martha Houston, EEUU
429. Martin Ogando, Movimiento Popular Patria Grande, Argentina
430. Mayla Dimas, Actriz e Encenadora, Portugal
431. Miguel Soares, Tradutor, Portugal
432. Milka Miskovic, secretaria, Suiza
433. Miroslavs Mitrofanovs, deputado do Parlamento Europeu, Letónia
434. Mitó, músico, Portugal
435. Niurka Pérez Rojas, profesora de Mérito, Universidad de La Habana, Cuba
436. Noémia Moreira, Professora Universitária, Portugal
437. Olga Cecilia Hermosilla Pacheco, Chile
438. Olga Macedo, Historiadora, Portugal
439. Osvaldo León, comunicólogo, Ecuador
440. Pablo Anzalone, Uruguay
441. Paolo Gilardi, professor aposentado, Suiza
442. Patrick Koble, presidente do Partido Comunista Alemão
443. Paula Guedes, Actriz, Portugal
444. Paulo Bateira, Médico, Portugal
445. Paulo Moreira Lopes, Advogado, Portugal
446. Pedro Bacelar de Vasconcelos, Deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, Portugal
447. Pedro Fernandes, Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciência
Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Portugal
448. Pedro Guzmán Pérez, Red Nacional de Agricultura Familiar, Colombia
449. Pedro Massano, Representante dos Estudantes no Senado da Universidade de Lisboa, Portugal
450. Pedro Penilo, Artista Plástico, Portugal
451. Pedro Santos, Membro do Executivo da Direcção Nacional da Confederação Nacional da Agricultura, Portugal
452. Penelophe Pinheiro, socióloga, Suiza
453. Peter Bohmer, The Evergreen State College, Olympia WA, EEUU
454. Peter Steiniger, Periodista, Alemania
455. Pierre Dufour, trabalhador social aposentado, Suiza
456. Rafael Lamas, Fédération Générale du Travail de Belgique, Belgique
457. Regina Marques, Professora do Ensino Superior e Dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
458. Rita Lello, Actriz e Encenadora, Portugal
459. Rogério Reis, Professor Universitário, Portugal
460. Rolando Morales, Docente Universitario, Bolivia
461. Rosa Bela Cruz, Pintora, Portugal
462. Rosemonde Guignard, educatora aposentada, Suiza
463. Rui Vaz Pinto, Economista, Portugal
464. Sally Burch, periodista, británica-ecuatoriana
465. Sandra Benfica, empregada e dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, Portugal
466. Sandra Modica, professora, Suiza
467. Sara Reis da Silva, Professora Universitária, Portugal
468. Sébastien Guex, professor, Suiza
469. Sergio Ferrari, jornalista, Suiza
470. Sérgio Manso Pinheiro, Geógrafo, Portugal
471. Sérgio Ribeiro, doutor em Economia, Portugal
472. Soares Novais, Jornalista, Portugal
473. Stéphane Trummer, trabalhador social, Suiza
474. Susana Duarte, Programadora Cultural, Portugal
475. Sylvette Lemaire, dona de restaurante, Suiza
476. Tania Zinoviev, sindicalista, Suiza
477. Teresita García Lopez, Periodista, Cuba
478. Tiago Salazar, Escritor, Portugal
479. Tiago Santos, Músico, Portugal
480. Vanessa Monney, sindicalista, Suiza
481. Vasco Paiva, Engenheiro Florestal, Portugal
482. Vasco Pimentel, Director de Som, Portugal
483. Victor Rios, Historiador, España
484. Vitor Pinto Basto, Jornalista, Portugal 485. Vitor Rodrigues, Engenheiro Agrário, Portugal
486. Wolfgang Mueller, trabalhador no Hospital público (Fribourg), Suiza
487. Zeferino Coelho, editor, Portugal

17.10.18

Carta de Luiz Schwarcz contra Jair Bolsonaro



Carta que o editor Luiz Schwarcz, presidente do Grupo Companhia das Letras enviou aos autores, editores e livreiros:


Não costumo me manifestar publicamente e nunca pedi voto ou sugeri votar em qualquer candidato. Posicionei a linha editorial do Grupo Companhia das Letras com independência em relação às minhas opções políticas, mas com ênfase clara em causas justas, publicando livros de apoio a minorias, que refletem a pluralidade e são contra a discriminação racial e a favor da liberdade de expressão.

Tenho uma visão pouco positiva sobre parte importante do legado dos anos do PT no poder, e espero que Fernando Haddad ainda mostre que a esquerda é capaz de fazer autocrítica, que a volta do partido ao poder seria embasada no reconhecimento de erros pregressos, oriundos da associação a formas viciadas e incorretas da prática política no Brasil, em proporções inimagináveis e contrárias à origem e vocação de um verdadeiro partido dos trabalhadores.

Por acreditar na possibilidade de que um PT renovado se apresente numa nova gestão nacional, se comprometendo, por exemplo, com políticas de equilíbrio fiscal, sugiro a todos os colegas editores que prezam a liberdade de expressão que votem em Fernando Haddad, se posicionando contra o discurso difusamente preconceituoso, contra o autoritarismo e a intolerância, símbolos do outro polo que se anuncia como alternativa no segundo turno desta eleição. A candidatura de Bolsonaro é falsamente nova e é irmã de tempos tenebrosos de nossa vida política e cultural.

Construímos nas últimas décadas um mercado editorial vigoroso, tivemos governos comprometidos com a educação e especificamente com a formação de leitores e de bibliotecas públicas, que levaram o livro a quem não pode comprá-lo devido ao histórico fosso social de nosso país. Isso foi feito de maneira criativa e inédita por governos como o de Fernando Henrique Cardoso e o de Lula, que acreditavam na educação. Fernando Haddad se destacou nessa área como ministro, o que também o qualifica para contar com o voto da classe editorial. Além disso, ele coloca a educação entre as prioridades do país, e não podemos aceitar menos que isso de nenhum candidato. Seu perfil moderado dentro do partido nos permite viver a esperança de que os inúmeros equívocos do PT, em várias áreas, não se repitam e que o partido volte aos compromissos que marcaram sua origem.

Autores, editores e livreiros têm força para pedir a todos que prezam a democracia que contribuam, criticamente, se unindo em favor da tolerância e da liberdade de expressão, que estão ameaçadas. Falta um gesto mais claro do PT em busca de um governo de coalização, mas os futuros danos à democracia têm sido verbalizados pelos seguidores do PSL continuamente e são graves.

Temos que afastar o grande risco de retroceder décadas em aspectos fundamentais da nossa vida pessoal e profissional. Desejo um bom voto a todos.


Luiz Schwarcz

9.10.18

Manuel Castells: "Carta aberta aos intelectuais do mundo"



Carta aberta de Manuel Castells aos intelectuais do mundo
Publicado em: outubro 8, 2018

Manuels Castells (*)

Amigos intelectuais comprometidos com a democracia:

O Brasil está em perigo. E, com o Brasil, o mundo. Porque, depois da Eleição de Trump, a tomada do poder por um governo neofascista na Itália e da ascensão do neonazismo na Europa, o Brasil pode eleger presidente um fascista, defensor da ditadura militar, misógino, sexista, racista e xenófobo, que obteve 46% dos votos válidos no primeiro turno da eleição presidencial. Pouco importa quem seja seu oponente. Fernando Haddad é a única alternativa possível. É um acadêmico respeitável e moderado, candidato pelo PT, um partido hoje em dia desprestigiado por ter se envolvido no processo de corrupção generalizado do sistema político brasileiro. Mas a questão não é o PT, mas sim uma presidência de um Bolsonaro capaz de dizer a uma deputada, em público, que ela “não merece ser estuprada”. Ou que o problema da ditadura não foi a tortura, mas sim que não tivesse matado mais ao invés de torturar.

Em uma situação assim, nenhum intelectual, nenhum democrata, nenhuma pessoa responsável do mundo em que vivemos, pode ficar indiferente. Eu não represento ninguém além de mim mesmo. Nem apoio nenhum partido. Acredito, simplesmente, que se trata de um caso de defesa da humanidade. Se o Brasil, o país decisivo da América Latina, cair em mãos desse desprezível e perigoso personagem, e dos poderes fáticos que o apoiam, os irmãos Koch entre outros, nos precipitaremos ainda mais fundo na desintegração da ordem moral e social do planeta, a qual estamos assistindo hoje.

Por isso, escrevo a todos vocês, aos que conheço e aos que gostaria de conhecer. Não para que subscrevam essa carta como se fosse um manifesto de políticos, mas sim para pedir-lhes que tornem pública, em termos pessoais, sua petição para uma ativa participação no segundo turno das eleições presidenciais, dia 28 de outubro, e nosso apoio a um voto contra Bolsonaro, argumentando segundo o que cada um pensa e difundindo sua carta por meio de seus canais pessoais, redes sociais, meios de comunicação, contatos políticos, qualquer formato que difunda nossos protestos contra a eleição do fascismo no Brasil. Muitos de nós temos contatos no Brasil, ou temos contatos que têm contatos. Contate-mo-los. Um what’s é suficiente, ou uma chamada telefônica pessoal. Não vai nos fazer um falta uma #. Somos pessoas, milhares, milhões potencialmente falando, no mundo e no Brasil. Ao longo de nossa vida, adquirimos com nossa luta e integridade uma certa autoridade moral. É hora de utilizá-la neste momento antes que seja muito tarde.

Eu farei isso, já estou fazendo. E rogo, simplesmente, que cada uma e cada um faça o que possa.

(*) Doutor em sociologia pela Universidade de Paris, é professor nas áreas de sociologia, comunicação e planejamento urbano e regional e pesquisador dos efeitos da informação sobre a economia, a cultura e a sociedade.

Tradução: Marco Weissheimer

28.7.18

"As artes plasticas hoje": Mesa redonda na ABL




Às 17h30m do dia 31 do corrente mês, terça-feira, terá lugar, no Teatro R. Magalhães Pinto, na Av. Presidente Wilson, 203, a mesa redonda "As artes plásticas hoje", que será coordenada por mim.Dela participarão Paulo Sergio Duarte e Paulo Venancio Filho, dois dos mais importantes críticos e curadores de arte no Brasil. Essa mesa-redonda fará parte do seminário "Brasil, brasis", concebido e coordenado pelo Acadêmico Domício Proença Filho.



18.6.18

Entrevista de Eduardo Giannetti a Felipe Betim, do EL PAÍS



Recomendo a leitura da seguinte – excelente – entrevista do economista e filósofo Eduardo Gainnetti. Ela foi originalmente publicada na edição portuguesa do jornal espanhol El País (https://brasil.elpais.com), em 14 de junho de 2018. O entrevistador é Felipe Betim, do El País. No seu site original, o endereço da entrevista é: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/06/05/politica/1528235313_705168.html


El País
Eduardo Giannetti | Economista e filósofo

Giannetti: “O ritmo de retomada desaponta, mas não sei onde estaríamos com Dilma”

Economista e filósofo assessora Marina Silva, a quem julga a mais comprometida com o país.
Para Eduardo Giannetti, Temer tinha um bom plano de Governo, mas só faz sobreviver desde 2017

São Paulo 14 JUN 2018 - 03:14 CEST

Quando lançou em 2016 o livro Trópicos Utópicos (Companhia das Letras), Eduardo Giannetti da Fonseca (Belo Horizonte, 1957) idealizava um Brasil que se apresentasse como alternativa aos modelos já conhecidos e uma nação que, pautada por seus próprios valores, percorre seu próprio caminho rumo ao desenvolvimento. O economista e filósofo retoma e se aprofunda no tema ao lançar agora O elogio do vira-lata e outros ensaios, uma coletânea de textos escritos entre 1989 e 2018 que reflete as mudanças pessoais pelas quais passou: "Eu era um jovem pesquisador com a pretensão de contribuir com o debate de ideias para a modernização do Brasil. Achava que o país precisava de uma injeção de liberalismo clássico", diz ele. "Hoje, me preocupa mais a construção de um Brasil que não seja uma cópia piorada dos países do norte. Me instiga a construção de uma originalidade brasileira diante de um mundo ocidental que não oferece mais sonhos e promessas de mudança genuína".

Assim, a primeira parte do livro, intitulada Enredos Brasileiros, fala sobre aspectos da psicologia brasileira, grandes questões nacionais e suas preocupações com a cultura. Ele aborda, por exemplo, o conhecido complexo de vira-lata do brasileiro e faz uma defesa de sua "condição de vira-lata". Também aborda o que chama de paradoxo do brasileiro. "Cada brasileiro, quando olha para si, se sente muito diferente e acima de tudo isso que aí está. Mas todos nós juntos somos exatamente tudo isso que aí está. É como se o brasileiro fosse o outro, sempre, e ninguém se reconhece no coletivo que somos nós juntos", explica.

Giannetti é também, junto com o economista André Lara Resende, colaborador da pré-candidata Marina Silva (REDE). Ao EL PAÍS, argumenta que a greve dos caminhoneiros mostrou que "a sociedade brasileira não tolera mais um sistema de governo em que o Estado dá a entender que a sociedade existe para servi-lo, e não o contrário". Ele critica uma política de preços da Petrobras baseada em reajustes diários de acordo com a cotação do dólar e os preços internacionais do Petróleo, algo "tecnocrática e de desconhecimento da vida comum".

Pergunta. Um dos seus textos no livro que você acaba de lançar é uma resenha de um livro do Roberto Mangabeira Unger sobre o que a esquerda deveria fazer. O que acha que ela deveria fazer?

Resposta. A minha grande bandeira, aspiração, é um Brasil em que a condição social, a condição de gênero, a condição de etnia em que a pessoa nasce não a prejudique de nenhuma maneira. Que ela tenha absoluta igualdade de oportunidade para a formação de suas capacidades de modo que ela tenha uma vida a mais plena possível. Estamos muito longe disso no Brasil, mas o caminho é a igualdade de oportunidades. Não me incomoda que as pessoas tenham desigualdade na chegada, desde que a igualdade tenha existido na partida. As pessoas tem valores diferentes, tem sonhos diferentes... Nem todo mundo, felizmente, está disposto a sacrificar tanto a vida em nome de valores financeiros e econômicos. As pessoas são diferentes e é bom que assim seja.

P. Mas a desigualdade na chegada tem que ser tão grande como é hoje no Brasil?

R. A desigualdade na chegada brasileira é totalmente viciada e deturpada por uma obscena desigualdade na partida. E isso envenena as relações sociais no Brasil. Elas são tóxicas. A maneira de corrigir isso é buscado uma equalização da igualdade de oportunidades. E temos que concentrar tudo o que for possível para corrigir essa distorção que nos acompanha desde nossa origem como nação. Mas, hoje, o estado brasileiro é um grande concentrador de renda.

P. Você está assessorando outra vez a Marina Silva [pré-candidata a presidência pela REDE]? Que papel terá em sua campanha?

R. Eu me dispus a ajudar na formulação de propostas. Estou contribuindo com o que eu puder para que isso aconteça. Fiquei muito feliz de estar trabalhando nesse projeto com uma pessoa que admiro enormemente, o André Lara Resende. Ele também está se dispondo com a formulação de propostas e ideias que possam ser implementadas por um Governo Marina.

P. No que diferencia a Marina Silva de outras candidaturas consideradas liberais, como a de Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) ou João Amoêdo (NOVO)?

R. Estou acompanhando e colaborando com a Marina Silva desde 2010. Uma liderança como a dela é rara em qualquer lugar do mundo, porque é calcada em compromisso ético. Nenhum outro líder político brasileiro tem um grau de comprometimento com ética como a Marina Silva. Ela é a única capaz de trazer para o centro da agenda duas questões definidoras do nosso futuro: educação e meio ambiente. Economia é meio, não é fim. O importante é deixar nossa economia organizada para que nós possamos concentrar nossas atenções, como governo e como nação, naquilo que definirá nosso futuro. Não vejo ninguém mais apto e preparado a fazer esse projeto de estadista, de futuro, e com os valores corretos, do que Marina Silva.

P. Acabamos de sair de uma longa greve de caminhoneiros. Que balanço e que lições você faz dessa paralisação?

R. Me dei conta nesses últimos dias das semelhanças entre junho de 2013 e maio de 2018. São movimentos que começam localizados em torno de questões aparentemente muito setoriais: os 20 centavos, os 46 centavos. Transporte. São movimentos que rapidamente ganham a sociedade. A adesão é fortíssima e rápida, e acho que as novas tecnologias têm papel nisso. O sentimento todo da sociedade se mobiliza. E realmente toma conta do cenário. Não tem muita liderança centralizada, se espalha rapidamente e coloca o governo contra a parede. E depois tem uma dinâmica em que grupos minoritários radicais e violentos passam a tentar instrumentalizar o movimento. Os black blocs lá, e os pedidos por intervenção militar agora. A dinâmica é parecida. Por trás dos dois casos está um sentimento de que a sociedade brasileira não tolera mais um sistema de governo em que o Estado dá a entender que a sociedade existe para servi-lo, e não o contrário. Nós transferimos para os governantes, para o Estado brasileiro, uma fatia enorme do resultado do trabalho. A carga tributária é de 34% do PIB, o déficit nominal é 6% do PIB, o que significa que 40% de todo o valor criado pelo trabalho dos brasileiros transita pelo setor público. E a sociedade não vê contrapartida. Metade dos domicílios não tem nem sequer saneamento básico, a coisa mais elementar de uma vida digna. Como a educação fundamental, a saúde pública, a segurança, o transporte coletivo continuam tão precários? Tem alguma coisa profundamente errada nas finanças públicas brasileiras. A tentativa que vem sendo feita de 1988 pra cá, de acomodar a pressão para os gastos pelo aumento da carga tributaria, sistematicamente, esgotou. Acabou o ciclo de expansão fiscal. Então vamos ter que entrar em outro tipo de jogo. O que está por trás disso é uma demanda de mudar profundamente o modo como o Estado brasileiro direciona os recursos. Outro elemento fundamental desse sentimento de revolta hoje foram as revelações da Lava Jato, que mostrou como nunca antes o modo de se fazer política.

P. Se você estivesse dentro do governo, como resolveria a questão? Que política de preços a Petrobras deve adotar?

R. Não sou um pessoa boa de formulação e execução. Não me meto no Executivo e não é meu perfil. Mas uma coisa bem especifica e técnica é que acho uma maluquice corrigir preço do derivado do petróleo todos os dias, de acordo com dois preços altamente voláteis como o preço do petróleo no mercado internacional e o regime de cambio flutuante. Isso é uma ideia tecnocrática e de total desconhecimento da vida comum. A governança das estatais melhorou dramaticamente, acho que eles estão fazendo um trabalho muito bem vindo de profissionalização da gestão. Mas no caso específico da metodologia de correção dos derivados do petróleo, eles foram tecnocráticos e equivocados. Nós vamos de um extremo ao outro, porque antes a Dilma era de um intervencionismo desastrado. De repente, vamos para um fundamentalismo de mercado que torna o preço do gás de cozinha, do diesel e da gasolina um ativo financeiro, que varia fortemente para cima e para baixo todos os dias. Precisamos ter realismo tarifário, mas também um suavizador.

P. A paralisação mostra algumas contradições e complexidades. As pessoas querem menos impostos e mais serviços públicos universais. Apoiam a greve dos caminhoneiros, mas não aceitam pagar a conta.

R. Já está pagando muito mais do que deveria. No caso do preço médio dos remédios, 36% é imposto. Na gasolina e no diesel chega a ser mais do que isso. Não dá mais para acomodar os conflitos aumentando a carga tributária, isso chegou no limite. Precisamos repensar agora por que um Estado pelo qual transitam 40% do valor criado pelos brasileiros não atende as necessidades mais elementares das políticas públicas. O Bolsa Família é meio por cento do PIB, é a migalha que cai da mesa. E olha o impacto que isso tem na vida de milhões de brasileiros.

Uma das questões que tem que ficar claro é o sistema de castas da previdência brasileira. O benefício médio de aposentadoria do INSS, para o cidadão comum, é de 1.300 reais comum. Esse valor sobe, no Executivo federal, para 7.000 reais por mês. No Legislativo, são 16.000 reais por mês. No Judiciário, são 27.000 reais por mês. De média. Isso aqui é o antigo regime. Não fizemos no Brasil o equivalente da revolução francesa e americana, que começa com o lema “no taxation without a representation”. A gente não virou esse jogo no Brasil. Os governantes ainda agem como se a sociedade existisse para servi-los.

P. E como você acha que essa questão tributária tem que se resolver? Qual é a reforma desejável?

R. O sistema tributário brasileiro cobra desproporcionalmente de quem menos pode pagar, porque ele está calcado em impostos indiretos. E quem mais poderia e deveria estar pagando impostos consegue driblar as tentativas do fisco de taxar. Temos que caminhar para um sistema tributário menos calcado em impostos indiretos, que incidem no bolso de quem ganha menos, e um sistema mais calcado em renda e, em alguma medida, patrimônio, riqueza. O Estado brasileiro é regressivo na tributação e em grande medida regressivo no gasto. Na Previdência, o déficit de 4,2 milhões de aposentados do setor público é do tamanho do déficit da Previdência dos 29 milhões do INSS. É o sistema de castas. O gasto público em educação no Brasil está em torno de 6%, isso é mais que a média dos países da OCDE e mais do que a média de nossos pares na América Latina. Como você explica um gasto tão alto e resultados educacionais tão ruins no Pisa? Porque uma fatia muito importante do gasto público é capturado pelos mais ricos no ensino superior. O sujeito faz o fundamental e médio na escola particular cara e, quando chega na parte mais cara de sua educação, ele passa a contar com subsídio tributário que financia sua educação.

R. Quem já pagava pelo ensino fundamental e médio deve continuar pagando. E quem não puder pagar pelo ensino superior, ganha uma bolsa de estudos.

P. Você costuma dizer, na área fiscal, que precisamos de menos Brasília e mais Brasil. O que isso significa?

R. Em 1988 se optou pelo modelo do Estado federativo. O regime militar era centralizado, e optamos por descentralizar. Princípio perfeito. Mas, na prática, transferiram para os estados e municípios as atribuições do setor público, mas mantiveram no governo central a autoridade para tributar. Dois terços da arrecadação está concentrada em Brasília. Então temos um sistema de transferências muito nocivo para a boa utilização dos recursos públicos. A regra num Estado federativo é: o dinheiro público deve ser gasto o mais perto possível de onde ele é arrecadado, para o cidadão fiscalizar e cobrar. Para Brasília deveria ir aquilo que somente a União deve cuidar, como a diplomacia, o Banco Central, os órgãos reguladores... Além das distribuições regionais. Num Brasil tão desigual e heterogêneo, é normal que as regiões mais prósperas transfiram para regiões menos favorecidas. Mas por que o resto do dinheiro precisa ir para Brasília para depois voltar? Brasília não pode ficar arrecadando e repassando ou não, com os prefeitos de pires na mão pedindo dinheiro. 80% dos municípios vivem de mesada. Vira um modo de fazer política. Perde-se transparência, critério, prioridade, capacidade de fiscalização... Precisamos construir no Brasil cidadania tributária, em que as pessoas saibam o quanto pagam de imposto, para onde ele vai e como está voltando. Ninguém pode ser contra isso.

P. Que outros tipos de ideias a candidatura Marina Silva poderia trazer na questão da desigualdade e mundo do trabalho, que hoje passa por uma série de transformações tecnológicas?

R. Não posso responder por ela. Mas penso que, no mercado de trabalho brasileiro, há dezenas de milhões de cidadãos sem uma situação regular de emprego. Não dá para tolerar isso. Não é normal isso na vida organizada de qualquer país. Ninguém os representa. Esses brasileiros não têm nenhuma proteção, nenhum direito, e ninguém fala deles. Nós precisamos repensar as instituições do mercado de trabalho brasileiro tendo como objetivo maior permitir que todo brasileiro tenha, na sua atividade laboral, uma situação que lhe dê a condição de cidadão pleno. Mas o que nós temos hoje com a economia informal é subcidadãos, sem nenhum direito garantido de nada.

P. Mas com as mudanças tecnológicas, como  elas vão ter um posto de trabalho formal? Devemos começar a falar em direitos sociais desvinculados do emprego, como por exemplo uma renda mínima universal?

R. Acho um caminho interessante, mas com muito critério. Os recursos são limitados, o orçamento é restrito, e tem que ter muita seriedade. Esse é um drama que teremos que necessariamente equacionar. As instituições ficam muito defasadas em relação a mudança da vida prática e da tecnologia. Atualizar as instituições e as demandas dessa nova economia será um processo de tentativa e erro.

Há um artigo da minha coletânea chamado 'O outro Hayek', um neoliberal austríaco que defende renda mínima garantida universal, independente da pessoa trabalhar ou não. Eu adoraria estar numa sociedade que propiciasse ao cidadão uma renda independente do fato de ele estar ou não trabalhando. É um sonho de liberdade. Mas precisamos construir o caminho para isso.

P. Que balanço você faz do Governo Temer?

R. É uma pergunta que eu me faço e não consigo responder. Onde nós estaríamos agora se o Governo Dilma tivesse continuado? O Brasil estava na UTI, com sinais vitais em queda livre, sem nenhum horizonte. Era uma situação sem a menor perspectiva. Então, do ponto de vista econômico, foi um alívio ter uma boa equipe econômica, uma mudança para melhor na governança das estatais e ter um programa de reformas, que no geral é bem correto, a Ponte para o Futuro, que coloca uma agenda de mudanças para que o país volte a recuperar o crescimento e a sustentabilidade das contas públicas. Lamentavelmente, o componente político do governo Temer é... Ele não tem a menor credibilidade e acabou sendo pilhado em 14 de maio de 2017 por aquela conversa de comparsas no subsolo do Palácio. A partir de então o governo entrou no modo de sobrevivência. A agenda de reformas que estava sendo encaminhada foi praticamente abortada, interrompida, e o governo consumiu o que lhe restava de capital político simplesmente para se manter vivo diante das denúncias e de sua enorme e precária fragilidade.

P. O brasileiro ainda não sente os efeitos da recuperação. O desemprego é alto e a greve dos caminhoneiros evidenciou o como é difícil viver. Por quê?

R. Primeiro porque o governo Temer perdeu totalmente a capacidade de iniciativa ao não fazer a mais importante das reformas, que era a da Previdência. As expectativas gerais da economia foram prejudicadas por essa falência do projeto reformista. Acho que o governo Temer errou no sequenciamento das reformas, porque ele deveria ter usado o capital político do início de seu governo para fazer primeiro o mais difícil, e depois fazer o menos conflituoso. E tem um fato também, normal em todo processo de recuperação, que o emprego é uma variável de resposta lenta. Assim como o desemprego demora para aumentar quando começa a recessão, porque as empresas querem se sentir seguras de que esse quadro é permanente antes de demitir, e porque é caro demitir, o desemprego demora a cair quando acaba a recessão. Porque tem muita ociosidade, o quadro não está totalmente definido... As empresas relutam em contratar. Agora, o Brasil saiu da pior recessão da sua história. É muito desapontador o ritmo, é muito incerta a continuidade desse movimento, principalmente depois da greve, mas não sei onde estaríamos com o Governo Dilma.

P. Em 'O elogio do vira-lata', título do seu livro, você aborda a questão do complexo de vira-lata do brasileiro. Qual é a origem desta personalidade?

R. O complexo de vira-lata foi cunhado como expressão pelo Nelson Rodrigues, num contexto inclusive futebolístico. Mas depois isso transcendeu muito e entrou no imaginário brasileiro a ideia do complexo de vira-lata. Na verdade, esse sentimento de inferioridade, esse narcisismo as avessas da psicologia brasileira, não surge no momento em que é nomeado. Ele nos acompanha desde nossa origem como colônia. O mazombo era como primeiro se chamou o brasileiro, que é o filho do português imigrante com negros e indígenas. Eram chamados de brasileiros aqueles que exploravam o pau-brasil, faziam fortuna e voltavam pra Portugal. E o mazombo era uma figura... O termo é de uma língua angolana que denota bruto, iletrado, rústico, uma pessoa sem classe e distinção. O mazombo tinha vergonha de ser quem era e seu sonho era voltar pra Portugal, estudar em Coimbra e virar um cidadão de primeira. Então, o complexo de vira-lata é um traço quase de nascença da vida brasileira. E continua muito forte. A preferência por produtos importados, a inveja dos “civilizados” que têm tudo, conforto, segurança, renda, coisas de primeiro mundo.

P. Ao mesmo tempo, você ressalta e elogia uma condição nossa de vira-lata...

R. Me incomodava muito o uso do termo “vira-lata” para denotar a nossa condição inferior. O Nelson Rodrigues está coberto de razão quando ele fala que nós temos cronicamente um sentimento de inferioridade. Mas por que eleger o vira-lata do símbolo mor do que há de errado conosco? Por que vira-lata? Eu acho bela e acho digna de reconhecimento de orgulho a condição vira-lata. A síntese dessa força do ensaio é a seguinte: o verdadeiro complexo de vira-lata é a ideia de que há algo errado em ser vira-lata. E tem um subtexto aí que é o seguinte: o que é ser vira-lata? É a mistura. É não ter raça definida. E o Brasil é mestiço, tanto genética como principalmente culturalmente. Nós somos uma mestiçagens de elementos ameríndios, africanos e europeus de diversas procedências. E isso é o que nos dá força e esperança de ter uma contribuição original diante de um ocidente que está num beco sem saída.

P. Ao longo do século XX, sempre se falou que a mestiçagem tinha levado o Brasil a uma democracia racial. Mas hoje os movimentos negros estão apontando para o fato de que isso nunca existiu. De que o racismo sempre foi realidade e nunca se quis falar sobre isso. Esses mesmos movimentos negros denunciam que esse processo de mestiçagem do Brasil, sobretudo na época da escravidão, foi fruto de processos violentos, estupros... E também como um objetivo maior de embranquecer a população, como você bem aponta em seu texto. Como você se posiciona nesse debate?

R. A democracia racial foi usada como véu a encobrir uma realidade objetiva de discriminação e de racismo. É uma ideologia que encobre uma realidade que não pode ser negada. Agora, como ideal e como valor, acho que é por aí. Devemos perseguir uma igualdade de oportunidade de maneira muito mais agressiva e corajosa do que fizemos até hoje. Temos que reconhecer a existência da descriminação e combatê-la por todos os meios. Agora, nós não podemos negar, em nome disso, o que nos diferencia e o que nós temos de melhor, que é a mistura. A história é um processo muitas vezes tortuoso. A vinda dos africanos para a América é a coisa mais inominável em termos de violência e crueldade. Mas é um fato. Nós estamos aqui e estamos juntos. A minha tataravó era uma negra ex-escrava. Nós somos misturados, as pesquisas genéticas comprovam isso do ponto de vista biológico, mas o mais importante não é o biológico. É a integração cultural na música, na dança, na culinária, na literatura, no cinema... Os três gênios universais brasileiros são vira-latas: Aleijadinho, Machado de Assis e Pelé. São frutos dessa mistura, e é o que temos de melhor. E acho que temos que enaltecer e cultivar nossa condição vira-lata, que foi muito bem resumida num samba cantado pela Carmem Miranda, de um ator chamado Alberto Ribeiro, que chama-se “Cachorro Vira-Lata”. Ele enaltece a condição da liberdade do vira-lata sem coleira e sem patrão. Um belo sonho.

19.1.18

Javier Corrales: "Un matrimonio perfecto: evangélicos y conservadores en América Latina"



Achei muito bom o seguinte artigo de Javier Corrales. Li-o pela primeira vez no New York Times, em inglês, mas hoje descobri na Internet uma versão dele em castelhano, que resolvi postar abaixo, pois creio que a maior parte dos leitores brasileiros conseguem ler artigos nessa língua, irmã da nossa.


Un matrimonio perfecto: evangélicos y conservadores en América Latina
Javier Corrales


AMHERST, Massachusetts — Las iglesias evangélicas protestantes, que por estos días se encuentran en casi cualquier vecindario en América Latina, están transformando la política como ninguna otra fuerza. Le están dando a las causas conservadoras —en especial a los partidos políticos— un nuevo impulso y nuevos votantes.

En América Latina, el cristianismo se asociaba con el catolicismo romano. La Iglesia católica tuvo prácticamente el monopolio de la religión hasta la década de los ochenta. Al catolicismo solo lo desafiaban el anticlericalismo y el ateísmo. Nunca había habido otra religión. Hasta ahora.

Hoy en día los evangélicos constituyen casi el 20 por ciento de la población en América Latina, mucho más que el tres por ciento de hace seis décadas. En algunos cuantos países centroamericanos, están cerca de ser la mayoría.

La ideología de los pastores evangélicos es variada, pero en términos de género y sexualidad por lo general sus valores son conservadores, patriarcales y homofóbicos. Esperan que las mujeres sean totalmente sumisas a sus esposos evangélicos. En todos los países de la región, sus posturas en contra de los derechos de las personas homosexuales han sido las más radicales.

El ascenso de los grupos evangélicos es políticamente inquietante porque están alimentando una nueva forma de populismo. A los partidos conservadores les están dando votantes que no pertenecen a la élite, lo cual es bueno para la democracia, pero estos electores suelen ser intransigentes en asuntos relacionados con la sexualidad, lo que genera polarización cultural. La inclusión intolerante, que constituye la fórmula populista clásica en América Latina, está siendo reinventada por los pastores protestantes.

Brasil es un buen ejemplo del aumento del poder evangélico en América Latina. La bancada evangélica, los noventa y tantos miembros evangélicos del congreso, han frustrado acciones legislativas a favor de la población LGBT, desempeñaron un papel importante en la destitución de la presidenta Dilma Rousseff y cerraron exposiciones en museos. Un alcalde evangélico fue electo en Río de Janeiro, una de las ciudades del mundo más abiertas con la comunidad homosexual. Sus éxitos han sido tan ambiciosos, que los obispos evangélicos de otros países dicen que quieren imitar el “modelo brasileño”.

Ese modelo se está esparciendo por la región. Con la ayuda de los católicos, los evangélicos también han organizado marchas en contra del movimiento LGBT en Colombia, Costa Rica, República Dominicana, Perú y México. En Paraguay y Colombia pidieron que los ministerios de educación prohibieran los libros que abordan la sexualidad. En Colombia incluso se movilizaron para que se rechazara el acuerdo de paz con las Farc, el mayor grupo guerrillero en América Latina, con el argumento de que los acuerdos llevaban muy lejos los derechos feministas y de la comunidad LGBT.

¿Cómo es que los grupos evangélicos han adquirido tanto poder político? Después de todo, incluso en Brasil, las personas que se identifican como evangélicos siguen siendo una minoría y en la mayoría de los países el ateísmo va en aumento. La respuesta tiene que ver con sus nuevas tácticas políticas.

Ninguna de esas estrategias ha sido tan transformadora como la decisión de establecer alianzas con partidos políticos de derecha.

Históricamente, los partidos de derecha en América Latina tendían a gravitar hacia la Iglesia católica y a desdeñar el protestantismo, mientras que los evangélicos se mantenían al margen de la política. Ya no es así. Los partidos conservadores y los evangélicos están uniendo fuerzas.

Las elecciones presidenciales de Chile en 2017 ofrecen un ejemplo claro de esta unión entre los obispos evangélicos y los partidos. Dos candidatos de derecha, Sebastián Piñera y José Antonio Kast, buscaron ganarse el favor de los evangélicos. El ganador de las elecciones, Piñera, tenía cuatro pastores evangélicos como asesores de campaña.

Hay una razón por la cual los políticos conservadores están abrazando el evangelicalismo. Los grupos evangélicos están resolviendo la desventaja política más importante que los partidos de derecha tienen en América Latina: su falta de arrastre entre los votantes que no pertenecen a las élites. Tal como señaló el politólogo Ed Gibson, los partidos de derecha obtenían su electorado principal entre las clases sociales altas. Esto los hacía débiles electoralmente.

Los evangélicos están cambiando ese escenario. Están consiguiendo votantes entre gente de todas las clases sociales, pero principalmente entre los menos favorecidos. Están logrando convertir a los partidos de derecha en partidos del pueblo.

Este matrimonio de los pastores con los partidos no es un invento latinoamericano. Desde la década de los ochenta sucede en Estados Unidos, conforme la derecha cristiana poco a poco se convirtió en lo que puede llamarse el electorado más confiable del Partido Republicano. Incluso Donald Trump —a quien muchos consideran la antítesis de los valores bíblicos— hizo su campaña con una plataforma evangélica. Escogió a su compañero de fórmula, Mike Pence, por su evangelicalismo.

No es accidental que Estados Unidos y América Latina tengan experiencias similares en cuanto a la política evangélica. Los evangélicos estadounidenses instruyen a sus contrapartes latinoamericanos sobre cómo coquetear con los partidos, convertirse en cabilderos y combatir el matrimonio igualitario. Hay muy pocos grupos de la sociedad civil que tengan vínculos externos tan sólidos.

Además de establecer alianzas con los partidos, los grupos evangélicos latinoamericanos han aprendido a hacer las paces con su rival histórico, la Iglesia católica. Por lo menos en cuanto al tema de la sexualidad, los pastores y los sacerdotes han encontrado un nuevo terreno común.

El ejemplo más reciente de cooperación ha sido en el enfoque: el lenguaje que los actores políticos utilizan para describir sus causas. Para los sociólogos, mientras más actores logren enfocar un asunto para que resuene entre múltiples electorados, y no solo el principal, más probable es que influyan en la política.

En América Latina, los clérigos tanto católicos como evangélicos han encontrado un enfoque eficaz para su conservadurismo: la oposición a lo que han bautizado como “ideología de género”.

Este término se usa para etiquetar cualquier esfuerzo por promover la aceptación de la diversidad sexual y de género. Cuando los expertos argumentan que la diversidad sexual es real y la identidad de género es un constructo, el clero evangélico y católico dice que no se trata de algo científico, sino de una ideología.

A los evangélicos les gusta enfatizar la palabra “ideología” porque les da el derecho, argumentan, de protegerse a sí mismos —y en especial a sus hijos— de la exposición a esas ideas. La ideología de género les permite encubrir su homofobia con un llamado a proteger a los menores.

La belleza política de la “ideología de género” es que ha dado a los clérigos una forma de replantear su postura religiosa en términos laicos: como derechos de los padres. En América Latina, el nuevo lema cristiano es: “Con mis hijos no te metas”. Es uno de los resultados de esta colaboración entre evangélicos y católicos.

Políticamente, podríamos ser testigos de una tregua histórica entre los protestantes y los católicos en la región: mientras que los evangélicos acordaron adoptar la fuerte condena de la Iglesia católica al aborto, el catolicismo ha adoptado la fuerte condena de los evangélicos a la diversidad sexual y, juntos, pueden confrontar la tendencia en aumento hacia la secularización.

Los grupos evangélicos están resolviendo la desventaja política más importante que los partidos de derecha tienen en América Latina: su falta de arrastre entre los votantes que no pertenecen a las élites.
Esta tregua plantea un dilema para el papa Francisco, que está por terminar una gira por América Latina. Por una parte, ha expresado su rechazo al extremismo y su deseo de conectar con los grupos más modernos y liberales de la Iglesia. Por la otra, este papa ha hecho de los “encuentros cristianos” un sello distintivo de su papado, y él mismo no es del todo alérgico al conservadurismo cultural de los evangélicos.

Como actor político, el papa también se preocupa por la decreciente influencia de la Iglesia en la política, así que una alianza con los evangélicos parece el antídoto perfecto contra su declive político. Una cuestión apremiante que el papa necesita ponderar es si está dispuesto a pagar el precio de un mayor conservadurismo para reavivar el poder cristiano en Latinoamérica.

El evangelicalismo está transformando a los partidos y posiblemente a la Iglesia católica. Los partidos políticos se concebían a sí mismos como el freno esencial de la región en contra del populismo. Ese discurso ya no es creíble. Los partidos están dándose cuenta de que unirse a los pastores genera emoción entre los votantes —incluso si es solo entre quienes asisten a los servicios— y la emoción es equivalente al poder.


Javier Corrales, profesor de Ciencias Políticas en Amherts College, es coautor, junto con Michael Penfold, de “Dragon in the Tropics: The Legacy of Hugo Chávez in Venezuela”, y es articulista regular del The New York Times en Español.

Este artigo foi originalmente publicado em inglês no New York Times de 17 de janeiro de 2018.

17.1.18

Juan Arias: "Por que a esquerda brasileira está muda diante da fome que mata crianças na Venezuela?"



Li o seguinte texto hoje, numa página (http://www.ihu.unisinos.br/575300-por-que-a-esquerda-brasileira-esta-muda-diante-da-fome-que-mata-criancas-na-venezuela) do site do Instituto Humanitas Unisinos, de Porto Alegre:


Por que a esquerda brasileira está muda diante da fome que mata crianças na Venezuela?

Mais do que nunca é necessário que a esquerda social, uma vez que a ideológica já perdeu seu sentido, se sensibilize com aqueles que vivem momentos dramáticos.
O comentário é de Juan Arias, jornalista, publicado por El País, 16-01-2018.

Acredito que não exista nada mais doloroso do que ver uma criança morrer de fome, principalmente se isso acontece em um país que, como a Venezuela, tem as maiores reservas de petróleo do mundo e se proclama socialista. Não deixa, portanto, de causar estranheza o silêncio da esquerda brasileira diante dessas mortes infantis por falta de comida no país amigo. O Partido dos Trabalhadores quer voltar ao poder com Lula. Tem todo o direito de tentar fazer isso democraticamente, mas antes terá de nos dizer o que pensa sobre o que a imprensa mundial está denunciando a respeito da Venezuela. Semanas atrás, a Folha de S. Paulo escreveu: “A fome persegue a Venezuela há anos. Agora está matando as crianças do país em um ritmo alarmante”. O jornal relata como uma equipe do The New York Times publicou no Natal uma longa investigação realizada durante cinco meses em 21 hospitais de 17 estados venezuelanos em que médicos e enfermeiros confirmaram que as crianças estão morrendo de fome e desnutrição por falta de comida.

A ONG Provea, defensora dos direitos humanos, denunciou por sua vez, segundo O Estado de S. Paulo, que os venezuelanos mais pobres, diante da crise alimentar em uma economia que, como escreveu o EL PAÍS, “está em coma”, com uma inflação de cinco dígitos, são obrigados a comer uma espécie de salsicha para cães, feita com restos de carne e gordura sem controle sanitário, ou ração para galinhas que serve como substituto do arroz. Lula, que apoiou as campanhas de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, chegou a afirmar que na Venezuela havia “democracia em excesso”. A esquerda brasileira ainda continua pensando assim? O que existe é a fome que mata, enquanto aqui no Brasil o que começa a preocupar é o excesso de peso e a obesidade, que já atingem 53% da população, incluindo as crianças.

É verdade que muitas vezes o grande público, especialmente o menos culto, não se sensibiliza com a falta de democracia em um país e, às vezes, até sente saudade das ditaduras, mas o que não deixa de doer em ninguém é a fome de uma criança. O mundo está vivendo uma guinada para a extrema direita com contornos de novos e perigosos autoritarismos. Mais do que nunca é necessário que a esquerda social, uma vez que a ideológica já perdeu seu sentido, se sensibilize com aqueles que vivem – como na Venezuela – momentos dramáticos, não por não terem papel higiênico, mas porque lá se morre de fome lá. Fechar os olhos a essas tragédias é trair os valores da esquerda sensível ao pranto dos desamparados.

Só quem sentiu na carne o ferrão da fome pode entender o que significa para os pais ter de enterrar seu pequeno morto por falta de comida, como no caso da Venezuela que a Folha conta. Sabem muito bem disso aqueles que conseguiram escapar de um campo de concentração nazista. Um desses sobreviventes, brasileiro, que veio almoçar em nossa casa quis comer apenas o pão que minha mulher havia feito. Ele nos contou que a fome que mastigou no inferno do campo era tanta que, até hoje, sua iguaria preferida é um pedaço de pão. Eu mesmo, que sou um sobrevivente da fome que açoitou os espanhóis durante a Guerra Civil de 1936 e o período do pós-guerra, posso garantir que poucas coisas são tão duras para uma criança como foi para mim e meus dois irmãos ir dormir com fome. Durante muito tempo, e até na idade adulta, sonhava, como um pesadelo, com pão quente saindo do forno.

São lembranças que hoje se aglomeram na minha memória quando leio que na irmã e rica Venezuela existem crianças que morrem de fome ou são forçadas a disputar comida com cães e galinhas. E assim como me machuca a fome delas, me machuca o silêncio da esquerda rica brasileira que, enredada em suas pequenas disputas políticas, não consegue levantar a voz para denunciar essa tragédia. Ou a esquerda ainda pensa que o que sobra na Venezuela é a democracia? O que sobra hoje é o pranto daqueles que não conseguem comida para seus filhos.

6.10.15

Arnaldo Niskier: "Um tiro no Sistema S"




Concordo inteiramente com o seguinte, excelente, artigo de Arnaldo Niskier, publicado na Folha de São Paulo no dia 4 do corrente:


Um tiro no Sistema S

É conhecida a dificuldade do governo federal para fazer o seu ajuste fiscal. Em meio a essa confusão toda, até propostas estapafúrdias acabam sendo feitas, como é o caso de sequestrar os recursos financeiros do Sistema S, o conjunto de nove instituições de interesse de categorias profissionais.
Até há pouco, falava-se em prestigiar o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego). Anunciava-se um programa de 12 milhões de técnicos. Depois, o número baixou consideravelmente, mas com a política de despir um santo para vestir o outro.
Retirar R$ 8 milhões do Sistema S e colocar nas contas baleadas do governo é condenar entidades beneméritas como o Senac, o Senai, o Senar, o Sesc, o Sesi, o Sebrae, a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Exportação e Investimentos) a praticamente fechar as portas, como algumas chegaram mesmo a anunciar.
Só o Sesc estima perder cerca de 27 mil funcionários, além de inviabilizar o atendimento de 200 mil alunos no Rio de Janeiro. No caso do Sebrae, o corte programado, se vier a ser confirmado, pode levar a entidade a cobrar pelos seus serviços ou reduzir o número de 8 milhões de microempresários atendidos por ano. É possível imaginar o tamanho desse prejuízo?
A se confirmar a crise, será a maior dos mais de 70 anos de existência do Sistema S, nascido na década de 1940, quando Gustavo Capanema era ministro da Educação. Foi autor das célebres e consagradas Leis Orgânicas do Ensino Industrial e do Ensino Comercial, até hoje vigentes.
A prova da competência do Senai, por exemplo, pode ser medida pelo fato de mais de 60% dos seus alunos estarem empregados, mesmo com a elevada retração do mercado. A entidade, nos 1.008 cursos que oferece, forma aproximadamente 90 mil alunos por ano em 30 segmentos industriais.
Só mesmo um gênio do mal para mexer no setor, provocando a reação indignada de dirigentes como Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Os números do Senai, por exemplo, são espetaculares: 3,64 milhões de matrículas no ano passado, dos quais 1 milhão ministrados na modalidade do ensino à distância. Já o Sesi formou 217 mil jovens e adultos.
Com essa absurda intervenção do governo federal, uma hipótese provável seria passar a cobrar pelos cursos, mas não há dúvida de que isso representaria um baque nas matrículas. É a fórmula encontrada de prestigiar o que entendemos por ensino profissional?
A se confirmar a pretensão oficial, haverá uma série de perdas nos programas hoje vigentes de educação –sobretudo a construção de creches–, saúde, cultura e esporte.
Haverá uma drástica redução de matrículas e a possível perda de gratuidade nos cursos profissionais do Senac. Enfim, uma queda considerável de substância, como se pudéssemos nos dar ao luxo dessa perda inoportuna.


ARNALDO NISKIER, 80, é membro da Academia Brasileira de Letras e presidente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) no Rio de Janeiro.

6.5.14

João Ubaldo Ribeiro: "O negro e o macaco"


A seguir, reproduzo um excelente artigo que João Ubaldo Ribeiro publicou em sua coluna dominical de O Globo, no dia 4 do corrente mês:


O negro e o macaco

Defender a existência de uma única cultura africana ou negra é insultuoso, ignorante e racista


Uma das mais clamorosas — e para mim enervantes — manifestações do atraso da espécie humana é esse negócio de raça. A importância que damos à raça, a ponto de odiar-se, matar-se e morrer-se por causa dela, leva inevitavelmente ao lugar-comum: seria ridícula, se não fosse trágica. É difícil encontrar um assunto sobre o qual se digam tantas besteiras quanto este, sempre ignorando não só evidências antropológicas como dados da própria realidade cotidiana. E é também bastante difícil falar sobre ele ou debatê-lo. Muita gente perde o controle, espuma de raiva e afoga o debate em gritos e denúncias.

Começa pela ligação, que aqui sempre se faz, entre escravidão e raça. Falou em escravos, falou em negros. Mas a maior parte dos escravos na história da humanidade não era de negros, o que lá seja isto. A escravidão, para generalizar razoavelmente, era o destino dos vencidos de qualquer raça, que não fossem exterminados. Inclusive, é claro, pois do contrário é que não seriam humanos, os da raça negra vencidos por outros da mesma raça, caso dos escravos vendidos ao Brasil. É comum a noção de que “negro é negro”, como se as incontáveis etnias negras se considerassem iguais. Isso equivale a entender que um alemão é igual a um polonês, um sueco igual a um italiano ou um espanhol igual a um russo. Não pode haver disparate maior — e, se bem olhado, racista — do que achar que, num continente gigantesco e diversificado como a África, todos os negros são iguais e, mais bobamente ainda, irmãos. Irmãos em Cristo e, assim mesmo, se não forem muçulmanos. Vão perguntar se as minorias negras massacradas por nações também negras se consideram irmãs de seus algozes, ou estes daquelas. Ou aos escravos negros de outros negros, situação até hoje existente na África. Há até quem se escandalize com guerras e genocídios entre nações negras. Ué, e guerra de branco contra branco?

Desculpem se atropelo argumentos, mas é que o assunto me deixa nervoso também e me dá uma certa exasperação. Agora me ocorre interromper o que vinha dizendo para lembrar outra prática enervante: falar em cultura africana. Não existe, nem pode existir, uma cultura africana, em nenhum sentido. Aplica um reducionismo grotesco aquele que — e lembro outra vez o tamanho e a complexidade da África — acha que só existe uma cultura negra ou africana. De novo, é um argumento que, se bem olhado, pode ser considerado racista. Existe a cultura africana dos povos a que pertenciam os que foram trazidos para o Brasil como escravos, o que é muito diferente de dizer que ela é “a cultura africana”. Experimentem convidar um zulu para jantar e servir a ele comida ioruba, como na Bahia. Defender a existência de uma única cultura africana ou negra é insultuoso, ignorante e racista.

Aplicar padrões sociológicos americanos para o problema, no Brasil, é outra prática difícil de aturar. E faço a ressalva sempre exigida de que claro que no Brasil há racismo, patati-patatá. Mas a Bahia não é o Alabama. Já na década de 60, um casal, numa das Virgínias do Sul dos Estados Unidos, foi condenado a dois anos de prisão porque era inter-racial, ou seja, um dos dois era negro. As Forças Armadas só foram integradas na Guerra da Coreia e qualquer um que tenha vivido nos Estados Unidos sabe que lá é diferente e ou criamos nossas próprias categorias para examinar nossa realidade, ou prosseguiremos macaqueando até mesmo o racismo alheio.

Escrevi “macaqueando” aí em cima, sem de início lembrar a alusão a macacos em recentes incidentes de racismo no futebol. Mas ela vem a calhar, nesta salada que estou servindo hoje. É curioso como não paramos para pensar e notar que, quesito por quesito, algum racista negro teria razões para alegar que macaco é o branco e não o negro, o qual pode ser visto como muito mais distante do macaco que o branco. Se é verdade, não sei, nem isto tem importância alguma, mas pensem aqui num par de coisas. Imaginem, por exemplo, um ser inteligente de outro planeta, portanto não sujeito aos nossos condicionamentos, a quem incumbíssemos de esclarecer qual das duas raças é mais próxima do macaco. Para tanto, poríamos diante dele um branco nu, um negro nu e um chimpanzé, nosso primo próximo.

O primeiro impacto talvez fosse a cor e, de fato, o pelo do chimpanzé, assim como a pele do negro, é preto. Mas o bom observador não ia deixar-se levar por essa aparência. Façamos um exame cuidadoso e uma listazinha, junto com ele. O macaco é todo coberto de pelos, o corpo do negro é glabro, o branco pode ser o Tony Ramos; os pelos do macaco são lisos, os cabelos do branco também, os cabelos dos negros são crespos; raspado o pelo, a pele do macaco por baixo se revela branca e não preta; os lábios do macaco são finos, os do branco também, os dos negros são grossos; o macaco não tem bunda, o branco tem bunda chata, o negro tem bunda almofadada; até — perdão, senhoras — os renomados atributos masculinos dos negros são mais distantes do macaco, que é tipo piu-piu. Como se vê, basta escolher o que se quer levar em conta e, pelo menos neste exemplo perfeitamente plausível, o extraterrestre poderia concluir que o branco está bem mais perto do macaco que o negro.

Tudo bobagem, discussão que não leva a nada, somente ao ódio e à intolerância. Vamos parar de procurar modelos, ao menos nisto não sejamos tão colonizados, não permitamos que mais lixo contamine nosso pensamento. Os americanos é que têm obsessão por raça (lá nós, brasileiros, somos “hispânicos”), nós temos é a glória e o privilégio de ser o único país em que homens e mulheres de todas as raças se misturaram e misturam e onde a raça, Deus há de ser servido, ainda terá o lugar que merece, ou seja, nenhum.